Review: Arrow S05E17 - Kapiushon

O texto abaixo contém alguns spoilers de Arrow

Não foi por coincidência que Flash e Arrow entregaram, nesta semana, dois episódios que saem do convencional. As séries irmãs mais antigas do universo DC/CW, embora trabalhando com completos opostos em termos de ambientação e ritmo, exercitaram a narrativa de forma muito convincente. Arrow sai um pouco do emaranhado de subtramas e parte para uma aventura quase que totalmente sob o ponto de vista de Oliver. O espectador acompanha muito de perto a tortura pela qual o protagonista cai vítima, enquanto observa atos do passado que, dependendo da forma como o fã enxerga o herói, acabam servindo de justificativa para as ações de Prometheus, por mais distorcidas que estas podem ser. As duas séries chegaram, portanto, em pontos de virada.

Há um trunfo inesperado em Kapiushon, que foi o de dedicar muito mais tempo aos eventos do passado. Para isso, a série traz de volta Kovar, o vilão interpretado por Dolph Lundgren que, de longe, é a melhor coisa dos flashbacks da quinta temporada. No entanto, se a trama da Rússia havia encontrado estagnação nas últimas semanas, aqui, finalmente, diz a que veio, culminando em na luta definitiva (será?) entre o gigantesco antagonista e o Arqueiro em seu "Ano Um". Enquanto ambos lutam, com o destaque dado ao tamanho de Lundgren, é impossível não pensar o quanto o ator deveria ter sido Anatoly desde o começo. Quem lê quadrinhos sabe que o personagem, que agora se tornou líder da Bratva, é o KGBesta, um vilão que caberia muito bem no físico do eterno brucutu dos anos 80. O final do episódio, em uma cena envolvendo Malcolm Merlyn (uma grata surpresa, inclusive) dá dicas de um provável retorno de Kovar e fica fácil apostar que o personagem pode vir a se tornar o grande vilão da próxima temporada. Talvez a série dê essa identidade a ele no futuro.

Enquanto no passado, o roteiro destaca as atitudes de Oliver, ao mesmo tempo que as coloca em cheque, sempre que Anatoly tem algo a dizer sobre os atos extremos do rapaz, no presente, Adrian Chase tenta tirar do protagonista uma confissão. As conversas entre o herói e seu nêmesis dependem muito da atuação de seus intérpretes e, enquanto Josh Segarra continua trazendo sua habitual competência em compor a psicopatia do promotor/terrorista, Stephen Amell surpreende ao conseguir impor a postura de um homem prestes a ser quebrado psicologicamente. Não é surpresa que muitos dos problemas de Arrow se devem a falta de habilidade do ator em transmitir os sentimentos de Oliver de maneira convincente, mas às vezes algo acontece, talvez pela qualidade da direção ou simplesmente por Amell entender que precisar se dedicar ao máximo em determinada sequência para não sabotar a própria série.

Por falar em direção, Kevin Tancharoen comanda muito bem o episódio, mas falha no clímax da trama russa. Mesmo que o roteiro, provavelmente, não tenha sido feliz, cabia ao diretor encontrar uma forma melhor de criar toda a situação com o gás Sarin. Nem os escritores e nem Tancharoen, parecem saber muito bem como se dá uma contaminação disseminada via substância gasosa (o Sarin contamina não só pela respiração, mas até pelo contato com a pele). Não existe a menor possibilidade de Oliver, Anatoly, Kovar ou qualquer outro coadjuvante que não estava usando uma máscara deixar daquela boate sem ter se contaminado, fazendo o espectador sair totalmente da sequência, toda vez que alguém chega ao lado do tanque do gás, sem qualquer proteção, e nada acontece. A série poderia ter encontrado inúmeras alternativas para essa situação constrangedora, que acaba enfraquecendo um ótimo episódio do quinto ano.

No final de Kapiushon, Oliver está totalmente quebrado, ao ponto de desistir de sua carreira como justiceiro. Como a série trabalhou durante toda a temporada a ideia de novos parceiros para o Arqueiro Verde, agora é a vez da equipe fazer uma espécie de "intervenção" e mostrar ao personagem que Star City precisa de seu herói de arco e flecha. Arrow chegou, talvez, em um dos pontos dramáticos mais eficientes de toda sua duração, com um vilão cujas motivações pesam pelos atos passados do protagonista, algo que, no começo da série, sempre foi bastante criticado e que, agora, finalmente, é trazido à tona como uma consequência brutal para os personagens. Entrando na reta final da temporada, o programa agora só não pode sair dos trilhos. Se continuar como está, mesmo pequenos tropeços como o comentado no parágrafo anterior, não tirarão o posto deste como um dos melhores momentos do seriado em seus 5 anos de exibição.

 

Alexandre Luiz

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