Cenas Memoráveis: O Mágico de Oz

Post publicado originalmente no blog RE-ENTER.

São vários fatores que tornam um filme relevante em seu tempo e o fazem entrar para a história do cinema. O Mágico de Oz é um desses longas, não apenas por sua bela história, mas por sua importância técnica.

Era 1939 e a sétima arte ainda passava por um período de descoberta. Não fazia muito tempo (historicamente falando), as películas ainda eram mudas. E, embora já existissem filmes coloridos na época, eram caros demais pra ser produzidos em massa. Apenas alguns produtores podiam se dar ao luxo de bancar o alto custo e só o faziam quando o lucro fosse garantido.
Como acontece com toda tecnologia, algum produto deveria surgir dessa novidade que pudesse ser responsável por popularizá-la. E esse fardo, ou feito, coube, em parte, a O Mágico de Oz.

Para realizar a clássica história, a MGM optou por rodá-la da forma mais cara: usando câmeras Technicolor de três negativos (em RGB, uma pra cada cor), para que o colorido visto na sala de projeção fosse o mais vívido possível. A película foi feita inteiramente a cores e, às cenas no Kansas, foi adicionado o tom de sépia. Por conta disso, O Mágico de Oz tem uma das cenas mais emblemáticas do cinema. Quando Dorothy, interpretada por Judy Garland, chega à Oz, abre a porta de sua velha casa rural e se depara com uma explosão de cores que, nem ela, nem o espectador, jamais havia visto.

Infelizmente, O Mágico de Oz foi um fracasso de bilheteria, quase levando o estúdio à falência, pois essa era a produção mais cara já vista em um filme. Como o longa ganhou três Oscar no ano seguinte, a MGM, para recuperar o dinheiro investido, começou a incentivar projeções do filme nos cinemas por vários anos. No fim, até que funcionou. Porém, foi a partir da década de 50 que Oz ganhou sua legião de fãs. Com o advento da TV, a exibição do filme se transformou numa tradição anual (em época de festas de fim de ano), levando milhões de crianças pra frente da telinha e transformando a produção na mais assistida de todos os tempos, de acordo com a Library of Congress norte-americana.

Claro que na época, os espectadores não puderam desfrutar de seu magnífico colorido. Foi apenas com o surgimento da TV a cores que o impacto visual pretendido pelos realizadores pôde ser desfrutado pela quantidade de gente idealizada quando do lançamento original. Porém, mesmo o fracasso de bilheteria não pôde deixar de transformar O Mágico de Oz num dos marcos que deram início ao cinema como conhecemos hoje.

 
Alexandre Luiz

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