Filme de James Wan resgata tropos sobre casa assombrada e transforma demonologistas em heróis

Invocação do Mal é um filme de terror de 2013 que começou como um projeto de James Wan mirando os relatos de Ed e Lorraine Warren, mas que se tornou um fenômeno por si só.
Obra inaugural do chamado Invocaverso, esse se tornou não só uma franquia de quatro volumes - encerrada (teoricamente) em Invocação do Mal 4: O Último Ritual - além de um universo compartilhado, que tem uma dezena de filmes.
A trama segue dois grupos de pessoas: os Perron, que é uma família pobre e numerosa, que acaba de se mudar para uma casa nova, além dos Warren, que são uma família polêmica, já que os dois chefes do grupo são tratados como mentirosos sensacionalistas.
A partir dessa obra, os Warren deixaram de parecer charlatães e passaram a ser encarados como heróis de ação, movidos pela abnegação e por um chamado divino não clerical.
A equipe criativa e as ideias originais
Dirigido por James Wan, o roteiro ficou a cargo dos irmãos Chad Haye e Carey W. Hayes. A produção ficou com o trio Peter Safran, Rob Cowan e Tony DeRosa-Grund. São produtores executivos Walter Hamada e Dave Neustadter.
O diretor malaio ajudou a inaugurar o subgênero de torture porn, em Jogos Mortais, mas resolveu ir em outro sentido, fazendo algo que conversava de certa forma com o que foi feito antes, carregando semelhanças com Sobrenatural, mas aqui, é diferente.
Além do tropo de casa assombrada, o longa se baseia em relatos reais, ao menos em teoria, já que os Warren são pessoas controversas e muito polêmicas.
Seus livros já foram alvos de muitas discussões e acusações, há muitos segredos escondidos por trás do modo de operar deles.
Outra adaptação
Quase houve um filme anterior baseado no caso da família Perron, mais de 20 anos antes desse Conjuring.
A história surgiu quando Ed Warren exibiu uma fita de sua entrevista com Carolyn Perron para o produtor Tony DeRosa-Grund, mas a adaptação não ocorreu naquela época.
Anos depois, DeRosa-Grund acabou produzindo esse, embora na época somente Lorraine Warren fosse viva.
O modo de contar a história
O longa foi rodado de maneira cronológica e Wan modelou a cinematografia e a atmosfera do filme a partir dos filmes de um terror vintage, baseado no visual típicodos anos 1970.
O diretor queria trazer a sensação do clássico Desafio do Além, filme de 1963, que anos depois, foi reeditado e refilmado em 1999, com o nome brasileiro de A Casa Amaldiçoada, que também estrelava Lili Taylor.
Outra inspiração vista é Essência da Maldade, filme britânico, de 1973, que estrelava Christopher Lee e Peter Cushing. Tal qual esse Invocação do Mal, o filme se tratava de histórias de exploração de demônios e seres espúrios.
Estreia e nomenclatura
A primeira exibição do filme foi na Espanha, em 8 de junho de 2013 no Nocturna, Madrid International Fantastic Film Festival. Nesse mesmo mês, chegou ao britânico Edinburgh International Film Festival.
Em seu país natal, os Estados Unidos, estreou em 15 de julho de 2013, em uma premiere em Hollywood, Califórnia.
Em 18 de julho estreou nas praças da Austrália e Canadá, no Fantasia Film Festival. Nos circuitos dos EUA, chegou no dia 19 de julho.
Durante um bom tempo, teve como nome de trabalho The Warren Files, mas seu título original é The Conjuring.

Na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia é chamado El conjuro. Na Bósnia e Herzegovina se chama Prizivanje, na Estônia é Kurja kutsumine, na Finlândia é Kirottu ou Besvärjelse. Na França é Conjuring : Les Dossiers Warren.
Na Grécia é Conjuring - Die Heimsuchung ou Το κάλεσμα (se lê como To kalesma) na Itália é L'evocazione - The Conjuring e em Portugal é The Conjuring - A Evocação.
Locações
A produção procurou várias fazendas na região de Cape Fear, no sudeste da Carolina do Norte, até encontrar a casa usada no filme, que fica às margens do rio Black, no Condado de Pender. Apenas os exteriores foram filmados lá.
Todas as cenas internas foram no estúdio da Screen Gem Studios em Wilmington, também na Carolina do Norte, onde a equipe do filme construiu o cenário quase idêntico à residência verdadeira dos Perron. A casa se localiza em 405 Canetuck Road, Currie. Também houveram locações em Currie.
Estúdios
As companhias que fizeram a obra são a New Line Cinema, que é parte dos estúdios Warner e faz aqui o presentation. Também organizam a The Safran Company e Evergreen Media Group.
A distribuição é da Columbia TriStar Warner Filmes de Portugal nos cinemas portugueses, a New Line Cinema nos EUA e a Warner Bros. Pictures no Brasil.
Quem fez:
Wan dirigiu Jogos Mortais, Gritos Mortais, Sentença de Morte, Sobrenatural, Sobrenatural: Capítulo 2, Velozes e Furiosos 7, Invocação do Mal 2, um episódio de MacGyver, Aquaman, Maligno e Aquaman 2: O Reino Perdido.

