Review: The Flash S03E22 - Infantino Street

Nos primeiros minutos deste penúltimo episódio da temporada, The Flash já avisa o espectador: os eventos se passam 24 horas antes da morte de Iris West. Surpreendentemente, no entanto, a narrativa, o tom e o ritmo carecem do mínimo de senso de urgência, tornando a mensagem/contagem regressiva,um mero lembrete de como o programa está perto do fim, embora pouco faça para que a audiência se importe com isso.

Infantino Street (cujo título remete ao criador do Velocista Escarlate nos quadrinhos) é mais um quase-filler, um episódio com uma trama aleatória que parece desenvolvida apenas para adiar a season finale para mais uma semana, uma vez que o seriado precisa cumprir a quantidade de episódios esperada de uma temporada completa. Mas esse não é o grande problema aqui, quem dera fosse. O maior defeito da aventura da semana é um roteiro que se baseia no total abandono da criatividade e da coerência.

Mais uma vez o espectador se depara com o protagonista tomando a atitude mais absurda e, dada a sucessão de vezes em que isso ocorre neste terceiro ano, as viagens no tempo devem ter afetado a inteligência do Barry de alguma forma. Quando descobre que a ARGUS possui a fonte de energia necessária para carregar a "Bazuca da Força de Aceleração", o herói recorre a Lyla, que não concorda em emprestar o tal objeto. A personagem, no entanto, revela sua origem: se trata de um artefato Dominion (os alienígenas do megacrossover deste ano) encontrado na nave que caiu em Central City. Barry, então, decide voltar no tempo, logo após a queda da nave para pegar o artefato, certo? Não. Ele decide voltar no tempo e trazer Snart para ajudá-lo a assaltar a sede da ARGUS. Mas, esta não é maior falha na coerência da trama. Há algo ainda mais ofensivo para o espectador.

Se, na semana anterior, havia uma preocupação em buscar uma forma de Barry não se lembrar de planos a respeito de sua tentativa para salvar Iris, o seriado ignora quase que por completo essa "regra" estabelecida em Infantino Street. Barry não demonstra a menor receio em saber o que precisa, para o que precisa e como vai fazer para conseguir. Neste ponto da trama, o herói deveria ficar alheio a tudo. Seria a oportunidade perfeita para fazer Wally e Cisco trabalharem juntos. Dividir a equipe que, inspirada pelas motivações do Flash, poderia se mostrar forte o suficiente para preparar o terreno para a grande batalha. Em vez disso, o que a série entrega são momentos bobos entre o protagonista e Snart, personagem subaproveitado que se resume a dar lições que, assim como ocorre em Cause and Effect, já haviam sido ensinadas ao Velocista. E ainda culminam em um momento anticlimático envolvendo o Tubarão Rei, um conflito na base de uma promessa que nunca se cumpre.

Nem tudo é descartável, apesar dos pesares. Há bons momentos entre personagens, o mínimo que se espera de um episódio que já começa anunciando uma morte importante. A cena entre Joe e Iris na Terra-2 é muito bem conduzida, principalmente por conta das atuações de Candice Patton e Jesse L. Martin. Os diálogos compartilhados entre H.R. e Tracy Brand também levam a um belo momento, assim como a interação, lá pelos minutos finais entre o personagem de Tom Cavanagh e Cisco.

Mas, nem isso sustenta Infantino Street ou justifica sua existência. Flash chegou a um ponto em que a impressão é a de total descaso dos realizadores. Tanto que, poucas vezes o seriado entregou tantos problemas técnicos em apenas uma hora. Há um plano de estabelecimento na Terra-2 repetido duas vezes em um espaço de 5 minutos (ou menos). Há um grotesco erro de continuidade na cena envolvendo a mão decepada do Tubarão Rei, que desaparece do chão entre uma cena e outra. Enfim, a preocupação com coerência parece extravasar o processo criativo, chegando até mesmo na pós-produção.

Mais uma vez, The Flash entrega um exemplar que torna difícil ter qualquer esperança em relação ao final de temporada trazer o mínimo de qualidade que os fãs não apenas exigem, mas merecem. Chega a ser ofensivo à audiência que a série ignore suas próprias regras, estabelecidas anteriormente como elementos necessários para a criação da expectativa. À adaptação, resta apenas a qualidade de seu elenco, que se esforça como pode para tentar dar alguma credibilidade à trama. E a boa vontade da audiência, que dá algum crédito pelos acertos anteriores da série.

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Alexandre Luiz

3 comments

  1. Jardel Rodrigues 17 maio, 2017 at 17:03 Responder

    Ótima critica novamente Alexandre. Também acho que o episódio só não chega a ser completamente dispensável, por conta do esforço do elenco em passar o significado tanto da perda da Iris,quanto do drama Cisco e da Caitlin, que apesar de ficar totalmente em segundo plano e com pouco desenvolvimento, é uma trama que poderia funcionar até mais que a principal dessa temporada. De qualquer forma, não acho que a Iris esteja morta de forma permanente., aliás, só eu notei a falta completa do Julian nesse episódio? Ele simplesmente some assim no dia mais importante de todo o time flash, e ninguém nem menciona ele? Ou Isso é um furo muito grande dos roteiristas ou é algum plano pra salvar a Iris, que ficou pra ser explicado no finale e acredito que de alguma forma , eles vão explicar que quem morreu na verdade foi o H.R ou o próprio Julian utilizando aquele aparelho de trocar o rosto, já que foi adicionado mais um membro na equipe. De qualquer forma, acredito que vai ser muito difícil, eles oferecerem um finale realmente convincente, já que a temporada não foi.

    Já pensando em próxima temporada, acredito que eles tenham que mudar um pouco a fórmula, nessa temporada ficou claro que o Barry está em loop, ele não aparenta ser um herói que realmente aprende com o passar do tempo. Apesar de que a grande maioria das histórias do flash nos quadrinhos seja realmente sobre viagem no tempo, acredito que na próxima temporada eles não deviam mais utilizar isso, até pra mostrar que o Barry aprendeu que não é só porque ele pode fazer, que ele o vai fazer. Também acho que poderiam utilizar um vilão com motivações bem melhor desenvolvidas. O conceito do barry ser seu próprio vilão é excelente, mas foi muito mal desenvolvido por que eles quiseram manter o "Mistério" de quem é o Savitar até o final do episódio 20 e toda a motivação do vilão é resumida a 3 minutos de diálogo em que ele diz que ficou com raiva porque foi rejeitado.

    • Alexandre Luiz 18 maio, 2017 at 09:39 Responder

      Valeu, Jardel! Olha, a próxima temporada precisa trazer uma renovação massiva em Flash, porque essa terceira conseguiu ser pior que a terceira e quarta de Arrow juntas (que levaram a uma quinta temporada muito boa, então, vai saber, né…). Só o fato de já terem anunciado que o vilão da temporada não será um velocista já é um sinal que querem mudar. Grande abraço!

  2. Jardel Rodrigues 18 maio, 2017 at 13:14 Responder

    Bom, já anunciaram que não seria um velocista nessa terceira, né, inclusive os trailers só mostravam o nome do Alchemy, que acabou sendo só um capanga de 6 episódios, mas vamos torcer, que se for o Thinker mesmo, como muitos estão dizendo, eles aprofundem bem mais e que por favor, façam pelo menos uma temporada sem esse misterioso vilão que acaba sendo alguém já conhecido rsrs

    Abraços.

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