Perigo Mortal: O clássico que põe frente a frente Chuck Norris contra um arauto infernal

Do original Hellbound, Perigo Mortal é das últimas fitas da parceria de Norris e da Cannon e coloca o astro contra um Demônio

Perigo Mortal: O clássico que põe frente a frente Chuck Norris contra um arauto infernal

Há alguns dias atrás o astro marcial e ator de obras de ação Chuck Norris fez a passagem para o outro plano. Saudosos e em atenção a isso resgatamos uma obra curiosa, que é Perigo Mortal, filme que mistura ação, horror e drama, em uma batalha de bad cop e good cop que combatem um ser profano, que vive desde a Era das Trevas.

Apresentado por Yoram Globus e Christopher Pearce, o longa-metragem tem direção de Aaron Norris, foi lançada em 1994 dentro do ciclo da Cannon Pictures.

A história passa por três linhas temporais, no presente acompanha Frank Shatter (Norris) e Calvin Jackson (Calvin Levels) dois detetives da polícia de Chicago, que são enviados para investigar o brutal assassinato de um rabino.

Eles acabam sendo convocados a Israel para interrogatório, e lá descobrem que estão perseguindo um ser sobrenatural – o emissário de Satanás, Prosatanos – que tentou tomar o controle do mundo de Deus durante as cruzadas.

As outras linhas mostram Prosatanos no passado, sendo enfrentado pelo Rei Ricardo/Coração de Leão, que o aprisionou em um túmulo subterrâneo supostamente sagrado.

A trama segue com o vilão tentando reunir nove pedaços do cetro que feriu a entidade, os mesmos que foram posteriormente enviados para nove lugares sagrados ao redor do mundo.

Os detetives Shatter e Jackson acabam enfrentando o ser, envolvendo essa questão, munidos dos pedaços do artefato sagrado.

Equipe criativa

O texto é da dupla Brent Friedman e Galen Thompson (que assinava Donald G. Thompson na época) e é baseado no argumento de Friedman, Ian Rabin e Anthony Ridio.

São produtores Dean Raphael Ferrandini  (que assinava Dean Ferrandini) Anthony Ridio. Globus e Pearce são os produtores executivos.

Outra equipe de produção

Michael Wadleigh, diretor de Lobos e cinematógrafo de Alice Não Está Mais Aqui, foi a escolha inicial do produtor Yoram Globus para dirigir este filme.

O realizador pediu à Cannon que suspendesse as filmagens até que ele próprio reescrevesse todo o roteiro, então Globus o substituiu por Aaron Norris em vez de atrasar as filmagens.

O fim da Cannon

Essa é das últimas das colaborações da Cannon Pictures com Aaron e Chuck Norris e foi lançado durante a segunda temporada de Chuck Norris: O Homem da Lei ouWalker, Texas Ranger.

Esse foi o último filme do Cannon Group antes da venda do estúdio para a MGM.

Estreia e Nomenclatura

O longa chegou aos Estados Unidos no dia 21 de janeiro de 1994 e em Portugal em março de 1994. Houve também uma video premiere em abril de 1995.

O título de trabalho era Cold to the Touch, mas foi trocado para Hellbound, nome esse que é utilizado na maior parte dos países de língua inglesa.

Perigo Mortal: O clássico que põe frente a frente Chuck Norris contra um arauto infernal

Na Argentina é Mas allá del infierno, no Canadá é Descente aux enfers, na Croácia é Glasnik iz pakla, na República Tcheca/Tchequia é Zásah z pekla.

Na Itália se chama Hellbound - All'inferno e ritorno, no Japão é Chakku norisu in herubaundo e em Portugal é Polícia Demolidor.

Locações, gravações e estúdios

O filme teve pré-produção em1991, já as gravações ocorreram no final de 1992, entre outubro e dezembro.

Houveram cenas em Chicago, Illinois e em Jerusalém, Tel Aviv, no território de Israel.

As companhias por trás da obra são a Cannon Pictures do The Cannon Group, a Anthony Ridio ProductionsGlobus Pictures e a Film House de Toronto.