Produziu recentemente M3GAN, Mergulho Noturno, A Hora do Vampiro, O Macaco, M3GAN 2.0 e Invocação do Mal 4.
Foi produtor executivo em Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado, Arquivo 81, Jogos Mortais X e Teacup.
Chad e Carey Hayes escreveram roteiros em séries como Booker, The Flash dos anos 1990, Ghost Stories, S.O.S. Malibu, também dos telefilmes como O Alvo Principal e O Alvo Principal 2, A Casa de Cera, A Colheita do Mal, Terror na Antártida, Exorcismos e Demônios e Os Órfãos.
Tony DeRosa-Grund foi produtor executivo em Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira, Archie e Seus Mistérios, também foi produtor em Josie e as Gatinhas.
Rob Cowan produziu A Epidemia, Pacto do Passado, Invocação do Mal 2, Aquaman, Superinteligência e Aquaman 2. Foi produtor executivo em O Recomeço, A Chefa e A Guerra do Amanhã.
Peter Safran hoje comanda o DC Studios ao lado de James Gunn.
Seus trabalhos mais notáveis são como produtor em Enterrado Vivo, Os Vampiros que se Mordam, Acampamento do Terror, Martírio, Dia de Trabalho Mortal, Shazam!, Annabelle 3: De Volta Para Casa, Invocação do Mal 3: , O Esquadrão Suicida, Shazam! Fúria dos Deuses, A Freira 2, Aquaman 2, Chefes de Estado, Superman e Invocação do Mal 4, foi produtor executivo em Comando das Criaturas e O Macaco.
Walter Hamada comando a DC nos cinemas. Sob sua gestão houveram quase todos os filmes do Snyderverso. Seus últimos trabalhos na produção executiva foram em Batman, Adão negro, Shazam 1 e 2, The Flash, Besouro Azual, Aquaman 1 e 2
Dentro do filão do horror, fez essa mesma função em Sexta-Feira 13 de 2009, A Hora do Pesadelo de 2010, Premonição 4, A Forca, Premonição 5, Quando as Luzes se Apagam, It: Coisa, O Perigo Bate à Parte e a maior parte do Invocaverso.
Foi produtor em Curvas Perigosas e Reféns do Mal.
Dave Neustadter tem no currículo Artista do Desastre e A Morte do Demônio: A Ascensão e vários filmes junto a Halmada, como A Hora do Pesadelo, Premonição 5 e A Forca.
Vera Farmiga é lembrada por Os Infiltrados, Amor Sem Escalas, A Órfã e Bates Motel.
Patrick Wilson tem no currículo obras atemorizantes como O Fantasma da Ópera de Joel Schumacher, Menina Má.Com, Sobrenatural e sua sequência
Consultoria, preparação e questões do elenco
Patrick Wilson e Vera Farmiga viajaram para Connecticut para se encontrar com Lorraine Warren antes das filmagens.

