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[Review] Arrow S02E08 – The Scientist

Alexandre Luiz 5 de dezembro de 2013 2 Comentários
[Review] Arrow S02E08 – The Scientist
Pequenos spoilers a seguir.

The ScientistFinalmente chega aquele episódio de Arrow que os fãs de quadrinhos tanto aguardavam nesta segunda temporada. Desde que fora anunciada na Comic-Con deste ano, a participação de Barry Allen na série gerou discussão e preocupação de quem acompanha o programa. Afinal, para interpretar o futuro Flash, os produtores se voltaram para uma escolha incomum. Grant Gustin, cujo papel mais conhecido até então era de um personagem não muito bem quisto em Glee, sofreu com comentários a respeito de sua pouca idade e seu físico magro, que em nada lembra os músculos definidos de Stephen Amell, o Arqueiro em pessoa. Mas, The Scientist comprova que o importante é saber usar o que se tem e incorporar as qualidades e características do intérprete na história. Assim, a primeira parte do “final de meia temporada” é tão satisfatória quanto qualquer um dos ótimos episódios que a série entregou até agora, fazendo essa visão incomum do Flash soar nova e, ao mesmo tempo, fiel à essência do personagem nos quadrinhos.

 A trama começa com um roubo em uma das divisões das Empresas Queen. O que chama atenção no caso é a presença de um ser extremamente forte capaz de derrubar portões reforçados e carregar pesados equipamentos como se fossem de isopor. É a primeira vez que Arrow lida, definitivamente, com poderes especiais, abrindo o precedente para futuros elementos fantásticos no seriado, tornando a presença de Barry Allen ainda mais relevante, mesmo que ele ainda não seja o super-herói velocista. Aqui, ele ainda é um assistente forense, desajeitado, tímido e que está sempre atrasado para seus compromissos. Gustin dá ao personagem uma sinceridade e simpatia que a interpretação anterior de Allen, no seriado dos anos 90, não tinha. Mesmo se tratando de visões diferentes, a adaptação soa muito mais interessante, até porque o espectador já se identifica com o intérprete desde o começo, com sua introdução engraçada, mas ao mesmo tempo honesta. Achou o ator jovem demais? O roteiro brinca com isso, quando Oliver pergunta “Seus pais sabem que você está aqui?“. A ideia, aparentemente, era usar o fato de que poucos levam a sério, pessoas muito jovens, esquecendo que competência e inteligência dificilmente são medidas pela idade.

Como se trata da primeira parte de uma história dividida em dois episódios, o roteiro escrito por Geoff Johns e Andrew Kreisberg trata de apresentar muito bem os elementos principais da trama, assim como o background de Allen, inspirado de forma extremamente fiel na origem contada pela versão pós-reboot da DC. A mãe do personagem assassinada, o pai considerado o autor do crime e até mesmo a referência ao Flash Reverso ter sido o real assassino. Isso inclusive, leva a crer que viagem no tempo será um tema recorrente na série do herói vermelho, caso aprovada pelo CW para a próxima fall season. Assim, o foco desta vez não fica tanto na ação (mas há boas sequências, para quem se importa com isso) e se volta para os protagonistas e para as ligações da trama central com a subtrama dos flashbacks. Como já era esperado, a droga Miraclo que o Professor Ivo buscou na ilha, é o mesmo componente usado pelo Irmão Sangue para criar seu “supersoldado” Cyrus Gold (sim, Solomon Grundy). Oliver comenta que Ivo está morto, mas como, da mesma forma que em HQs, as pessoas custam a ir dessa para a melhor neste seriado, começa a ficar a dúvida se o vilão do passado está por trás dos atos do antagonista do presente. Há também um interessante desdobramento das revelações sobre Malcolm Merlyn mostradas ao final do episódio anterior e Moira consegue virar o jogo à seu favor, o que é ótimo e mostra como Arrow realmente se importa em avançar suas tramas secundárias com a mesma velocidade que destina à principal.

