Com estreia marcada para 23 de março, O Mecanismo, série brasileira produzida pela Netflix, traz à tona um assunto bem atual: os esquemas de corrupção no país. Inspirada nas investigações da Operação Lava-Jato, a trama tem Selton Mello (Treze dias Longe do Sol) como protagonista, com direção de José Padilha (Narcos, Tropa de Elite) e Elena Soarez (Eu, tu, eles), que também assina o roteiro em parceria com Sofia Maldonado. Os oito episódios da primeira temporada foram gravados em várias capitais brasileiras como Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e São Paulo.Marco Ruffo, personagem de Selton Mello, é um delegado aposentado da Polícia Federal, que se vê diante de uma das maiores investigações de desvio e lavagem de dinheiro da história do Brasil. Ele, sua parceira Verena Cardoni (Carol Abras) e os demais envolvidos precisam mudar suas vidas por conta deste complexo caso.
Embora a série seja baseada em fatos reais, os produtores deixam bem claro que se trata de uma ficção que não toma partido de ninguém. “O objetivo é exatamente a gente se entender como sociedade, entender o pensamento do mecanismo e como ele acontece. Padilha é especialista nisso, ele pega um assunto extremamente complexo e o decodifica para que todo mundo possa compreender. Na série, temos partidos políticos, empreiteiros, procuradores, juízes e delegados federais, mas ela é muito mais focada na obsessão do ser humano pelo poder, pela ganância”, explica Daniel Rezende (Bingo: O Rei Das Manhãs), diretor de alguns episódios da saga.
“A série mostra a luta dos policiais para descobrir como funciona o mecanismo e como quebrar aquela engrenagem. O mecanismo é apartidário, não tem ideologia e está impregnado tanto no mais alto escalão político, empresarial e econômico quanto no mais baixo”, completa Rezende.
O Mecanismo terá personagens fictícios, mas que sutilmente fazem referência à pessoas envolvidas nos escândalos atuais. O personagem de Selton Mello, por exemplo, é inspirado no delegado da Polícia Federal Gerson Machado, um dos pioneiros da operação. Enrique Diaz interpreta o doleiro Roberto Ibrahim, figura que faz alusão à Alberto Youssef.
Segundo Marcos Prado (Paraísos Artificiais), outro diretor da série, “o objetivo principal é retratar a engrenagem que funciona em várias sociedades, inclusive fora do Brasil, mostrando as várias esferas de corrupção. Do cara que faz gato em casa e falsifica a carteira de estudante aos desvios bilionários de dinheiro”, explica.
Para Selton Mello, a série vai alertar o telespectador sobre várias questões, levando-o a refletir o momento difícil que o país está vivendo. “Estamos nestes tempos meio loucos e é importante falar disso. A democracia deve ser tagarela e a função da arte é fazer pensar”, conclui o diretor.
Depois da série, Mello deve viajar para o exterior para se dedicar a um projeto em Hollywood, onde vai dirigir o drama musical Cathedral City.









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