Era Uma Vez um Gênio é um drama fantástico, com pitadas de horror e aventura, conduzido por George Miller. Sua história começa a partir da descoberta da palestrante e estudiosa Alithea, personagem de Tilda Swinton que encontra um artefato antigo que guarda um gênio, interpretado por Idris Elba.
A narrativa é contada de forma prosaica, com um diálogo bastante diferenciado entre o Djinn de Elba e sua nova ama enquanto a mesma está em viagem pela Turquia. Toda a apresentação do personagem é essencialmente curiosa e pitoresca, com ele preenchendo o quarto de hotel com seu corpo volumoso e nu, com dificuldades para entender a língua nativa de Alithea, e interagindo estranhamente com aparelhos eletrônicos comuns a um mundo da década de 2020.
Logo ele toma um tamanho comum a humano de meia idade e passa a tentar servir a sua nova ama de maneira mais comum a compreensão geral.
Como o filme é recente, aviso os leitores que haverá spoilers a partir daqui. Prossiga por sua conta.

O roteiro é de Miller com Augusta Gore e se baseia no conto The Djinn in the Nightingale's Eye de A.S. Byatt. Apesar da história ser narrada em primeira pessoa por Swinton, parece ser contada propositalmente de forma lúdica, conduzida por alguém que sabe contar histórias e isso ocorre graças ao ofício de pesquisadora e escritora que a personagem tem.
A curiosidade de quem gosta de estudar outras culturas desperta na moça um verdadeiro desejo por entender quem era o Djinn, como ele chegou até ali, e qual era o seu intuito, uma vez que ela acredita - não erradamente - que o truque de entregar três desejos a alguém imerecido é uma armadilha, uma forma de trapaça ideológica e possivelmente sádica, como é bem comum dentro desse tipo de narrativa.
Alithea não poderia estar mais enganada, pois o gênio carrega um código ético inabalável, e mesmo que ele verbalize isso de maneira literal, ela segue não acreditando, e há de se relevar a paranoia e desconfiança da personagem.
A chegada da personagem a Estambul é estranha, quando seu avião pousa ela é interceptada por um homem de estatura diminuta, um sujeito com nanismo que se assemelha a um homúnculo e a figura mitológica estilo o sátiro da mitologia grega.
Fora isso, em uma das palestras que ela ministra, há uma estranha visão com um homem calvo, que a faz desmaiar em meio a um discurso. Seja lá qual for o motivo, aí algo estranho interferindo na percepção e vida da personagem. Naturalmente ela fica desconfortável, e ter a recepção de alguém inegavelmente bom e prestativo parece suspeito.
Essa questão é uma demonstração de como a sociedade moderna, imersa no comportamento individualista e capitalista não lida bem com abnegação ou entrega voluntária. Nos tempos atuais não existe boa intenção que não esteja travestida de interesse escuso.
Alithea não quer desejar, acredita ter atingido tudo o que queria, e ouve as histórias que Djinn tem para contar, afinal, mesmo que esteja mentindo, há algo nele que a convence e seduz, para além da bela compleição física de seu interprete.

Djinn afirma que teve três encarceramentos e a descrição de suas histórias é um show visual a parte. A trama retorna à antiguidade, remontando cenários, figurinos, a atmosfera é bem diferenciada, fato que põe a prova o trabalho do diretor de arte Nicholas Dare em cheque.
Esse é apenas o segundo filme dele na função e já se percebe um claro talento, que recebe a supervisão de Sophie Nesh, que assinou esse aspecto no criticado Deuses do Egito.
Há de destacar também a fotografia de John Seale, parceiro de Miller - fez com ele Mad Max: Estrada da Fúria e trabalhou também em O Paciente Inglês - que valoriza os cenários naturais, os grandes palácios, além de cenas de batalhas épicas, resultando enfim em uma reconstrução de época impecável.

