Review: Arrow S02E11 - Blind Spot

Blind SpotFinalmente Arrow teve o retorno que os fãs esperavam após o hiato entre dezembro e janeiro. Perto de Blind Spot, o episódio passado ficou parecendo um prólogo de duração elevada, confirmando os comentários de que, mediano, serviu apenas como ponte para os eventos reservados para esta segunda metade de temporada.

Uma das grandes qualidades do seriado do Arqueiro é como os roteiristas não perdem tempo, arrastando subtramas por três semanas ou mais, e conseguem resolvê-las já no episódio posterior ao que foram apresentadas. Ainda mais interessante é que resolver não significa dar a vitória para o time dos "mocinhos". Centrado na busca de Laurel pela verdade a respeito de Sebastian Blood, esta é uma das poucas vezes na segunda temporada em que a personagem consegue tirar alguma empatia do público, pela boa decisão de finalmente fazer com que alguma de suas suspeitas fosse verdadeira, já que a garota faz parte daquele roll de coadjuvantes que sempre são levados a percorrer a direção errada, mesmo que cheios de boas intenções. O desenrolar da trama também serve para revelar um pouco mais da vilania de Blood e de sua implacável sede por poder, que o faz passar por cima de todos, do seu mais leal seguidor até a própria mãe.

Paralelamente a tudo isso, Roy Harper decide contar para Sin sobre suas recém-adquiridas habilidades e juntos tentam ter uma noite de vigilantismo em Starling City. O problema é que a droga Miraclo não afeta apenas fisicamente, mas também mentalmente e o rapaz está exibindo uma fúria cada vez mais difícil de controlar. Seus atos quase terminam em tragédia e a conclusão desta subtrama parece ainda estar longe de terminar, pela forma como o episódio termina. Algo que os fãs estão esperando desde o surgimento de Roy na primeira temporada está cada vez mais perto de acontecer e será mostrado como um belo aperitivo já no próximo episódio.

Porém, se os roteiristas não tem medo de avançar certas tramas, parecem esquecer completamente da existência de outras. O que dizer da total ausência de Isabel Rochev nos últimas semanas? A personagem de Summer Glau, anunciada como a vilã da temporada não disse ainda a que veio e, se muito, serviu apenas para protagonizar um dos piores episódios deste ano, aquele em que viaja com Oliver para Rússia. Agora o vilão principal parece ser Slade, que mais uma vez faz uma aparição no presente, incluindo com seu uniforme definitivo de Exterminador (que parece ter sido inspirado na versão do personagem vista nos jogos da franquia Arkham). Embora ameaçador, há uma lacuna em sua história que precisa ser preenchida. Afinal, como o personagem pode ter passado do atormentado supersoldado dos flashbacks para a mente criminosa estrategista da linha do tempo atual?

Outro trunfo de Blind Spot foi o paralelo da relação de Oliver com as irmãs Lance. Com Laurel nos dias de hoje, lutando para acreditar em suas suspeitas e com Sara no passado, disposto a dar a ela um voto de confiança a respeito de sua relação passada com o vilanesco Ivo, que também parece ser um personagem multifacetado, em grande parte pela interpretação de Dylan Neal. O roteiro lida com tudo isso de forma interessante, pois o espectador vê como a experiência na ilha afetou Queen e sua forma de contato com outras pessoas. O protagonista aprendeu a duras penas a não confiar em ninguém ou, pelo menos, desconfiar de todos, algo que está em jogo em sua relação com Sebastian Blood. Quando o Arqueiro descobrir toda a verdade, talvez se afaste ainda mais das relações humanas, o que seria um bom ponto de partida para o próximo ano. Se neste a série começa com o personagem distante para não ferir os outros, no futuro ele pode se distanciar como forma de proteger a si mesmo de falsas amizades.

Mais uma vez o espectador é agraciado com um sólido episódio de Arrow, e novamente uma amostra tão boa do que o seriado é capaz é comandada por Glen Winter. O diretor deveria ser efetivado, pelo menos como uma espécie de consultor criativo, pois é notável o seu esforço para tirar a série do lugar comum, principalmente no que se refere a qualidade técnica. É incrível como Winter consegue valorizar o uso de locações, como na cena em que Laurel se encontra com o Arqueiro no telhado, com o metrô elevado passando ao fundo, em uma sincronia perfeita. Ou ainda, na espetacular fuga do herói, em um confronto com a polícia. O diretor também confere uma atmosfera sombria até então inédita na série, com a sequência inicial envolvendo Blood e sua mãe.

Blind Spot

Com a trama caminhando para um futuro pessimista, principalmente para Laurel, cada vez mais fraca em lidar com seus vícios, o seriado tem se mantido com mais pontos altos do que baixos e por episódios como este Blind Spot, Arrow se destaca entre adaptações de quadrinhos, mesmo quando aborda temas recorrentes do gênero. Com o gancho deixado para a próxima aventura, a série entra cada vez mais no universo fantástico que a DC tem a oferecer, com seus personagens que representam tão bem os arquétipos clássicos das histórias de herói. Corrigindo alguns problemas com soluções que convençam, essa segunda temporada só poderá mesmo levar a uma renovação por parte do CW. E, apesar de demonstrar certa fragilidade em desenvolver algumas subplots, a capacidade de avançar a maioria delas se sobressai, tornando fácil para o espectador confiar que o futuro, ao menos para o sucesso do seriado, seja muito otimista.

Alexandre Luiz

Comente pelo Facebook

Comentários

Comente pelo Facebook

Comentários

Deixe uma resposta