Crítica: Jack Reacher: O Último Tiro

4913_medio“Surpreendendo, novo filme de Tom Cruise é uma ótima aventura investigativa.”

Quando vemos num pôster o Tom Cruise com uma arma em punho, sendo perseguido por carros, imediatamente deduzimos o que virá por aí. Mais uma aventura “de tirar o folego”, onde um possível agente irá enfrentar e trocar tiros com dezenas de bandidos, desvendar o plano criado pelo vilão e ficar com a mocinha. Talvez esses clichês façam alguns espectadores rejeitarem, quase que de pronto, essa nova investida chamada Jack Reacher: O Último Tiro. Que, por acaso, não foge muito disso. Mas acredite, esse é um daqueles filmes que surpreende de forma positiva os apreciadores do gênero e curiosos de plantão. E, ainda mais, fará você descobrir que tal obra é baseada numa série de volumes do escritor Lee Child, que já escreveu 17 livros, em que o seu herói arcava com diversas missões, do mais variados estilos. Sendo essa a adaptação do 9º conto da saga.

A história começa quando ex-militar – major - Jack Reacher (Cruise), que decidiu subitamente abandonar sua carreira e viver como andarilho, é chamado para resolver um caso inusitado, ocorrido em Indiana. Onde um suspeito é preso acusado por atirar em cinco pessoas, de forma aleatória, numa praça, em plena luz do dia. O possível assassino se recusa a falar e afirma que só dirá alguma coisa na presença de Reacher. A advogada de defesa percebe que há algo de errado nisso tudo e com a chegada e ajuda do ex-agente, começam uma busca pelos reais motivos dos crimes. Revela-se aqui, então, uma trama bastante interessante, com clima investigativo, envolvendo algo muito maior do que eles imaginavam.

Com um primeiro ato bastante eficiente, apresentando bem os personagens e definindo, pontualmente, quais serão suas funções no decorrer da contextura. Além de explanar inteligentemente as ramificações de um roteiro que se mostra enxuto e preciso. Somos logo fisgados, já que é fácil se identificar com o protagonista, que se mostra muito interessante pelas suas ações intrépidas. Mesmo que às vezes possa soar tão incrível e saiba desvendar enigmas, assim como Sherlock Holmes em seus casos. Claro que devido ao passado do agente, somo levados a acreditar nesses detalhes. Porém, mesmo abusando dos clichês, aqui já citados, as cenas da fita não se tornam aborrecidas. Isso é uma prova de que quando bem utilizado, o clichê funciona de caráter prosaico.

O longa conta com um belo elenco que além de proporcionar um Tom Cruise eletrizante que vive um Jack Reacher que mescla a explosão do Ethan Hunt (personagem de Cruise em ‘Missão Impossível’) e a tensão de um sujeito atormentado por um histórico não tão memorável. Tem em seu casting atores como Richard Jenkins (O Visitante) que interpreta competentemente o chefe de policia Rodin, que também é pai da advogada Helen, que ganha vida com a atriz Rosamund Pike (Fúria de Titãs 2). Pike empresta seu ar intelectual e ao mesmo tempo sexy, formando uma boa dupla com Reacher.

O veterano Robert Duvall (O Poderoso Chefão) surge como um ótimo alívio cômico e que, com seu personagem Cash, é de grande ajuda no desfecho do terceiro ato. Quem também dá as caras é o ótimo cineasta Werner Herzog (O Homem Urso) que aqui faz o misterioso The Zec. Um vilão que a primeira vista parecia ser tenebroso, mas que acabou sendo mal aproveitado, sem exercer sequer uma mínima função que mexa com a ordem dos fatores. Aparecendo como um ponto fraco dentro da película.

Já sobre o trabalho de direção, o também co-roteirista Christopher McQuarrie (Operação Valquíria) se mostra bastante direto em relação à construção do conto. Designando uma narrativa linear, amparada por alguns flashbacks que servem para situar o espectador e fazer com que permaneça atento, sem perder o foco em nenhum instante. O cinematografo Caleb Deschanel, que tinha se metido recentemente na bomba chamada ‘Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros’, faz cá um belo trabalho. Sabendo utilizar bem diferentes lentes sobre os diversos climas emocionais presentes na trama.

Mas quem realmente merece destaque, nos quesitos técnicos, é o montador Kevin Stitt (Cloverfield - Monstro) impetrando uma montagem que ganha forma inusitada, dentro de uma narração unidimensional que se mostra simplória. Mas que quando auxiliada por sua colagem, torna-se deveras bem adornada. Já a trilha sonora de Joe Kraemer - que havia feito outros trabalhos com o diretor – passa quase que despercebida. Pouca inspiradora serve apenas como apoio para algumas tomadas.

Contudo, eis em ‘Jack Reacher: O Último Tiro’ um primo começo para essa elementar temporada, que vem recheada de grandes produções. A aventura é repleta de bons momentos, em meio a uma trama inteligente que sugere uma apropriada linha investigativa. Deixando você curioso em saber a resolução do crime e ao mesmo tempo fluindo de forma orgânica o fazendo relaxar e curtir a sessão junto aos seus amigos. Diria até que Jack Reacher seria o Dirty Harry do século XXI. Não tão durão quanto o personagem do Clint, mas seco em vários outros aspectos. Sem muita frescura. E, sim, ao final do filme, ficamos com aquele gostinho de “quero mais”. Afinal, ainda existem 16 novas histórias pra serem contadas.

Seria então também um novo 007? Cabe a vocês julgarem.

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2 comments

  1. Leonardo Lopes 16 janeiro, 2013 at 02:49 Responder

    Excelente crítica. Também gostei muito do filme, e achei a experiência ainda mais interessante ao inserir um caráter cômico ao protagonista, me lembrando dos nostálgicos filmes de ação do "exército de um homem só", que faz humor de suas façanhas em cenas de ação. Como pensei após ver o filme, a cena inicial (do atirador) se relaciona muito com o longa, já que mesmo nos apresentando todas as características e clichês que nos permitem prever seu desfecho, acabamos sendo surpreendidos, no caso do longa, positivamente.

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