Review: Arrow S02E16 - Suicide Squad

O texto a seguir contém pequenos spoilers.

Suicide SquadSem dúvida alguma, um dos personagens mais interessantes de Arrow não é das HQs. Criado especialmente para o seriado, John Diggle, o segurança, mentor e amigo de Oliver Queen conquistou os fãs com seu jeito de “cara normal” no meio de pessoas extraordinárias. Muito disso é por conta de seu intérprete, David Ramsey, ator de grande carisma que consegue fazer bem o papel de identificação do público. Diggle, cujo sucesso o fez estrear na atual fase do Arqueiro Verde nos quadrinhos, é a representação do espectador, fazendo perguntas que muitas vezes são aquelas indagadas pela audiência. Por isso, já estava na hora de um episódio centrado neste coadjuvante de sucesso.

O mais interessante de Suicide Squad não é a equipe cujo nome intitula o episódio. Claro, para os fãs da DC, este é um atrativo a mais para acompanhar Arrow, mas é na aventura estilo Missão: Impossível de Diggle que está a força do episódio, enquanto destina boa parte de seu tempo a desvendar um pouco mais do passado do personagem. O que vem em uma ótima hora, principalmente porque a segunda temporada acabou reduzindo suas aparições, por lidar com um elenco mais amplo que na primeira. Desta vez até os flashbacks foram dedicados a ele e sua parceira Lyla Michaels (Audrey Marie Anderson), que deve ter uma participação ampliada na série daqui para frente. O Esquadrão Suicida, na verdade, acaba servindo como pano de fundo. Se os vilões participantes da equipe nunca tiveram muito tempo de tela nos episódios em que apareceram anteriormente, não é desta vez que terão, infelizmente. Apenas ao Pistoleiro é reservado algum momento de profundidade mas nada realmente digno de nota. A participação do Tigre de Bronze é minúscula, por exemplo. Michael Jai White se tornou um coadjuvante “de luxo” (bom, ele já foi ator de cinema...) em Arrow, o que acaba trazendo a tona um dos grandes problemas do seriado: seus antagonistas unidimensionais, até quando estão do lado dos heróis.

Como não podia deixar de ser, Oliver também aparece, em uma subplot lógica que continua os eventos do episódio anterior. O protagonista se encontra um tanto perdido e amplia suas buscas a Slade Wilson, pedindo a improvável ajuda da máfia russa. Mesmo sendo uma trama pequena dentro de Suicide Squad, ela ajuda a avançar a história como um todo, trazendo importantes realizações para Oliver quanto a sua cruzada contra o novo (velho) inimigo. Claro que Sara leva boa parte dos créditos nisso. Por falar na irmã mais nova de Laurel, em meio a tanta coisa acontecendo, ainda há tempo de mostrar que o relacionamento de ambas finalmente encontrou um ponto confortável. Tomara que a série não encontre motivos para colocar as duas em atrito novamente. São duas personagens adultas, não convém a elas esse tipo de comportamento adolescente.

Suicide Squad

Escrito por Bryan Q. Miller e Keto Shimizu, Suicide Squad também traz Amanda Waller (Cynthia Addai Robinson) controlando com mão de ferro, e decisões duvidosas, as ações da A.R.G.U.S., e cada vez mais lembrando sua contraparte nos quadrinhos pós-reboot da DC. Aliás, cabe um parêntese aqui: com a confirmação do personagem Vibro no 19º episódio de Arrow e no piloto de Flash, a organização, que funciona como uma espécie de S.H.I.E.L.D. da Distinta Concorrente, deve fazer parte de ambas as séries, principalmente na do velocista escarlate. Essa é uma personagem que foi aparecendo aos poucos, mas pode ter uma enorme importância para a ampliação deste universo, que parece ser o propósito de seus criadores. Tomara que não seja descartada. Se isso acontecer, pode ser indício de uma terrível falta de visão da equipe criativa. O roteiro também aproveita a agência do governo para introduzir um pouco da paranoia atual sobre segurança, drones e a atitude "fins justificam os meios" que permeia as lideranças do mundo.

Apesar de dar uma pausa no ritmo frenético que o próprio seriado impôs, graças a revelação de Slade para Oliver, é um bom episódio, que serve para destacar um personagem que estava um pouco negligenciado nesta temporada, sem parar totalmente a trama geral. Esse respiro deve se estender para a próxima semana, com a aparição da Caçadora em uma aventura que parece dar ênfase para o relacionamento de Sara e Laurel. Após isso, Arrow deve focar em seu desfecho em um arco de episódios bem maior do que o equivalente ao ano passado. E, se continuar assim, tudo leva a crer que em uma escala mais ampla de repercussões.

P.S.: Atenção para a ponta de uma vilã famosa das HQs no QG da A.R.G.U.S.

Alexandre Luiz

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