Review: The Flash S02E08 - Legends of Today

THE FLASH

Oficialmente destinado a se tornar um evento anual, o crossover entre Arrow e Flash desta temporada chega com a premissa de corrigir o que muitos fãs consideraram um problema quando nesta mesma época, em 2014, os dois heróis tiveram sua primeira aventura juntos. Agora, a trama parece mesmo dividida em duas partes entre as séries, ao contrário do encontro que funcionava de forma mais isolada visto ano passado. Claro, se tratava da primeira temporada de Flash e os produtores não quiseram arriscar tanto. Agora, com a adaptação do velocista devidamente estabelecida, os programas podem ousar e se soltar mais. E se soltar é exatamente o que Legends of Today faz.

A ideia desta vez é mais audaciosa, no sentido de unir não apenas os personagens já conhecidos, como também apresentar novos, entre heróis e vilão. E, ao abraçar o formato de equipe de super-heróis, os roteiristas entenderam que, principalmente neste ponto de ambas as séries, não adianta se contrair. Arrow já introduziu conceitos místicos, Flash está lidando com o multiverso. Não há exatamente um limite para o que pode ou não ser abordado no Universo DC/CW. Por isso um casal de humanos com asas de pássaro ou um antagonista imortal não são, de forma alguma, comedidos em suas aparições.

Desde a primeira vez que Vandal Savage surge em tela, vivido aqui pelo dinamarquês Casper Crump, o espectador é confrontado por uma ameaça que parece ser implacável, embora o texto não o trabalhe tão bem quanto Darhk ou Zoom, e se vale mais da presença do ator do que do próprio background do personagem. Apesar de ajudar a criar o mistério sobre sua origem, não é criada uma relação forte entre Savage e o fã. Talvez isso seja melhor trabalhado em Legends of Tomorrow, mas sua motivação na primeira parte do crossover não tem tanto impacto, mesmo que diretamente ligada a origem da Mulher-Gavião. Quanto ao surgimento da mitologia dos Gaviões, o programa traz altos e baixos. É ótimo poder ver a história sendo contada, uma das mais fascinantes da DC, do ponto de vista emocional, mas o texto é um pouco apressado ao fazer Kendra seguir as instruções de Carter Hall (Falk Hentschel), uma vez que se trata de um completo estranho. Faltou um desenvolvimento melhor.

Por outro lado, quando o assunto é ação entre super-heróis, este episódio de Flash não faz feio. Usando e abusando do slow motion para enfatizar poses típicas dos quadrinhos (um recurso muito bem-vindo, por sinal), a aventura conta com momentos épicos como a luta entre o Arqueiro Verde, Flash e Gavião Negro ou o primeiro embate do grupo contra Savage. É aquela sensação, já entregue pela série, de quadrinhos da Era de Prata, que faz jus ao histórico da DC em ter personagens arquetípicos. Isso, em um momento do audiovisual repleto de adaptações que se levam a sério demais, é um ponto a ser festejado. Assim como o humor presente no texto, principalmente por conta das boas tiradas de Cisco e de uma atitude hilária envolvendo a identidade secreta de Barry. Aliás, nesse sentido, o episódio dá alguns tropeços, pois aparentemente ninguém se importa mais em esconder o nome civil dos heróis, algo que não incomodaria caso a série não estendesse tanto o conflito do protagonista com Patty Spivot. A moça, em uma boa subtrama envolvendo o Dr. Wells (que pode ter dado pistas sobre o surgimento de novos velocistas), fica bem perto de descobrir algumas verdades, mas ainda assim, cabe o registro desse pequeno ponto negativo.

The Flash -- "Legends of Today" -- Image FLA208A_0222b.jpg -- Pictured (L-R): Emily Bett Rickards as Felicity Smoak, Willa Holland as Thea Queen, David Ramsey as John Diggle, Ciara Renee as Kendra Saunders, Carlos Valdes as Cisco Ramon -- Photo: Diyah Pera/The CW -- © 2015 The CW Network, LLC. All rights reserved.

A interação entre os personagens é outra força a ser comentada, pois se trata de uma química gerada por heróis que não aparecem juntos a todo o momento. O clima de amizade e cumplicidade entre Oliver e Barry, mesmo que em um primeiro momento exista um conflito, é provavelmente uma das melhores interações entre heróis desde o primeiro filme dos Vingadores. E as brincadeiras entre o restante da equipe de forma alguma diminui a competência dos envolvidos. Mesmo o surgimento de Malcolm na história simplesmente para explicar quem é Vandal Savage, vem acompanhado de gags inspiradas.

A diversão, portanto, é o foco deste evento em duas partes. Mesmo acrescentando alguns elementos dramáticos nos personagens, este momento está mesmo destinado a trazer ao espectador algo leve, provavelmente preparando terreno para acontecimentos mais pesados na próxima semana, quando ambas as séries apresentarão seus mid-season finales, sempre prontos para deixar os fãs ansiosos para o retorno em janeiro.

Alexandre Luiz

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