Djinn passou por figuras históricas, como o sábio rei Salomão e com a rainha de Sabá. Habitou palácios, conviveu com reis e com mortais da nobreza, mas em todo momento determina a diferença de natureza entre ele, um ser mitológico, imortal e incapaz de dormir e um mortal comum.
Os relatos destacam também a natureza das pessoas mestiças, os híbridos entre gênios e humanos, que possui uma aura magnética maior - o magnetismo é a maior fonte de poder dos concessores de desejos - mas são incapazes de viver para sempre.
Sua definição é boa, afirma que pessoas assim só como as mulas, os filhotes entre um asno e uma égua, que formam um terceiro animal incapaz de se reproduzir. Fato é que essas pessoas possuem uma característica diferenciada, que é uma quantidade de pelos densa e grossa nas canelas.
O filme segue com as outras histórias, que possuem suas próprias lições particulares, imitando os contos que Sherazade narrava em As Mil e uma Noites.
Passa por reis tiranos, por gente violenta, pelo uso fetichista das mulheres enquanto concubinas. Todas as referências miram o desejo do Gênio em se libertar, e são lamentos por não conseguir isso. Entre as frases do personagem, uma se destaca:
"A esperança é um monstro e eu sou refém dela"
A história que mais deixa Alithea balançada é a de Zefir, personagem da atriz turca Burcu Gölgedar, que começa como uma jovem moça que serve a um marido repleto de esposas, e acaba se envolvendo com o gênio.

Alithea julga ter tudo, não falta sucesso, tem uma vida financeira confortável e é uma profissional requisitada.
Sua vida particular não é agitada, mas já teve relacionamentos antes, inclusive é mostrado que ela encerrou um casamento anterior, é calculista o suficiente para conseguir guardar as lembranças do parceiro em uma caixa, sem maiores remorsos, ao menos nas camadas perceptíveis de sua personalidade, tendo o perfeito controle de todos os aspectos de sua vida, inclusive do sentimental.
No entanto, ele se sente seduzida por ter algo que ninguém tem: a paixão abrasadora de alguém imortal. É de fato um artefato inigualável, e seu desejo é de que ele consiga ir com ela de volta ao Ocidente, para morar na Inglaterra.
Seu intuito é ser a mais benevolente entre os amos que usufruíram os serviços do ser poderoso, mais até do que Zefir, que segundo seu olhar, foi vaidosa e mesquinha com o poder e não foi capaz de dar a ele seu desejo de liberdade.
No presente, outras questões parecem mais importantes, inclusive mais pontuais que o amor, seja sincero ou o forçado. O choque cultural do gênio na grande cidade por exemplo.
Em Londres ele percebe que as pessoas falam o tempo inteiro e estão quase o tempo todo conectados via internet, e para alguém não acostumado isso é perturbador, mesmo para quem está acostumado se sente tentado a refletir, incluindo Alithea e também o público. Essa é uma boa sacada do roteiro, embora seja um aspecto mais pincelado e menos desenvolvido.
A história que Era Uma Vez um Gênio propõe é diferenciada, pois coloca um sujeito imortal com aspirações de viver livre como os homens, e iguala uma mulher de tentos alcançados ainda jovem como alguém carente, o que de fato conversa com a natureza humana, que jamais se percebe saciada.
Esses papéis vão se invertendo ao longo da trama, sobretudo nos momentos finais, e são essas inversões que geram no espectador as melhores dúvidas e as mais criativas formas de encarar a história.
Se o roteiro não é perfeito - de fato não é, já que se perde em divagações - ainda resta uma boa exploração de como eram os contos orais ou as histórias encontradas nos papiros e nas bibliotecas, e ainda faz isso discutindo sobre a natureza do homem e sobre a natureza dos seres míticos idealizados, que refletem em si parte dos desejos humanos, como a onipotência, e seu receio, como a escravidão, e ainda faz isso com uma mensagem que valoriza a liberdade e a entrega de um amor confuso, que parece forçado de início e que é retribuído de alguma forma, mesmo que não fique claro se é por gratidão ou por sinceridade.
Fato é que Miller mais uma vez brinca com os desejos e anseios do público, e narra em Era Uma Vez um Gênio um conto de fadas com todos os aspectos técnicos primorosos que tem a disposição um filme blockbuster, apresentando uma obra bonita, singela e repleta de mensagens.









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