Outra subplot que serve como preparação para a segunda parte é a que envolve Roy investigando o desaparecimento de um amigo de Sin. O desenvolvimento acaba levando a uma situação desconfortável para a relação do garoto com o Arqueiro, e inesperada também. Oliver toma uma atitude que não deve gerar bons frutos no futuro. Aliás, é algo já visto em quadrinhos, o herói alienar seu protegido ao ponto deste se tornar independente. A relação entre Queen e Harper nas HQs sempre foi conturbada e parece que os roteiristas querem jogar um pouco mais de conflito na versão televisiva. Outro momento típico de quadrinhos é o embate sadio entre dois combatentes do crime. Seja por ciúme (o caso aqui) ou por discordar dos métodos do outro, sempre existirá a rivalidade, e a série mostra isso entre o Arqueiro e o futuro Flash, que fica encantado com Felicity Smoak. A química entre ambos é destacada logo na primeira cena em que estão juntos.  Emily Bett Rickards e Grant Gustin estão adoráveis em cena e funcionam em níveis muito maiores do que a dupla de cientistas de Agents of SHIELD, Fitz e Simmons.

Criando também uma interessante admiração de Allen pelo Arqueiro, a série já dá dicas sobre o futuro do policial forense e estabelece a motivação que o personagem terá para se tornar um super-herói. É bom ressaltar também a importância da trilha sonora incidental neste episódio. O tema criado para Barry é infinitamente superior à música do próprio Arqueiro e ajuda muito no processo de identificação do espectador, principalmente na cena que o introduz. Outro acerto vai para a direção de arte, que inclui diversos elementos vermelhos e amarelos, alusão clara às cores do uniforme do velocista. E quem conhece as HQs do Flash vai adorar as brincadeiras visuais que remetem à origem do personagem, com uma estante cheia de produtos químicos e os relâmpagos e trovões que permeiam o episódio, do início ao fim.

The Scientist

A presença de Grant Gustin, portanto, consegue ser justificada por escolhas acertadas do roteiro, e convence quem não estava muito confiante com essa nova roupagem. Como o Flash não precisa ser cheio de músculos, já que se sustenta com seus superpoderes para combater o crime, a escolha do franzino ator (que em alguns momentos lembra o Peter Parker de Andrew Garfield) parece ser mais do que bem-vinda. Desta forma, o espectador cria empatia com a aparente fragilidade do personagem, tornando-o fora dos padrões “queixo quadrado”, dos quais Stephen Amell se encaixa, inclusive. Agora é esperar pela conclusão desta história, que promete ser mais movimentada e repleta de surpresas. Com um gancho eficiente e que deixa o espectador com um sorriso no rosto e ávido por mais, Arrow continua provando que pode ser um deleite para os fãs de quadrinhos que sempre quiseram interpretações fiéis e criativas de seus heróis preferidos.

   
 

Comentários do Facebook

2 Comentários

  1. Allan Gomes 6 de dezembro de 2013 às 4:21

    Muito boas as análises de vocês! Realmente enriquecedoras para quem acompanha a série e, principalmente, para quem acompanha os personagens nos quadrinhos. Parabéns!

  2. carla machado 9 de dezembro de 2013 às 22:33

    Eu simplesmente amei o episódio, amei o Flash, o ator , a parceria com minha amada querida Felicity.
    Acho e torço que dê super certo o personagem e o spin off pois a CW sabe fazer isso bem,
    Notei que talvez mostrem poderes sobrenaturais …Coisa que até então realmente não tinha no roteiro.
    Será que vai ser por este caminho de poderes sobrenaturais agora? Eu acho que não.
    A única coisa que não gostei na review foi o fato de ter comparado o casal Felicity- Barry Allen com Fitz e Simmons. Não! e não!!
    Qualquer personagem de Arrow está anos luz à frente de Agents de shit

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