Crítica: Tomb Raider: A Origem - por Erick Kaiowá

Reboots e remakes têm sido um grande filão hollywoodiano nos últimos anos. Às vezes, dá certo, às vezes não. Isso porque não basta reprisar o que já foi feito, mas sim, trazer algo mais ou menos inédito, porém, que possa satisfazer antigos e novos fãs. Nesse sentido, o novo Tomb Raider cumpre bem esse papel, apesar de não ser nem um pouco original na essência.

Como o próprio subtítulo nacional sugere, aqui vamos encontrar um pouco do passado da famosa heroína dos games, Lara Croft. E, de cara, já podemos perceber uma coisa que esse novo filme tem de bom: a caracterização da atriz Alicia Vikander, vivendo a personagem principal.

Não que Angelina Jolie seja uma má intérprete (muito pelo contrário), mas Vikander consegue passar um ar mais crível e humano para a protagonista, numa mistura de impetuosidade e coragem, e mais uma boa dose de imaturidade e vulnerabilidade, dando um pouco mais de camadas a Lara Croft do que as produções anteriores.

Esse enfoque mais imprudente da personagem é certeiro para um filme de origem. Afinal, estamos falando de uma heroína ainda em construção, bem longe de atingir todo o seu potencial. E, o primeiro ato, mostrando pequenos perrengues financeiros da protagonista, é muito bom e divertido nesse aspecto.

Em pouco tempo após começar o filme, vamos tomando apreço pela personagem, e, em paralelo, vai sendo montado todo o terreno para a sua primeira e decisiva “missão”. As motivações de Lara são naturais e verossímeis. Um bom exemplo disso é quando ela se recusa a assinar um testamento, por acreditar que o seu pai ainda está vivo.

Contudo, quando a ação propriamente dita começa, lá pelo segundo ato, o filme mostra o seu principal defeito: o roteiro. Evidentemente que não se espera algo muito complexo numa franquia da Tomb Raider, convenhamos, mas, bem que a trama poderia ter melhorado o desenrolar da história para não sermos obrigados a ver aquele velho clichê da protagonista enfrentando desafios cada vez maiores, mas sem muitas explicações a respeito desses mesmos desafios.

Alguns coadjuvantes de luxo, como Lu Ren (interpretado por sisudo Daniel Wu) e o vilão Mathias Vogel (numa atuação bem correta de Walton Goggins) tentam dar um gás extra a uma trama excessivamente simplória, mas pouco podem fazer se a história os trata da maneira mais “lugar comum” possível.

Porém, a grande estrela é mesmo Lara Croft, e, ao menos, quanto a ela, o roteiro dá um tratamento devido. É perceptível o nível crescente de maturidade na personagem ao logo do filme, enfrentando desafios (literais e metafóricos) que, mesmo clichês, ainda conseguem ser empolgantes (como a incrível cena do avião na cachoeira).

Mesmo um tanto confusa em algumas sequências de ação, a direção de Roar Uthaug conduz bem a narrativa, num clima agradável de matinê. E, mais uma vez, o destaque total para esse reboot de Tomb Raider vai para Alicia Vikander, a nova e muito bem caracterizada Lara Croft, queiram ou não queiram os haters.

E, por falar nisso, é importante destacar a falta de noção daqueles que andam reclamando que a personagem perdeu o ar de sex symbol. Bom lembrar aos mesmos que os tempos são outros, e, felizmente, já não cabem mais aquelas heroínas hiperssexualizadas que servem apenas como fetiche passageiro para alguns.

As heroínas atuais, antes da beleza física, transbordam muita coragem, inteligência e impetuosidade, sim. São personagens que estão inspirando outras meninas mundo afora, e que serão o novo padrão de heroínas que teremos daqui por diante. Alguns podem achar ruim, mas muitos outros acham excelente. E, que assim seja.

Tomb Raider: A Origem, como muitos blockbusters por aí, tem uma história demasiadamente simples, que nunca explora o seu potencial. Mas, em contrapartida, conseguiu “rebootar” uma conhecida personagem de maneira mais realista e mais interessante do que a sua versão anterior, mostrando que o futuro dessa nova franquia tem muito a oferecer.

É só aguardar.

Erick Silva

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