A demonologa estava viva, na época das gravações, tendo falecido em 2019.
Essa foi a terceira colaboração entre Wan e Wilson, dupla que trabalhou em Sobrenatural e Sobrenatural: Capítulo 2, em 2010 e 2013 respectivamente, além dos filmes de heróis Aquaman e Aquaman 2.
Já Lili Tayler, que já tinha experiência fazendo A Casa Amaldiçoada, se preparou para o papel estudando O Exorcista especialmente no que tange a forma de mostrar-se como uma pessoa possuída por um espírito malvado.
Além de Lorraine Warren, Andrea Perron também serviu como consultora do diretor e dos roteiristas. As duas fontes afirmaram que o filme é fiel à história real.
Quando os Perrons da vida real visitaram o set, sentiram um vento frio soprando por todo o lugar. Notaram que a corrente de ar não movia e nem balançava nenhuma árvore, mas ainda assim era muito forte.
A mãe da família afirmou ter sentido a mesma estranha presença sombria que protagonizou a história. Disse que lembrava a experiência que vivenciou nos acontecimentos retratados na narrativa assim que entrou no espaço de gravação.
Eventos estranhos
Algo curioso ocorreu com Joey King, a atriz que fez a jovem Christine. Enquanto estava gravando, ela contraiu uma doença sanguínea. Assim que as filmagens terminaram, a condição de saúde desapareceu.
Isso pode parecer algo estranho, mas a doença que ele teve era PTI, Trombocitopenia Imunológica, questão essa que pode durar algumas semanas antes de desaparecer por conta própria.
Depois desse Invocação do Mal ela desabrochou como atriz, tendo créditos em obras como os filmes de terror 7 Desejos e Slender Man: Pesadelo sem Rosto, a premiada série O Ato, a trilogia romântica Barraca do Beijo e Trem-Bala.
Classificação
O filme recebeu a classificação indicativa R, graças a sequências de violência e terror perturbadoras. Os produtores acreditavam que o corte final tinha chances de obter PG-13, fato que favoreceria às bilheterias.
No entanto, a MPAA impediu a mudança, já que o filme parecia tão amedrontador em essência que não havia edições ou cortes que pudessem tornar esse em formato de PG-13.
Wan e os produtores não queriam alterar o tom do filme e aceitaram a categorização.
Curiosamente, não há sexo ou nudez, há poucos palavrões e a violência é moderada. O motivo para um ranking tão alto são apenas os sustos.
Bilheteria
O filme teve uma boa abertura, arrecadando US$ 41 milhões em seu fim de semana de estreia.
Essa foi a terceira maior bilheteria de um filme de terror com classificação indicativa R, até então, ficando atrás apenas de Atividade Paranormal 3 de 2011 e Hannibal, de 2001.
Invocação do Mal arrecadou US$ 137 milhões nas bilheterias dentro do mercado interno dos Estados Unidos.
Episódio nas Filipinas
Quando o filme foi exibido nas Filipinas, alguns cinemas tiveram que contratar padres católicos para abençoar os espectadores antes da exibição.
Alguns espectadores relataram sentir uma espécie de "Presença Negativa" após assistir ao longa. Os padres também ofereceram ajuda espiritual e psicológica aos espectadores.
Trilha sonora
O longa marcou a segunda vez que o compositor Joseph Bishara compôs a trilha sonora de um filme dirigido por James Wan e que foi uma figura demoníaca para uma obra do malaio.

Ele fez a versão maléfica de Bathsheba Sherman nesse, também interpretou o demônio com rosto de batom em Sobrenatural.
A entidade
A verdadeira Bathsheba Sherman era suspeita de bruxaria e de matar uma criança pequena, mas seu nome foi legalmente limpo após ser considerada inocente por um tribunal.
Ela morreu de causas naturais em 1885, não por enforcamento, como o filme propõe. Ela está enterrada em Harrisville, Rhode Island
O ser, segundo os Perron
Segundo Andrea Perron, a filha mais velha da família, ela acredita que o espírito sombrio que assombrava a casa não era Bathsheba e sim a Sra. Arnold.
Os Arnolds estavam entre os antigos proprietários da casa da fazenda. Essa mulher se enforcou no celeiro após a morte do marido. Tinha 93 anos quando fez isso.
Andrea escreveu um livro em três partes baseado em suas experiências na casa, intitulado House of Darkness, House of Light
A Casa
O estado de Rhode Island não exige que vendedores de imóveis divulguem históricos de atividades criminosas em um local a potenciais compradores e é por isso que os Perrons desconheciam todos os eventos anteriores a sua entrada na residência.
Ed Warren e Lorraine Warren investigaram a casa entre 1973 e 1974 e foram expulsos da casa.

