Review: The Flash S01E08 - Flash Vs Arrow

FLASH VS. ARROWUm dos elementos mais divertidos das histórias em quadrinhos de super-heróis é a possibilidade de um universo compartilhado. Personagens aparecendo em títulos alheios para ajudar o colega combatente do crime contra ameaças das quais não conseguiria escapar sozinho. A Marvel entendeu isso quando começou a adaptar seus personagens para o cinema. A DC demorou para captar a mensagem. Se na tela grande só conseguiremos ver o que a Distinta Concorrente consegue fazer com seus personagens mais famosos em 2016, na telinha, pelo menos, The Flash e Arrow já dão esse gostinho. Após diversas pequenas interações entre ambas as séries, chega o momento tão esperado de um crossover mais abrangente. E que presente os fãs ganharam.

Partindo da ideia básica de promover encontros de heróis através de um embate, Flash Vs. Arrow não desaponta, dando até motivos convincentes para que haja uma disputa entre os dois personagens. Na trama, o vilão Roy Bivolo (Paul Anthony) vem cometendo crimes usando poderes que liberam a raiva de cidadãos comuns, fazendo-os de distração para seus atos. Quando o Arqueiro chega em Central City atrás de pistas de um outro criminoso, acaba ajudando Barry na perseguição ao meta-humano. No começo tudo parece em ordem, até Oliver tentar mostrar ao velocista escarlate que ele precisa parar de depender apenas de suas super-habilidades e começar a treinar algumas técnicas de combate. Barry não aceita muito a ideia, principalmente depois de se tornar vítima dos poderes de Bivolo, que o faz perder o controle de suas emoções e se tornar uma ameaça que apenas o justiceiro de Starling City é capaz de parar.

Por conta do tempo disposto a mostrar as diferenças entre o Flash e o Arqueiro, e como um é um herói destinado a inspirar o bem e o outro precisa agir nas sombras, quase como lenda urbana para instigar o medo em seus inimigos, o episódio deixa de lado qualquer desenvolvimento de seu vilão. Mas dessa vez isso não incomoda, já que Barry acaba se tornando seu próprio inimigo ao ser influenciado pelo controle de Bivolo. Assim, o roteiro de  Ben Sokolowski e Brooke Eikmeier foca justamente nessa relação entre os protagonistas dos dois seriados, e como ambos funcionam como influência um para o outro.

Praticamente tudo funciona muito bem no crossover, que não surge apenas como mero fanservice e avança diversas subtramas de The Flash, incluindo a relação de Iris com o herói e como o Det. Eddie Thawne reage quando descobre que sua namorada tem se comunicado com o velocista. O policial, claro, não aceita bem, e graças a alguns desdobramentos, acaba declarando guerra ao Flash. A situação é um tanto semelhante à de outro Eddie, Brock, dos quadrinhos do Homem-Aranha, que após ser humilhado pelo escalador de paredes, decide se vingar e acaba se tornando o Venom. Qualquer semelhança entre esses personagens da Marvel e a futura relação de Barry com o Flash Reverso talvez não seja mera coincidência. Isso só o tempo dirá, mas é ótimo que algo tão significativo para a série tenha um desenvolvimento tão grande em um episódio que poderia ser apenas um especial descompromissado. É uma boa forma de estabelecer que nada no programa é por acaso e toda semana o espectador terá, sim, revelações e pistas importantes para a trama central da temporada.

O que também agrada no roteiro é o uso do humor. Seja por parte das frases de efeito de Cisco ou da hilária reação de John Diggle ao ver o Flash em ação, o texto usa diálogos rápidos e muito naturais para manter o tom leve da série, mesmo com a participação de um herói sombrio. Os dois "mundos" colidem de forma fluida e se completam em cena. Mas a trama também aproveita para estabelecer as diferenças entre ambos e usa as figuras de Joe West e Harrison Wells para alertar Barry quanto aos perigos de ser influenciado por alguém que não tem muito respeito pelas leis e já cometeu vários assassinatos em seus primeiros anos de atuação. Nisso, a série também funciona, já que estabelece desde cedo que as duas figuras paternas de Barry concordam quanto ao Arqueiro, mesmo que cada um tenha motivos distintos. Enquanto Joe parece se preocupar mais com o caráter de Allen, as dúvidas de Wells são um pouco mais obscuras e talvez envolvam um certo medo do Flash ter ainda mais ideias que não compactuem com seus planos para o futuro.

Claro que em uma trama que envolve dois heróis lutando entre si, a ação não poderia ficar de fora. Dirigido pelo sempre competente Glen Winter, o episódio não poupa esforços para mostrar o Arqueiro e o Flash atuando lado a lado ou um contra o outro. Talvez o único problema se encontre no embate decisivo entre os dois, cuja ação poderia ser um pouco mais espontânea, dependendo demais de efeitos visuais e cenas em slow motion para ilustrar o combate. Embora o ritmo seja prejudicado, no entanto, a qualidade técnica continua de alto nível. Outro fator que soa estranho é manter o crossover auto-contido, e não como um episódio em duas partes como se tem promovido. A segunda metade do encontro se dará no seriado do Arqueiro, mas não há um gancho para continuação, apenas a investigação que levou Oliver para Central City. Uma desculpa para essa abordagem seria a de não confundir o espectador de cada série com troca de informações entre uma e outra, mas como a última cena com Queen envolve uma subtrama iniciada na segunda temporada de Arrow, essa justificativa já não soa assim tão boa.

FLASH VS. ARROW

De modo geral Flash Vs. Arrow é um presente para os fãs dos dois programas, para os leitores de HQs e para quem sempre quis ver heróis sendo adaptados com respeito na TV. Divertido e relevante, o episódio serve para estabelecer o Universo DC na televisão com um nível jamais permitido antes, por óbvias limitações técnicas. Fica a sensação de que, com a devida atenção, quase nada é impossível de ser feito para emular os elementos mais coloridos dos quadrinhos, sem deixar de lado o bom e velho desenvolvimento de personagens, comum à produções audiovisuais de qualidade.

Alexandre Luiz

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1 comment

  1. Mariana Lima 6 dezembro, 2014 at 11:34 Responder

    Eu adorei o episódio! Eu esperava que os episódios fossem mais interligados, como você disse, as promos sugeriam isso, mas pensando em quem começou a ver The Flash e não acompanha Arrow (que não é o meu caso), foi melhor assim. Pois é muito irritante quando um canal te obriga a assistir algo que você não acompanha para ter uma conclusão da história. Achei que eles conseguiram trabalhar muito bem isso.

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