Review: The Walking Dead – 4x02 Infected

Ignorar o gráfico oscilante da qualidade de The Walking Dead é algo que só os fãs mais cegos conseguem fazer, porém, a gente tem que dar um desconto quando a série resolve (mesmo ao seu modo sonolento) sair do status quo. Claro que não tem como os roteiristas apagarem impressões antigas que já se enraizaram por pura falta de compromisso com o entretenimento inteligente, só que se olharmos com uma ótica menos inquisitória, até falsas sequências poéticas conseguem soar verdadeiras sem nenhum esforço, e, diga-se de passagem, este episódio teve muitas delas. Por exemplo, a morte de Patrick abriu portas para um amontoado de dramas, que foi desde um kibe insosso de duas tramas já utilizadas com Carl (só que agora protagonizadas por duas garotinhas), até a eficiente sequência dos porcos, trazendo Andrew Lincoln e Rick outra vez para os holofotes. Diante disto tudo, eu continuo a bater na tecla de que o elenco de The Walking Dead, hoje, já consegue fazer a diferença na série.

Se o contingente de sobreviventes aumentou, as chances de mortes com muito gore os seguiram. Infelizmente, eu posso comparar meu estado de espírito diante do caos que se instalou no Bloco D da prisão, com a reação de Beth ao saber o destino do seu paquera no episódio passado. Não é nem que eu esteja imune ao luto como ela apontou, mas é que nada nos imigrantes de Woodbury agregou importância para mim. Não me conectei com a dor de nenhuma das perdas, não fiquei tenso, e continuo a achar as duas cenas de ataque nas celas extremamente erradas. Porém, como já aprendemos a tirar leite de pedra com The Walking Dead, o suspense levantado diante do medo pela nova doença serviu de escape para os nossos sobreviventes (sim, eu já segreguei a fazendinha) ganharem espaço.

Michonne e Beth seguraram o viés dramático da esperança representada na figura da pequena Judith, numa cena mínima, mas emocionante. Eu não sei explicar quando foi isso, porém a filha mais nova de Hershel vem ganhando uma presença bacana desde o fim da temporada passada. No quesito ação, a avalanche de walkers na cerca, foi mais tensa do que todo o bafafá nas celas. A dobradinha Daryl e Rick sempre rende momentos como este, só que a oportunidade foi amarrada com o fato de que, mesmo se negando a concordar com o pedido de todos, Rick continua sendo o líder ali. Logo, a ricktatorship só está maquiada pela formação do tal Conselho, que, convenhamos, só se mexe com o aval do xerife. O maior exemplo desta constatação? Carol e sua Escola de Armas.

Eu vou cortar por um momento toda a baboseira das garotinhas com os walkers de estimação e elogiar o que realmente merece no plot de Carol. A interação dela com Carl rendeu mais do que eu previ. Foram diálogos secos, humanos e carregados de uma amargura condizente com tudo o que os dois já passaram. Melissa McBride é outra atriz que merece elogios, pois é impossível não simpatizar com sua Carol (personagem que nas HQ´s é uma mala sem alça). Os pontos a mais para Carol vão por ela conseguir empurrar Carl para outra cena importante e pontual: a conversa dele com o pai.

Sim, antigamente Rick teria feito um escarcéu e aberto as aulas práticas de Carol para decisão pública, mas basta olhar sua pose cansada e o sangue dos animais nas próprias roupas para notar o quanto o xerife está distante do homem da lei que um dia foi. São novos tempos ali. O silencioso inimigo que agora percorre as paredes da prisão junto de um adicional humano responsável pelos walkers na cerca - e aparentemente pela morte dos dois sobreviventes em quarentena - não escaparam ao senso de urgência de Rick. Ele devolver a arma ao filho à medida que retoma a sua é o único momento genuinamente poético nos 43 minutos de episódio. The Walking Dead sabe se metaforizar, resta saber até quando esses valores valerão a pena.

P.S.: Continuo sendo um hater ferrenho do Tyresse da série. Logo, por associação mesmo, sua namoradinha foi junto.

P.S.2: Maggie e Glenn estão chatos ou é só impressão minha?

P.S.3: Senti uma vibe walkers com consciência. Isto sim me interessou.

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2 comments

  1. Júnior Silva 24 outubro, 2013 at 16:58 Responder

    Olhe achei esse episódio bem morno, o primeiro foi mais emocionante até. As cenas dos zumbis não me empolgaram, só foi uma chave pra discussão da infecção e só.
    Pode até ter sido importante, mas O-D-I-E-I o menino sendo fuxiqueiro pro pai dedurando a (ex)carequinha, e o pior é que foi por querer mesmo, até entenderia se fosse descuido, mas não foi, a intenção foi clara. Sorte é que Rick achou certo a atitude dela e não fará nada, menino idiota e falso. =p
    A bebezinha rendeu bons momentos para vomitar arco-íris repeti várias vezes a cena dela brincando com os copos, ai que lindo *-* Michone querendo ser durona, mas nada que um ser fofo não amole =)
    Pena dos porquinhos =/ e total pena dos que foram queimados, gente que horror. Olhe quem estiver alimentando e matando o povo irá se ferrar, somente.

    ps: por mais cenas entre Judas e a (ex)carequinha, Sarradas Já! o/

  2. José Guilherme 24 outubro, 2013 at 18:41 Responder

    Boca, eu também achei o episódio bem morno e sonolento!! Não me empolguei muito não, só na hora da cena com a cerca e com os porquinhos. Carl é um babaca mesmo, mas como o Rick é fóda ele já aceitou a proposta da (ex)carequinha! ahahahahahahahaha
    Torcendo por mais movimentação e por mais Michonne brincando com a bebê Judith! XD
    Valeu pelo comentário.

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