Review: Arrow S05E16 - Checkmate

Depois de revelar a identidade de seu vilão da temporada, Arrow agora precisa pavimentar o caminho para o desfecho deste quinto ano, que tem conseguido recuperar a dignidade do seriado. Checkmate faz bem esse papel em uma trama sombria como há muito a série não entregava e um antagonista que, facilmente, pode figurar entre os melhores da adaptação. Se continuar com o carisma que tem demonstrado, Josh Segarra e seu Adrian Chase podem ficar lado a lado ao saudoso Slade Wilson de Manu Bennett como um dos mais memoráveis vilões da DC no CW.

O interessante de Checkmate, e que faz a atuação de Segarra se destacar, é que agora o vilão não precisa mais se esconder. O ator aproveita a chance para sempre interpretar duas faces do mesmo personagem: aquela cujo intento já está desvendado pelo time Arqueiro e a que precisa manter aos olhos da opinião pública, alternando o carisma de um servidor com a crueldade e frieza de um bom vilão com muita competência. Enfim Arrow tem um inimigo que traga uma ameaça palpável por sua imprevisibilidade (embora neste quesito o roteiro deixe a desejar com uma atitude bastante óbvia no final, envolvendo a esposa de Chase, e que deveria ter sido prevista por Oliver).

Depois de sequestrar Susan no final do episódio anterior, Prometheus usa a namorada do protagonista como vantagem para se preservar, mas também para mostrar ao Arqueiro que este não faz a menor ideia dos planos que o vilão ainda reserva nas mangas. Por mais que este episódio possa ser considerado o final do "segundo ato", quando a narrativa é analisada por um prisma mais amplo, fazendo a temporada entrar em sua reta final, ainda falta um considerável número de semanas para o plano real de Chase ser revelado. O envolvimento de Tália, inclusive, deixa em aberto o quão extensa pode ser a vingança contra Oliver, mesmo trazendo elementos semelhantes demais com Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (de novo).

Embora seja um bom episódio, no entanto, há alguns problemas que precisam ser mencionados e que podem ser indícios de que o desfecho se fragilize pelo excesso. O sequestro de Susan jamais é bem desenvolvido, e o roteiro pouco faz para que o espectador se importe com o destino da moça. A trama do flashback, novamente, atrapalha a narrativa, interrompendo momentos tensos para oferecer uma ação genérica, também de pouco interesse do público. E a subtrama envolvendo Felicity é boa, pois promete mudanças no status quo da personagem, embora soe pouco conectada com a trama central (dando, inclusive, dicas de que pode vir a ser a grande ameaça da próxima temporada). Porém, nada disso atrapalha completamente a experiência de conferir o protagonista da série genuinamente sem saber o que fazer, pois tem pela frente um inimigo muito mais inteligente que os dois apresentados nas últimas temporadas.

A analogia com o jogo de xadrez sugerida pelo título do episódio é mais do que bem-vinda. E, no grande esquema das coisas, este é um jogo em que os heróis estão sendo derrotados a cada movimento. Isso acaba gerando uma expectativa que precisa ser alcançada no final do quinto ano sem soluções mirabolantes de última hora. É um jogo que, talvez, precise ser vencido muito mais pela inteligência do que por uma batalha de socos e chutes pelo destino de Star City, por mais que Prometheus seja uma ameaça física à altura das capacidades do herói de arco e capuz.

Alexandre Luiz

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