Oito gerações de famílias viveram e morreram na casa antes da mudança da família retratada no roteiro, Andrea inclusive sugeriu que alguns dos espíritos das famílias nunca deixaram de visitar ela e seus parentes.
As mortes incluíram dois suicídios documentados, um envenenamento, o estupro e assassinato de uma menina de 11 anos, dois afogamentos e quatro homens que morreram congelados.
A maioria dessas, ocorreu dentro da família Arnold, que teria ligação sanguínea com Bathsheba Sherman.
Vale lembrar que a bruxa retratada no filme é uma lenda urbana, que pode ou não ter ligação com a realidade.
Reconstrução da casa
A equipe de produção também construiu uma árvore de quinze metros de altura para o filme.
Como o filme já tem mais de dez anos de exibição, falaremos abertamente sobre a trama, ou seja, haverá spoilers:

Narrativa
O filme iniciou com um epilogo sobre Annabelle. Nesse ponto, se percebe que a fotografia tem o mesmo filtro cinza, das logos da Warner Bros e New Line.
O diálogo se dá em 1968 entre duas enfermeiras apavoradas, um rapaz que as acompanha e o casal Warren, que aparece depois de todo o estranho relato.
Apesar da aura estranha, a verdade é que a boneca, chamada de Annabelle, não cometeu nenhum ato condenável.
Ela se moveu sozinha, sumiu com a chave do apartamento, mexia nas coisas, era quase uma criança travessa
Na fala, a entidade diz que uma menina de sete anos chamada Annabelle Higgins tinha morrido no apartamento.
Dizia ser ela, afirmava se sentir sozinha e se afeiçoou à minha boneca. Buscava apenas fazer amizade.
A vontade do espírito
As moradoras sentiram pena dela e deram permissão para Annabelle tomar o corpo da boneca, mas aqui os Warren estabelecem uma regra importante de toda a saga: um espírito não humano, não possui objetos e sim pessoas.
Ou seja, a boneca era apenas um despiste, uma mentira, ela jamais foi possuída de fato, seria no máximo um condutor para o mal, uma porta do mundo espiritual para o dos vivos.
Ed e Lorraine
O casal vivido por Farmiga e Wilson são pesquisadores paranormais, demonólogos ou detetives paranormais. Possuem algumas designações ímpares no currículo.
O letreiro afirma que desde os anos 1960, Ed e Lorraine Warren são conhecidos como investigadores do paranormal.
A mulher é uma sensitiva, que nos filmes, é mostrada como uma vidente mediúnica. Já o homem é o único demonólogo não ordenado reconhecido pela Igreja Católica.
Entre os milhares de casos de suas carreiras, esse seria um dos mais malévolos, baseado claro numa história real, um caso tão maligno que foi mantido em segredo, até chegar esse filme.
Sobre Annabelle
A boneca Annabelle era, na verdade, uma boneca Raggedy Ann, comprada em uma loja de artigos para artesanato.
Os produtores do filme decidiram fazer uma boneca de porcelana com aparência mais sinistra, também para não tornar a marca em algo negativo.

O caso e os Perron:
Esse Invocação do Mal iniciaria um estilo de contar história, bifurcando entre a trama de ação dos Warren e da família vitimada.
O presente aqui é em 1971, Harrisvhile, Rhode Island, onde um grupo familiar enorme chega em uma casa nova, igualmente grande e recém-comprada por eles.
Esses são os Perron, família formada pelo pai Roger (Ron Livingston) sua esposa Carolyn (Taylor) e as cinco filhas: Andrea (Shanley Caswell) Nancy (Hayley McFarland) Christine (Joey King) Cindy (Mackenzie Foy) e April (Kyla Deaver).
Cada uma dessas tem algum momento de certa importância ao longo do filme, ou seja, tem seus momentos de protagonismo, mas o foco maior é claramente em Christine, que quase foi feita por Stefania LaVie Owen, de Krampus: O Terror do Natal e Sweet Tooth.
Além desses todos, há também o animal de estimação, que se recusa a entrar na casa. Essa é Sadie, a cadelinha,que parece ser a mais perspicaz da família.
Logo depois é mostrado o cotidiano da família, em uma linda cena no formato plano sequência, que apresenta cada um dos personagens, arrumando as coisas, levando os materiais de mudança para dentro, além de brincar com a geografia do lugar, mostrando antes da ação todos os cômodos que serão explorados na hora do mal.
Não demora a mostrar três delas brincando de se esconder, em uma versão de pique esconde, com palmas, chamada Cabra Cega. No meio da brincadeira, a mãe delas, Nancy cai em cima de uma madeira, embaixo da escada, revelando um cômodo escondido.
Roger assume a função de pai, desce para verificar o que é, com fósforos, uma vez que já é de noite.
No dia seguinte
Logo cedo, quando amanhece, Roger descobre que o cômodo está cheio de teias e aranhas, mas também de muitos móveis antigos, possuindo também uma lareira.
Apesar de comemorar o fato de ter um novo espaço pronto para uso, a preocupação dele passa pelo fato da esposa sentir dores, tendo hematomas por todo o corpo.
Estranhos sinais
Como ele está preocupado, visto que tem poucas viagens solicitadas para si (ele é um caminhoneiro) essa questão não recebe tanta atenção quanto deveria.
Além disso, os relógios pararam todos às 3:07 da manhã.
Não demora também para que a pequena April ache Sadie morta, brutalmente executada, nessa que deveria ser a cena mais sangrenta do filme, já que é a única baixa do filme. Ainda assim, é mostrada ao longe.
Casa dos Warren
Em Connecticut, fica a residência dos Warren. Wan é sábio, mata a curiosidade do espectador, colocando um repórter interpretado por Arnell Powell para entrevistar ele.
Esse sujeito serve de "orelha", pergunta a ele sobre o museu, sobre incinerar as coisas e sobre os "gênios na garrafa", que moram no museu do porão.