A distribuição nos Estados Unidos foi feito pela Cannon, já a Warner Home Vídeo lançou o filme em fita VHS no Brasil.

Quem fez:

Aaron Norris era irmão do homem, fez com ele Braddock 3: O Resgate, A Guerra Cruel, Comando Delta 2: Conexão Colômbia, Hitman: Disfarce Perigoso, Unidos Para Vencer, Uma Dupla Aninal e Chuck Norris: O Homem da Lei.

Comando Delta 2: Conexão Colômbia (1990)
Os irmãos Chuck e Aaron Norris, nos bastidores de Comando Delta 2

Ian Rabin escreveu esse e um episódio de Beach Town Countdown.

Anthony Ridio escreveu apenas esse e produziu também apenas Perigo Mortal. Foi produtor associado em O Terror Final e Freejack: Os Imortais.

Brent Friedman escreveu Altar do Diabo, Syngenor, O Filho das Trevas, American Cyborg: O Exterminador de Aço, Ticks: O Ataque, Necronomicon: O Livro Proibido dos Mortos, A Ilha Mágica e Mortal Kombat: A Aniquilação.

Também fez séries como O Corvo: O Caminho do Paraíso, Jornada nas Estrelas: Enterprise, Star Wars: A Guerra dos Clones e Star Wars: Rebels.

Galen Thompson escreveu Superstição, Hitman, Unidos Para Vencer, é ator e figurante, está em filmes de Steven Spielberg como em Contatos Imediatos do Terceiro Grau e 1941: Uma Guerra Muito Louca.

Dean Raphael Ferrandini foi produtor associado em Unidos Para Vencer, é mais conhecido por ser dublê e por ser diretor de segunda unidade, como em Braddock 3, A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos e Comando Delta 2.

Narrativa

Antes da trama iniciar de fato, aparece um letreiro que visa resumir a guerra pseudo-espiritual que ocorrerá ao longo da exibição.

O conteúdo fala do emissário satânico chamado Prosatanos, em um momento visualmente muito semelhante a forma que a trilogia Star Wars tinha de contar seus preâmbulos, com letras amarelas e um fundo preto, onde o texto corre a partir da parte de baixo da tela até chegar ao topo.

Depois que a introdução acaba, se varia entre cenas antigas, dos tempos das cruzadas e a tela preta com os créditos de produção.

Pretérito

A parcela mais antiga da trama se passa em 1186 depois de Cristo.

Nesse momento um grupo entra em uma tumba, para fazer um culto sacrificial, onde está um sacerdote calvo, mas com madeixas longas nos fios que restam ao redor da cabeça.

Ele entra em contradição com os soldados com cruzes de São Jorge, os soldados de Ricardo/Richard, de David Robb.

Vozes guturais preenchem a sala onde está Prosatanos, como se fosse um movimento de auto defesa. O seu interprete, Christopher Neame, parece bastante ameaçador nesse trecho e em quase todos os outros.

Perigo Mortal: O clássico que põe frente a frente Chuck Norris contra um arauto infernal

Ele parece ter poder, com vontade de fazer o seu mal, além disso, faz um ato de malignidade impossível de ignorar, já que carrega consigo um bebê, em uma bacia, uma criança da linha real, que serviria de sacrifício para um ritual que daria mais poder a ele.

Antes que ele possa ferir mortalmente a criança na bacia, o feiticeiro recebe flechadas dos cruzados, que punem ele por suas bruxarias e satanismos, enquanto a música de George S. Clinton sobe, misturando elementos clássicos com o clima operístico típico das músicas de Jerry Goldsmith em A Profecia.

O "herói" Coração de Leão tenta deter o sujeito, mas só conseguem enfraquecer ele, para encerrar a vida do malfeitor em um caixão.

Ele fica paralisado, como se estivesse em choque, paralisado diante da criança que está próxima dele, como se estivesse parado graças a proximidade dele.

Ao seu redor monges fazem uma prece para manter ele escondido e ainda fere o cetro que detinha seu poder, contrariando um dos sacerdotes.

Sai de lá esperando que o sujeito não volte, claro, em vão.

1951 e o dia presente

A trama dá um passo rumo ao futuro/presente décadas antes do lançamento do longa, nos anos cinquenta do século XX.

