Review: Agents of SHIELD S01E03 - The Asset

Aviso: Contém alguns pequenos spoilers.

SKYEEPISODIO3BEm seu terceiro episódio, Marvel's Agents of SHIELD parece finalmente demonstrar um caminho a trilhar, ao menos em sua estrutura. Quando fora anunciada, a série parecia ter a função de expandir o Universo Marvel dos cinemas para a TV, trazendo personagens secundários que a editora ainda pode usar em adaptações para essas mídias, mas que dificilmente teriam seu lugar na tela grande. É mais ou menos isso que The Asset faz, se revelando como uma boa "história de origem", guardando mais semelhanças, então, com o piloto do que com o fraco episódio da semana passada.

A trama começa quando o Dr. Franklyn Hall (o sempre competente Ian Hart), um brilhante cientista aliado da SHIELD, é sequestrado por bandidos que usam um estranho poder gravitacional. Os fãs das HQs sabem muito bem que o personagem é o vilão Graviton, mas a série o mostra inicialmente como um pacato homem da ciência, ídolo e professor da dupla de nerds Fitz e Simmons, forçado a ajudar o megalomaníaco Ian Quinn (David Conrad, se divertindo com o absurdo), em sua fortaleza na República de Malta, onde conseguiu reproduzir um aparelho que manipula o raro elemento Gravitonium (um nome deliciosamente tolo). A trama de história pulp é incrementada pela trilha sonora propositalmente exagerada de Bear McCreary nas cenas passadas no covil do antagonista. E é esse clima de "bobagem divertida" que permeia o episódio, que parece ter saído de alguma série dos anos 70 ou 80 como As Panteras, O Homem de Seis Milhões de Dólares ou Super Máquina.

A equipe do agente Coulson precisa resgatar o Dr. Hall e para isso, a novata Skye se oferece para sua primeira real missão de campo, a contragosto do experiente Ward que, mesmo relutante, vem treinando a garota e sabe que ela não está preparada para encarar situações de risco. As cenas em que a moça invade a festa de Quinn para tentar entrar no sistema e liberar a segurança para que a SHIELD chegue até o cientista sequestrado, novamente remetem a um modelo mais antigo de aventuras semanais. Assim, Agents of SHIELD parece encontrar seu caminho, mesmo que não seja exatamente o esperado pelo público acostumado às tramas contínuas e complexas mitologias dos seriados atuais. Existe uma história a ser desenvolvida ao longo desta primeira temporada, mas por enquanto não há nenhuma demonstração de que ela ficará no caminho das tramas fechadas, sendo abordada de forma mais diluída. A estratégia é até mais segura, afinal não há garantias de que o programa seguirá além de um primeiro ano. Assim, caso seja cancelado, não deixará grandes pontas soltas. Ao menos é o que vem sendo demonstrado até aqui.

Mesmo sendo ótimos fanservices, as referências contínuas ao Universo Marvel foram menos abordadas neste terceiro episódio (apesar de praticamente todas martelarem na cabeça do espectador a respeito de Coulson ter lutado ao lado dos Vingadores). Isso também ajuda a mostrar uma busca mais focada à função de Agents dentro de todo esse emaranhado de produções do estúdio. E se a missão anterior pecava pela simplicidade, algo que qualquer equipe da SHIELD seria capaz de fazer, a desta semana é mais ampla e grandiosa, um resgate de um personagem importante e ainda o enfrentamento de um perigoso vilão, que parece ter ramificações no mundo todo.

Há momentos realmente interessantes em The Asset, como a introdução ao episódio, com o caminhoneiro se revelando um agente da SHIELD. A sequência é muito bem conduzida, misturando ótimos efeitos com ação "real". Aliás, por falar em computação gráfica, a montagem final, quando vislumbramos a "criação" de Graviton é de uma competência técnica pouco vista em séries de TV e poderia facilmente pertencer a um dos filmes da Marvel, tamanha a qualidade. Outra boa sacada é "brincar" com a possibilidade de Skye ser uma agente dupla, também a serviço dos ativistas da Rising Tide.

Lutando para encontrar seu lugar nas telinhas, Agents of SHIELD, essa semana, ao menos demonstrou mais empenho nessa missão. Se continuar assim, em breve saberemos definitivamente qual a função do programa e se as aventuras semanais irão empolgar os fãs suficientemente para garantir sua relevância.

Alexandre Luiz

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