Review: The Flash S02E18 - Versus Zoom

Desde o início de The Flash, o seriado tem trabalhado, com muito sucesso, o tema da família. Seja aquela formada por Barry, Joe e Iris, ou entre o protagonista e seu pai biológico ou ainda, a desenvolvida entre o Time Flash no STAR Labs. É com muita competência, então, que Versus Zoom traz a temática para o centro das atenções, aproveitando para discutir a velha questão da natureza versus criação como influência na índole de algumas pessoas. O paralelo entre o passado do vilão e o do herói vem em ótimo momento, e a série parece entrar definitivamente nos eixos ao convergir boa parte de suas subtramas (incluindo algumas com pouco propósito até aqui).

A origem trágica de Hunter Zolomon vem ilustrada de forma pesada e com uma paleta de cores que lembra muito os filmes de Zack Snyder (a chegada do jovem Hunter ao orfanato evoca o início de Sucker Punch, por exemplo), servindo até de comentário quanto a nem tudo ser colorido e divertido no universo DC da TV, mas com um propósito melhor definido: o de estabelecer, também, o choque vivido pelo personagem ao presenciar o assassinato da própria mãe pelas mãos de seu pai. O contraponto é auxiliado pela narração de Barry, no melhor estilo das HQs, principalmente as dos anos 70 e 80, que faziam uso de mais texto que as atuais.

As origens semelhantes de herói e vilão se divergem quando um é recebido por uma família amorosa e o outro é jogado no sistema, para se tornar apenas mais um entre inúmeros jovens que jamais conhecem o carinho ou o abraço acolhedor da adoção. É aí que tudo começa a se unir: o passado dramático e o presente, que parece estar indo muito bem para o protagonista, apesar de sua constantemente falha tentativa de chegar à Terra-2 (aqui o texto encontra um problema de continuidade com o crossover com Supergirl, mas nada que atrapalhe o desenvolvimento da trama principal). O roteiro destaca bastante como Barry tem pessoas ao seu redor que se preocupam com ele, que estão dispostas até a criar certo conflito, se for para protegê-lo, como faz Wells em determinado ponto. Essa é a diferença básica com Zoom, que nem mesmo hoje tem ao seu lado algum tipo de apoio. Como a série mostrou, até seus lacaios o traem em certa altura, pois não há qualquer espaço para lealdade para com um psicopata como ele. Sempre que é mostrado na Terra-2 está sozinho, esperando uma brecha se formar para o outro lado, demonstrando sua inaptidão em agir. Zoom, dessa forma, é um vilão patético em seus próprios termos, ameaçador pelo incrível poder que possui e pela total falta de preocupação com a vida alheia, mas totalmente impotente para resolver seus problemas, necessitando da ajuda de inimigos para atingir seus objetivos.

O episódio traz ainda uma dose interessante de drama, ao dar maior espaço para Wally na família West. E vem a calhar, pois é outra subtrama em sintonia com a temática familiar. Mais do que trabalhar a relação entre Joe e seu recém-descoberto filho, há também um estreitamento entre o detetive e Barry, sempre auxiliado pela boa química entre ambos intérpretes. Versus Zoom também aproveita para justificar o mal introduzido romance entre Iris e seu editor como uma tentativa de fuga da moça. Fuga do que parece ser seu destino e negação quanto aos seus sentimentos pelo protagonista. Surge, assim, um chance de redenção da série quanto a esse elemento de romance, que pareceu totalmente perdido na temporada, mesmo com Iris se tornando uma personagem muito mais interessante do que fora no primeiro ano do programa.

Em meio a discussão quanto a vilão e herói serem produtos de seus meios, Cisco encontra seu próprio dilema com a evolução de seus poderes. O medo do personagem de sucumbir para "o lado negro" meramente por descobrir novas habilidades é muito bem explorado, principalmente por revelar que Barry também enfrenta esse dilema. Aliás, mais um ponto para o desenvolvimento do Flash como um autêntico herói: ter de pesar a responsabilidade de seus poderes cada vez que os usa não é para qualquer um.

Se Verus Zoom falha em algo, porém, é em seu clímax. Apesar de criar um momento épico entre herói e vilão, com Flash finalmente justificando seu apelido de "Homem mais rápido vivo", a ideia do personagem ter de desistir de seus poderes em troca de um refém não é bem explorada, seja pelo roteiro, que não cria, principalmente na hora da troca, um senso de ameaça que justifique aquilo tudo (quando o vilão liberta Wally, os personagens simplesmente param para conversar, sem nenhum tipo de plano para derrotar Zoom), quanto pela direção que também falha em gerar algum suspense. O desfecho soou apenas como desculpa dos realizadores para atrasar um pouco mais o embate final e não satisfaz o espectador. De qualquer modo, o gancho deixado pelo episódio traz, sim, a curiosidade sobre como o Time Flash irá sair do problema que enfrentam. Apenas a execução de tudo antes do derradeiro ato de Zoom fica devendo.

Com um retorno sólido, novamente focado no que a série tem de mais importante, seus personagens, The Flash traz a garantia de que caminha para um final de temporada com peso igual ou até mesmo maior que aquele do ano anterior. Mesmo tropeçando um pouco em seu clímax, o episódio traz alguns de melhores momentos da adaptação até aqui, graças a um elenco muito entrosado e a elementos narrativos dignos de nota, principalmente à constante trilha sonora, em um trabalho muito interessante do compositor Blake Neely, tornando-se um dos exemplares mais bem sucedidos do seriado, seja pela forma direta e sem "arestas" com que lida com o tema aludido ou a importante posição que se coloca dentro da trama central.

Alexandre Luiz

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4 comments

  1. nelson 21 Abril, 2016 at 21:02 Responder

    Alguem me explica: Quando o Zoom soltou o Wally, o q além do trato impediria o flash de derrotá-lo? Seria muito mais coerente se ele só o liberta-se após ter o q queria

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