Alerta Trilhas – Drag me To Hell | Composta por: Christopher Young

drag me to hell
 

Após a abertura agonizante que trazia Sam Raimi de volta ao gênero que o mandou direto para Hollywood em “Drag Me To Hell”, um tema simplesmente forte, potente e marcante abria os maravilhosos créditos do filme. A marcante música de Christopher Young é algo raro de se ver em filmes de terror nos tempos de hoje. Houve uma época em que filmes do gênero eram feitos por verdadeiros autores que construíam tramas fortes e bem dirigidas, e tinham a ajuda de trilhas complexas e bem compostas. É o que ocorre aqui, onde Young não se deixa levar por preguiça e é claro que guiado por um diretor como Sam Raimi, faz um trabalho verdadeiramente esforçado e grandioso.

Young é velho conhecedor do gênero, tendo composto músicas para clássicos como Hellraiser I e II, ou para obras recentes como O Exorcismo de Emily Rose. Sendo assim, aqui ele constrói uma verdadeira ópera do terror e, com uma dos temas mais marcantes lançados em 2009, ele abre a obra. A faixa homônima é forte, épica e traz toda a grandiosidade necessária para o retorno de um cara tão importante para o gênero trash/terror como é Raimi. Abre o álbum e o filme com sua força trazida pela chuva de violinos que estranhamente acarretam uma atmosfera sombria, mas que ao mesmo tempo consegue ser harmoniosa e de certo modo não tão assustadora como faixas que a seguirão, mas melodicamente triste e bem arranjada. Abre o caminho perfeito que o filme necessita, sendo que tal é sombrio e melancólico.

Falando em melancolia, “Familiar Familiars” é carregada desta. Com um piano belamente tocado e violinos ainda mais belos chegando num crescente triste, consegue ser uma das melhores faixas da trilha. Já “Brick Dogs A La Carte” mantém o piano, só que desta vez com cordas ao fundo mais esperançosas, dando uma graça potencial para a obra, um aconchego estranho à mesma. O que pode ser observado também na cintilante “Tale of a Haunted Baker”.

Minha segunda faixa favorita é “Lamia”. De uma grandeza absurda, que começa com quase nenhum som, passando por rabiscos agonizantes de cordas desafinadas e cintilações noturnas, que com o primeiro “bum” dos instrumentos de sopro tem a companhia de gritos de vítimas que, logo ao chegar em sua agonia maior, com todos os instrumentos sem caminho, apenas com altura, acarretam no ápice segundo tema da obra, com percussões e trompetes e tudo o que você imaginar que acarrete o medo. É realmente uma faixa linda de se ouvir e perfeita para se arrepiar.

E no meio dessas já espantosamente boas faixas, temos os intermédios de “Mexican Devil Disaster”, “Black Rainbows”, “Ode to Ganush”, “Loose Teeth” e “Ordeal By Corpses”, que apesar de não serem marcantes, preparam terreno e climatizam mais a obra, sendo inclusive faixas de preparação para os temas e se espelhando por entre momentos sorrateiros da película.

E é em mais uma grandiosa faixa, que o excelente trabalho de Chris Young se encerra. “Concerto to Hell” faz rima sonora com a faixa inicial, trazendo o tema principal da obra. Mas ao contrário do que ocorre na abertura, aqui tudo começa com as cordas e o tema e vai se dissipando para um belíssimo e sombrio coral que logo alcança um solo de violino de arrepiar a espinha, voltando então para o tema completo. É simplesmente fantástico. Não só uma belíssima peça de terror, como das mais completas que já ouvi do gênero. Vale mais que a pena conferir, no volume máximo e a noite.

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