Dois ladrões violadores de túmulos e chegam ao local onde o vilão descansava, roubam os artefatos dourados, os itens caros como candelabros, até abrem o sarcófago, morrendo com a mão atravessada no peito.

Depois da morte, o quadro muda e vai para o "presente" da época, mostrando uma zona urbana à noite, onde Shatter e Jackson são policiais escondidos.

Eles são interpretados por Norris e Calvin Levels, lidam com traficantes, cafetões, fazem ações desarmados, com as próprias mãos, dão show off nas ruas, espancando bandidos sem motivos, fazem números de tira bom e tira mal.

Perigo Mortal: O clássico que põe frente a frente Chuck Norris contra um arauto infernal

Nesse interim, Prosatanos reaparece, com uma mulher em seu apartamento, é chamado como Tom, ele é silencioso, mantém uma frieza tremenda e carrega o mesmo penteado pitoresco do momento anterior.

Ele recebe um artefato secreto e é covardemente atacado pelo entregador idoso, que além de derrubar o sujeito, é um rabino disfarçado, interpretado por Ori Levy, reagindo a uma adaga sagrada cravada em seu peito, ele reage, como se não fosse nada, desdenha do homem velho, que o procurava há 30 anos e ainda mata a garota de programa.

Coincidência

Como o acaso é ativo nessa trama, a moça acaba invadindo o espaço do carro de Shatter, que deixa seu parceiro embaixo e sobe para resolver a questão.

O policial que Norris interpreta sobe as escadas do Blue Ritz Hotel depois que o vilão chacina seus rivais, em um golpe digno de fatality, arrancando o coração do sacerdote judeu, para jogar e assustar Frank, sem sucesso claro.

O sargento e seu parceiro sobrevivem, o vilão também e os homens da lei saem revoltados, não só com as mortes, mas também por não serem levados a sério pela delegada, a capitã Hull, de Cherie Franklin.

É ela quem diz quem foi o homem morto na Rua Polanski - outra referência a filmes satânicos, já que Roman Polanski fez o profano filme sobre o Anticristo, chamado O Bebê de Rosemary - ele era Mordecai Schindler, um historiador muito conceituado.

Nas provas do processo, acham um cartão, de Reinhard Krieger, negociante de antiguidades, atrás há indicação do professor Malcolm Lockley, da Universidade Mathers, de Chicago, perto.

Os dois cabeludos vão até o campus, no setor de antiguidades. Acabam encontrando a assistente do docente, Leslie Hawkins, interpretada por Sheree J. Wilson que um ano após a conclusão deste filme, se reuniu com Norris em Walker, Texas Ranger.

Perigo Mortal: O clássico que põe frente a frente Chuck Norris contra um arauto infernal

Ela conta aos policiais do alvo das pesquisas do professor, sobre a figura mitológica de Prosatanos, da ligação com o mal do século e com a parte do cetro que Shatter guarda.

Enquanto isso, o vilão vai atrás dos alvos inimigos, aparecendo em um trem onde alguns padres viajavam.

Escolhas

Shatter avisa ao parceiro que, apesar de ter arranjado ingressos para a partida do Chicago Bulls nos playoffs da NBA - como foi gravado em 1992, ainda era época de Michael Jordan ostentando a camisa 23 - eles terão que viajar para Israel, com o cadáver de Schindler.

O capitão local chamado Harad (ou Arrad) que é interpretado por Asher Tzarfati, os interroga. Seu processo é lento e minucioso, discute sobre as roupas dos agentes, fala da chegada dele ao país, nove semanas antes da morte.

Os dois acabam agindo como policiais, mesmo que o delegado os tenha proibido de agir como tiras.

Os dois procuram e interrogam Krieger (Jack Adalist) discutem sobre gastos com alimentação, lidam com crianças ladras, gastam tempo como se as horas e os dias não fossem importantes.

Esses momentos estão lá só para mostrar que Jackson sabe "lidar" com crianças e eles até fazem tratos com Bezi (Erez Atar). Shatter até engana o amigo, fingindo que não roubou de volta o dinheiro que ele entregou ao parceiro momentos antes.