Ed Warren diz que um padre vai benzer o cômodo uma vez por semana.
Já na casa dos Perron, Carolyn segue se machucando, com lesões que evoluem ao ponto de deixar hematomas.
Ao redor da casa, pombas caem e acabam morrendo, no mesmo lugar que Sadie estava. Já April conversa com Rory, um ser incorpóreo, que aparece no espelho após a música da caixinha parar.
O brinquedo roda, mas antes de mostrar qualquer aparição no espelhinho, a menina tenta dar um susto na mãe e pede para brincar de cabra cega - maneira perigosa, afinal, a mãe poderia cair e se machucar, despencando do segundo andar.
Aparições
Na brincadeira, mãos saem do armário, para causar sustos no público, mas sem sons estridentes assustadores.
Aqui Wan ainda não coloca barulhos ensurdecedores para atalhar sustos, mas já se diferencia do filme anteriormente bem-sucedido no filão - no caso, Atividade Paranormal, série de filmes conhecida por aparecer "apenas" portas batendo.

Christine
A pequena Christine se assusta, vê espíritos atrás de Nancy. Mais estranhezas ocorrem, coisas caem das escadas, fotos, lembranças, até uma bola.
Até Carolyn cai, despencando até o andar térreo.
A ação se bifurca, com a mãe trancada no porão, depois de ver palmas se assustar e cair. Além disso, um ser pula de cima do armário das meninas, que vem a ser Batsheeba Sherman.
Na universidade
Já os Warren estavam em Wakefield, na universidade do oeste de Massachusetts, palestrando. Nesse momento, mostram um quadro, onde falam dos estágios de expulsão dos seres malignos, mas também mostram um vídeo.

O tal vídeo acaba servindo de ligação com outros filme do Invocaverso, no caso, o futuro A Freira, que seria lançado em 2018.
No trecho, aparece um homem chamado Maurice, que sangra pelos olhos e tem uma cruz invertida, talhada na barriga.
Esse foi exorcizado, mas Ed assume que jamais comandou um exorcismo, visto que não é um sacerdote católico, mas dado o final, essa questão é bastante questionável.
Nesse ponto, aparece a Lorraine Warren real, na plateia, em uma cameo.
Os processos
O casal cita 3 etapas, infestação, opressão e possessão
A infestação é determinada por sinais "leves" como sussurros e passos pela casa, ou seja, é a sensação de outra presença no recinto, que evolui para uma sensação de opressão.
O segundo estágio é com vítimas mais vulneráveis psicologicamente. A força externa debilita a pessoa, a destitui de sua vontade.
Enfraquecida, a pessoa é conduzida ao último estágio que é a possessão.
O caso Maurice
O exemplo dado é o de Maurice, um franco-canadense que tinha pouco estudo, mas falava latim fluente.

