Review: Arrow S05E21 - Honor Thy Fathers

Depois de um episódio filler na semana passada, Arrow finalmente chega naquele momento da temporada em que o final da trama se divide em três atos. Honor Thy Fathers, sendo o primeiro ato que levará ao grande embate entre o Arqueiro Verde e Prometheus, se sai muito bem. Há uma sensação de encerramento para enganar o espectador e os personagens, que terminam este episódio aliviados, pouco imaginando o que ainda terão de enfrentar.

O ritmo aqui é o grande destaque, em um episódio que mostra os heróis correndo contra o tempo para limpar o nome de Robert Queen que, graças a mais uma jogada de Adrian Chase, está sendo acusado de um assassinato cometido há 15 anos. O pai de Oliver obviamente nunca foi santo, mas será que chegou a ser um assassino? É esse o dilema do herói, que fica entre acreditar nas acusações de Prometheus ou tentar inocentar seu genitor. Se o plano do vilão é desestabilizar o protagonista, tudo vai muito bem e, como o espectador já sabe pelo final do episódio anterior, até essa sensação de alívio que vem com o desfecho de Honor Thy Fathers tem hora para acabar e também faz parte do esquema do antagonista.

O que Arrow tem conseguido fazer muito bem nessa quinta temporada é unir de forma orgânica sua trama central com as subtramas de cada personagem. Em um episódio sobre os crimes paternos do passado, nada mais natural que a sequência do subplot envolvendo Rene e sua filha. E o sentimento agridoce deixado na semana anterior, aqui se torna bastante amargo, com o membro do Time Arqueiro tomando uma decisão da qual poderá se arrepender no futuro. A química entre o jovem Cão Raivoso e Quentin Lance também só melhora. Paul Blackthorne tem ótimas chances de desenvolver algo mais em seu personagem, assumindo uma figura paterna e uma forte ligação com Rene que soa bastante convincente, quando o espectador se lembra da índole e de tudo que o pai das duas Canários já sofreu nessa série.

Outra trama secundária que surge para trazer algum fechamento para a série é a dos flashbacks. Várias dicas são dadas sobre como Oliver realmente conseguiu sair da ilha. Como na próxima temporada o passado não fará mais parte da narrativa, soa bastante providencial que essas pontas sejam amarradas justamente no episódio cujo tema é o de superar o que já aconteceu e abraçar o que virá no futuro. Algo, inclusive, que Rene não consegue fazer em sua plot familiar, mas que Oliver percebe ser fundamental até mesmo para limpar sua própria imagem. Quando decide contar ao público sobre os feitos de seu pai, o protagonista coloca uma pedra em algo que jamais afetará o que Robert significou.

A paternidade também é um tema recorrente ao vilão Prometheus, mas de uma forma que, talvez, o Arqueiro não tenha entendido por completo. Apesar de usar a psicologia para aparentemente derrotar seu nêmesis, Oliver não consegue enxergar o quadro como um todo e não percebe o quanto está sendo manipulado. E aí é que a série traz uma solução que, claro, soa apressada, justamente por não ser definitiva. Depois de toda essa discussão sobre pais e filhos, seria muito interessante se em vez de salvar a cidade de algo destrutivo (como esse episódio faz parecer), Oliver enfrentasse Prometheus com um elemento mais pessoal, como o eventual sequestro de William (que obviamente aconteceu depois do encontro de Chase com o garoto). Há uma crueldade no sorriso do vilão em sua última cena que, sozinha, o transforma no melhor personagem deste quinto ano. Josh Segarra, mais uma vez, prova ter sido um acerto de elenco como a série não entrega há muito tempo.

Assim, diferente de Flash, Arrow consegue empolgar para seus últimos dois episódios da temporada com uma trama que faz o espectador se importar com os personagens envolvidos, além de fechar pontas, preparando o terreno para o que deve ser um desfecho tenso e dramático. Não há dúvidas quanto a qualidade da adaptação neste quinto ano e a série realmente voltou a ser o que era em grande estilo: com um grande vilão e um desenvolvimento envolvente sem deixar arestas ou gorduras.

 

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Alexandre Luiz

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