A missão

Enfim a dupla consegue descobrir algo importante, que é uma escavação, onde está a tal auxiliar e também Lockley, que é interpretado pelo mesmo sujeito que faz Prosatanos.

Ele se apresenta como alguém mal educado, nervoso, impaciente, mas não age como o outro papel de Neame. Não há nenhum esforço para fazer ele parecer alguém diferente do vilão, não se investe em dubiedade, ou algo que o valha, mas é tratado como excêntrico por uns e metido a besta também, mas não parece ameaçador, especialmente por utilizar óculos escuros redondos, que cobrem seus olhos demoníacos característicos.

Não demora até que a ação ocorra com Shatter, justo quando Jackson fala com Hull pelo telefone.

Perigo Mortal: O clássico que põe frente a frente Chuck Norris contra um arauto infernal

Ele combate no escuro, dois sujeitos mascarados, que se vestem tal qual ninjas, atacam o personagem heroico.

Curioso que Norris espanca seus adversários, já o seu parceiro é roubado, perde a coroa dos céus, graças a um soco surpresa de Krieger.

Encontro com o "mentor"

Graças a Bezi, eles vão atrás de Farouk (Shabtai Konorti) um homem que nunca sai de seu templo, instrui os dois policiais, que enfim, percebem que seu alvo não é humano e sim um servo do diabo.

A arquitetura do lugar é simples, paredes velhas, muitas velas e a ordem para que ambos saíssem dali  visto que Prosatanos não devia estar longe, e de fato estava perto mesmo.

Os dois saem, enquanto o sacerdote é atacado. Jackson tem um pequeno surto, quando Frank sugere que eles invadam a delegacia, especialmente por conta do seu parceiro não dar um bom motivo para entrar de maneira secreta.

O alvo são arquivos da Interpol, Cal acha que tem capacidade para ler os papéis, mesmos os que estão em hebraico, embora só fala inglês. Esse é o tipo de humor que prevalece, o de constrangimento não intencional.

Desfecho

Próximo do fim, Frank liga para a assistente do doutor, que o ajuda, mas não sem receber a visita de seu chefe, que passa a tratar ela de maneira sexista e autoritária.

Como Farouk morreu, caíram os nove protetores da figura demoníaca, então o Apocalipse se aproximaria, dessa forma o ser malvado não precisa mais se esconder e convenientemente se revela sarcástico e debochado, tanto que chama Leslie de princesa.

Logo eles descobrem que ela é filha de um Duque, ou seja, tem sangue real, como o menino príncipe que quase foi sacrificado no início do filme, ou seja, ele mantinha ela por perto por conta de um profundo e malicioso interesse nela.

Perigo Mortal: O clássico que põe frente a frente Chuck Norris contra um arauto infernal

Ausência de mitologia

Não fica muito claro se ele poderia ter feito o que faz sem os artefatos e com os nove homens vivos. O roteiro não dá importância alguma a esses aspectos, exceto quando quer.

Jatter se mune do poder de um escolhido de Deus, que teria suas forças potencializadas pela vontade Divina contra o servo de Satã.

Nesse ponto, há algumas tentativas de luta, golpes bem coreografados, mas nada demais, no final a forma de acabar com o vilão era apenas um ataque com o cetro sagrado, que destrói o inimigo ao simplesmente tocá-lo.

Os restos do cetro são guardados por um homem barbado, parecido com Jesus, Leslie e Shatter marcam de se encontrar em Chicago, mas não se beijam e Bezi mais uma vez rouba Jackson, depois que o Bulls vence.

O filme termina demonstrando que o seu humor involuntário tem pouca graça e a falta de qualidade das remasterizações não faz valorizar os aspectos visuais que geraram tantos custos para a Cannon.

Perigo Mortal acaba soando genérico e sem personalidade. é uma fita de ação bastante trash, lembrada pelo contexto de colocar frente a frente figuras como o astro marcial agora finado e o oponente maior do cristianismo. Acaba sendo lembrado por seu caráter pitoresco, pelas piadas fracas e pela total falta de dramaticidade de seu elenco.

Deixe uma resposta