Aqui, ele é feito por Christof Veillon, mas em A Freira, ele é interpretado por Jonas Bloquet.
Aqui é dito que ele foi molestado pelo pai, torturado, dessa forma, teve a alma quebrada, abrindo brecha para o espírito maligno entrar.
No vídeo, Ed Warren destaca que sai sangue dos olhos do sujeito. A sequência termina aparecendo uma cruz em seu abdome.
A sequência termina com Drew, um auxiliar dos Warren interpretado por Shannon Kook, acendendo a luz.
O personagem e seu interprete são tão recorrentes que aparece nos quatro filmes, a exemplo do casal Warren e do Padre Gordon, de Steve Coulter.
O que houve com Maurice?
O personagem que estava possuído tentou matar a esposa, mas atirou no braço dela, depois nele mesmo, ou seja, ele acabou se ferindo e morrendo em 1992.
Sua morte no Invocaverso foi em 1971, vinte e um anos da morte do Maurice Theriault real. Essa questão é dos temas mais polêmicos da carreira dos Warren, já que Maurice teria sido identificado como alguém com problemas, mas Lorraine nada fez, só avisou que ele era atormentado por um ser demoníaco.
Claramente ele tinha uma questão mental, de neurodivergência forte, mas não foi dada assistência a ele, ao ponto dele cometer atos homicidas até contra si, décadas depois do contato com Ed e Lorraine.
No Invocaverso, o contato do canadense com Lorraine a fez ficar mal, por oito dias, mostrando uma entidade que seria explorada em Invocação do Mal 2 e A Freira.
O encontro entre famílias
Não há muita enrolação na reunião entre famílias, já que Drew atalha o caminho entre os grupos, levando Carolyn até Ed e Lorraine.
Ela convence eles a visitarem a casa, que segundo os moradores, está sempre fria.
Para evitar medo, as crianças dormem no primeiro andar, onde é mais quente. É mostrado que o aquecedor funciona, mas não dá vazão, estranhamente.
Também se nota um cheiro rançoso, que pode significar ação demoníaca, portas batem, sempre em três toques, como um insulto a trindade
Lorraine diz que algo terrível aconteceu ali, enquanto Carolyn diz a culpa da aparição dos seus hematomas, é uma deficiência de ferro, negando que algo de errado acontece.
A data usada aqui é novembro de 1971, vale lembrar que os Warren estiveram na casa entre 73 e 74,
Clarividência
Lorraine tem uma visão, enxerga alguém enforcado, na árvore macabra que fica do lado de fora. Diz que há uma entidade maléfica, perversa, se alimentando da família.
Essa aparece como uma sombra espectral preta, obviamente não é um fantasma e sim um demônio.
Há outros, mas esse preocupa mais a médium e eles mandarão investigar, para entender o passado da casa, a fim de reunir provas para um exorcismo.
A equipe
Além de Drew e do casal, também há no conjunto de pessoas o incrédulo Brad (John Brotherthon) um policial amigo, que chega juntos dos demonologistas, Drew inclusive brinca com ele, dizendo que tiros não pegarão em fantasmas.
Eles montam uma estrutura, com sinos, câmeras, termostatos que ajudam a provocar disparos de fotos e que somente seriam acionados por seres não humanos, ou seja, por criaturas não corpóreos.
A história do Ser Malvado
A suicida era uma bruxa, que matou os filhos para agradar Satã, fazendo assim uma inversão da dádiva de Deus. Para contra-atacar essa questão, Ed quer ajudar a família Perron.
Seu desejo é nobre: quer quebrar esse círculo vicioso do mal, até pensa em consertar o carro, para ajudar eles.
O seu entendimento é que eles atraíram o ser malvado, uma entidade que faz corpo em lençóis, como fantasmas, embora sejam na verdade anjos caídos. O processo de aproximação de Ed Warren tem a ver com isso, de contrapor com o benevolência a malignidade.

Episódio amedrontador no passado
Além das preocupações com os Perron, Ed tem de lidar com o medo do que traumatizou Lorraine, desde que teve contato com Maurice quanto possuído. Essa é uma ponta solta, que só seria solucionada mais tarde na franquia, no segundo Invocação do Mal.
O Warren e os Perron tentam entender como funcionam as entidades e como interagem com as meninas e a ação se dá com o material que eles usam.
Essa é feita com uma tecnologia atroz para 1971, um monte de bugigangas que parecem realistas e visualmente empolgantes.
O design de produção aliás é sensacional, nesses pequenos objetos. O trabalho é feito por Julie Berghoff, responsável por Jogos Mortais, Preacher e Army of The Dead: Invasão em Las Vegas.
O que chama a atenção por não ser natural é, Annabelle, claro, já que é macabra demais para ser uma boneca infantil, mas ainda assim funciona como vetor de terror.
Também se destaca a caixinha de música, os cenários, tudo é cuidadosamente pensado para funcionar como elementos de um universo de terror.
Atmosfera ímpar
A imersão no universo de terror inclui também a trilha sonora e o visual dos espíritos.
Esse último aspecto perde força se comparado ao que ocorreu em Insidiou, uma vez que Batsheeba não é tão grotesca quanto o monstro de Sobrenatural.

