Crítica: Magic Mike XXL (Blu-ray)

capaSinopse: Continuando três anos após o primeiro filme, Mike (Channing Tatum) desiste da carreira de stripper em seu auge. Magic Mike XXL começa justamente com todos os antigos Reis de Tampa prontos para fazer o mesmo, desistindo do que sabem fazer melhor, porém, antes o grupo pretende entrar para a história de uma vez por todas com uma performance lendária em Myrtle Beach.

O Filme: Mike, o personagem de Channing Tatum, começa Magic Mike XXL como alguém bem diferente daquele stripper do filme original, dirigido por Steven Soderbergh. O protagonista finalmente conseguiu montar sua empresa de móveis customizados, mas não está mais acompanhado de Brooke, que o abandonou depois de um pedido de casamento "perfeito". Mike, durante três anos, achou que sua companheira tinha tudo que queria, mesmo sem nunca ter perguntado à ela. Esse é o cerne da questão abordada pelo novo longa, agora sob o comando de Gregory Jacobs, que se assume road movie e abandona convenções como a presença de conflitos artificiais como àquele envolvendo o vício em drogas abordado no anterior. O grupo de strippers se reúne novamente para uma última apresentação e parte em uma viagem de descobertas e resoluções de problemas pessoais. E é isso. Não há uma competição no final, um vilão ou um par romântico específico. Não é o filme que você esperava e por isso é tão bom.

O que chama atenção na obra é a forma como encontra para os personagens encararem seus conflitos. Em um momento totalmente autoconsciente, o protagonista e o personagem vivido por Matthew Bomer chegam à conclusão que não é com pancadaria que suas diferenças serão abordadas. Esperava dois homens sarados brigando? Magic Mike XXL faz questão de destacar que essa não é a intenção aqui. Indo contra a maré, essa jornada pessoal pode ser basicamente resumida como um grupo de homens finalmente tendo tempo para sentar e conversar, seja entre si mesmos ou entre mulheres. Bomer, inclusive, representa muito bem essa proposta, uma vez que seu personagem tinha quase nenhum diálogo no longa anterior e aqui se mostra um sujeito sensível e talentoso.

Como característica de um road movie, o grupo encontra várias pessoas pelo caminho, na maioria mulheres, que poderiam ser qualquer uma das espectadoras. Sem apelar para atrizes de beleza pasteurizada e dando grande destaque à corpos "fora do padrão", Magic Mike XXL tem muito ao dizer quando para para ouvir. Os problemas dessas mulheres são comuns no "mundo real" e a maioria (dos mostrados pelo filme, obviamente) poderiam ser resolvidos se os homens escutassem mais e tomassem menos para si a decisão do que é melhor ou não para elas. A conclusão de tudo vem de forma catártica na apresentação final dos strippers, cada uma com um tema mais incomum que o outro. Nesse sentido, a obra esbanja a sensualização masculina que faltou no primeiro (e cujo preconceito fez muitos homens simplesmente o ignorarem à época de seu lançamento), mas de forma muito natural e orgânica a trama, depois de toda a construção apresentada em seus primeiros atos.

De certa forma, XXL se mostra muito mais ambicioso que seu antecessor, mesmo que em um primeiro momento se apresente com uma trama mais direta. Por discutir temas tão íntimos, faz o que o primeiro não tinha intenção de fazer (mesmo que fosse um comentário sobre o capitalismo e a vida em tempos de crise) de forma profunda e tocante (há uma sequência envolvendo o clássico oitentista Heaven mais eficiente que 90% das comédias românticas atuais, por exemplo). A maneira como apresenta o sexo e a sexualidade como catalisadores de liberdade ao invés de causadores de problemas coloca o longa entre os mais relevantes de 2015 e tudo isso ao mesmo tempo que abraça as características mais "ridículas" das personalidades individuais do elenco.

Divertido sem soar histérico, XXL assume também um certo otimismo em sua atmosfera, sem parecer material barato de auto-ajuda. Com um elenco totalmente à vontade e mostrando uma entrega absurda às exigências das coreografias, o longa se destaca pelo ritmo. Mesmo sendo basicamente uma trama voltada para os diálogos, esta nunca se mostra cansativa ou aborrecida graças a montagem (à cargo de Soderbergh sob o pseudônimo de Mary Ann Bernard) que não deixa sobrar nenhuma "gordura" e a profundidade dada aos coadjuvantes. Uma grata surpresa quando uma continuação surge de forma tão superior ao original, principalmente quando seus acertos dialogam tanto com os tempos atuais, de tomada de consciência e mudanças de comportamento.

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Vídeo: Ótima transferência em 1080p da Warner, mas isso chega a ser chover no molhado. Os lançamentos recentes em blu-ray do estúdio vem mantendo uma consistência na qualidade de imagem, independente das características da direção de fotografia. Magic Mike XXL, por sinal, teve Soderbergh como cinematógrafo e o diretor mantém as cores quentes do primeiro filme em cenas internas e durante o dia. Já as pouco iluminados inundam a tela de um colorido variado. Rodado em digital, o longa exibe imagem cristalina na maioria das cenas, mas contém alguns artefatos, como grãos, naquelas mais escuras.

Áudio: Como o filme tem inúmeras cenas de strip-tease, cada uma acompanhada de uma trilha específica, é de se esperar uma qualidade superior de áudio neste lançamento. E nesse sentido, só elogios. Graves marcantes e uma engenharia de som que se assemelha a encontrada em títulos como shows ou musicais, XXL não dá descanso para o sistema de home theater, a não ser nas sequências de diálogos, que ocupam principalmente a caixa central, deixando o surround por conta de sons ambiente.

Extras: Nesse quesito o blu-ray deixa um pouco a desejar. São apenas 3 materiais adicionais e o único minimamente interessante é o que destaca as coreografias de cada membro do elenco. Os outros dois são uma cena estendida e um featurette falando sobre as gravações na Georgia, algo que soa mais como um incentivo para atrair investidores para o lugar.

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Alexandre Luiz

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