Crítica: O Conselheiro do Crime

21049496_20131014192828153.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxDevagar, quase parando, assim como o talento de Ridley Scott.

Logo no início da carreira, com apenas três longas-metragens – Os Duelistas (1977), Alien - O Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner, o Caçador de Andróides (1982) –, o inglês Ridley Scott tornou-se um dos cineastas mais promissores de sua geração, por apresentar filmes categoricamente distintos, e extremamente eficientes, que mais tarde seriam considerados clássicos absolutos, em seus respectivos gêneros. Entretanto, após esses títulos, Scott realizou trabalhos duvidosos, bem abaixo dos citados, acertando somente, anos depois, com o ótimo Thelma & Louise (1991). Onde entrou, novamente, em um negativo hiato, aparecendo, posteriormente, com o premiado Gladiador (2000), ratificando, assim, sua instabilidade profissional.

Mesmo com bons lampejos, vide Os Vigaristas (2003) e O Gângster (2007), Ridley nunca mais se firmou e (ou) voltou a ser o que era. Sempre com projetos megalomaníacos e masturbatórios, do ponto de vista orçamentário de produção, não conseguimos enxergar alma em suas obras. E alma é, justamente, o que falta nessa nova empreitada chamada O Conselheiro do Crime – que traz consigo um elenco, de fato, arrebatador, formado por nomes como Michael Fassbender, Brad Pitt, Penélope Cruz, Cameron Diaz, Javier Bardem e Bruno Ganz. Além de ser o primeiro roteiro do escritor Cormac McCarthy, mais conhecido pelos livros Onde os Fracos não Têm Vez e A Estrada. Porém, não bastam só bons ingredientes e uma receita detalhada para fazer um bolo apetitoso, é necessário que o preparo seja preciso, senão a coisa desanda.

Com uma história simplória, mas atraente, a fita começa quando um homem, recentemente apaixonado pela bela Laura (Cruz), que leva o pseudônimo literal de o advogado (Fassbender), se envolve com o intrépido traficante Reiner (Bardem), no intuito de vender uma carga de US$20 milhões, em cocaína. O esquema sai do controle quando um cartel local, auxiliado pela sensual e misteriosa Malkina (Diaz), mulher do próprio Reiner, entra no jogo a fim de defraudar o carregamento, e extinguir, de vez, a vida e os planos dos envolvidos. O que acaba gerando inúmeras mortes e traições de ambos os lados.

Uma trama que, superficialmente, mostra-se deveras promissora, não fosse sua construção narrativa apresentar-se aborrecida, desde o início de seu primeiro ato. Onde o diretor resolve apostar num ritmo mais lento e sensorial, em meio a acontecimentos que, de certo, necessitavam de uma pegada mais corrida e eletrizante. E, mesmo com um viés mais sério para com seus personagens, estes são muito mal aprofundados, não criando, dessa forma, o processo de identificação com a plateia, surgindo como figuras desinteressantes. Assim como o próprio conto, que demora a se desenvolver e apresentar seus fatos decisivos, definindo vagarosamente os arcos de cada um. O que causa certa aflição no espectador, que na metade do segundo ato, já tem perdido o interesse pelo troço e sua conclusão.

A montagem de Pietro Scalia (Prometheus), antigo parceiro de Scott, parece acompanhar a placidez fílmica, e brota aqui de forma automatizada. O mesmo acontece com a trilha sonora de Daniel Pemberton (O Despertar), que, em nenhum momento, diz à que veio. No entanto, a fotografia de Dariusz Wolski (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra), busca criar uma rima visual, em relação ao clima abordado. Utilizando lentes mais claras, nos primeiros minutos, em tomadas mais íntimas do casal, e depois paletas mais fortes e intensas, quando o cerco dos protagonistas começa a se fechar. O que, em todo caso, não salva o filme do desastre que é. Um bom trabalho estético de nada adianta em meio a tantos outros problemas artísticos mais pontuais.

No que se refere às atuações, quesito que vem sendo mais ventilado, não destacaria, positivamente, ninguém, já que nenhum personagem se diferencia dentre os demais. Todos soam irreais e artificiais. Principalmente o tal Reiner, vivido por Javier Bardem (007: Operação Skyfall), que faz aqui um dos piores papéis de sua carreira. Extremamente caricato. Ou Brad Pitt (Guerra Mundial Z) que, mesmo já tendo provado ser um grande ator, vem se repetindo a cada personagem, com ar de superioridade e um sotaque arrastado insuportável. Fica aqui um alerta, para que não caia na mesma armadilha que Johnny Depp foi fisgado.

Por fim, diria que O Conselheiro do Crime já pode ser considerado um dos longas mais fracos de Ridley Scott, que coleciona, em seu currículo, uma lista extensa de mancadas. Sendo visto, dessa forma, como sinônimo negativo, dentre o circuito mundial. O que é uma pena, já que sabemos do potencial que este possui. Quem sabe se aventurando em obras mais pessoais, Scott não possa retomar seu prestígio novamente. Fica aqui a nossa humilde torcida.

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2 comments

  1. Valerinha E Paulinho Alves 26 outubro, 2013 at 19:25 Responder

    Pelo amor de Deus, não percam seu valioso tempo. Há anos que não assisto um filme tão ridículo, sem graça e com um elenco caríssimo, que só serve nesse filme para chamar o público. Aliás, não sei como conseguiram se sujeitar a papéis tão medonhos. Simplesmente as pessoas começaram a sair do cinema antes da metade do filme. Muito ruim, muito fraco, rasguei dinheiro para assistir ISSO. Perdi tempo no meu sábado.

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