Ainda assim, é efetivo. Os efeitos práticos também funcionam, sobretudo na cena em que uma das filhas é puxada pelos cabelos.
Corrida pela autorização
Os Perron saem da casa, os Warren levam os vídeos para o padre Gordon, a fim de tentar marcar uma sessão de exorcismo, mas são barrados, visto que as crianças não são batizadas.
O impedimento burocrático da igreja poderia ser visto como crítica, mas o argumento é jogado, apenas. Não há o mínimo desenvolvimento, é tão somente uma linha de roteiro, que afirma que o Vaticano não autorizaria.
Isso é dado e dito sem profundidade ou algo que o valha, tratado como um absurdo em um instante, mas ignorado completamente depois, afinal, há coisas mais urgentes ocorrendo em tela.
Na casa Warren
Em outro cenário, a ação com Batsheeba tem efeitos colaterais, A filha de Ed e Lorraine, Judy (Sterling Jerins) é atacada pelo espírito da bruxa.
A aparição é estranha, se dá em uma cadeira de balanço, carregando Annabelle no colo.
A imagem serviu para algumas das artes de divulgação do longa-metragem e acabou fazendo pensar que a participação da boneca malvada era maior.

É curioso como esse momento é mais assustador e amedrontador que toda a trilogia Annabelle, mesmo que ele seja apenas uma ilusão.
Depois disso Roger liga para os heróis paranormais, afirmando que Carolyn pegou duas das crianças (April e Christine) e tentou matá-las.
Enfim ela se mostra possuída.
Se notam duas coisas pontuais, a bela atuação de Taylor, que varia bem entre a mãe preocupada e a vítima espiritual, além da inexistente sutileza do policial, que simplesmente deu um tiro de escopeta na porta que o espírito fechou.
O exorcismo
Ed decide fazer o ritual, mesmo com Lorraine presente - ele temia pela vida dela - faz no porão, no cômodo secreto, com pressa, sem aguardar a morosidade clerical dos católicos.
Se entregaria de uma forma que faz perguntar se ele foi sincero ao falar que não comandou o rito antes.
Certamente era bom observador e confiante nesse sentido. O mais provável é que ele fez sim outros ritos, dada a naturalidade com que leva o momento e a total falta de pudor que teria em momentos semelhantes na franquia, já que ocorrem mais expulsões de demônios ao longo da saga.
A reza
Ed Warren inicia o ritual dizendo as palavras de Vade Retro Satana, expressão latina que significa "afasta-te, Satanás".
Essa é uma oração desenvolvida na Idade Média por São Bento para afastar os maus espíritos. Em resumo, se convoca a cruz de Cristo e manda o ser tomar o veneno que foi oferecido aos humanos.
A versão real
Segundo os Perron, o exorcismo nunca aconteceu, no caso real. Houve um momento em que um padre estava presente, mas não resultou no ritual.
É fato que um não clérigo não tem autorização a realizar um exorcismo. Na teologia católica, somente os bispos têm o poder e a autoridade para expulsar demônios em nome de Cristo.
Os bispos podem delegar padres para realizar essa função, mas um indivíduo não ordenado jamais poderia realizar o ritual com sucesso.
Em casos em que leigos tentaram fazê-lo, resultou em danos a esse e até ao possuído. Normalmente, uma sessão de exorcismo não é suficiente para purificar um indivíduo possesso.
Instantes finais
Há altos e baixos nesse trecho, como animais feitos com CGI de baixa qualidade, muitos sustos falsos - que é a marca ruim da franquia - e outras questões visualmente surpreendentes, como o lençol branco umidificado pelo sangue vermelho, a levitação da cadeira e os efeitos de maquiagem que modificaram a interprete.
O visual do ser interpretado por Bishara é bastante genérico e a solução final é tola e bem fácil.
Ligação com Amityville
Depois de solucionado o caso, perto do final, Lorraine desliga o telefone e diz a Ed que o padre quer discutir um caso em Long Island, que é uma referência ao mais famoso (e polêmico) episódio de contato paranormal, em Amityville.
A questão seria retomada em Invocação do Mal 2, logo no início, além de servir de base para Terror em Amityville de 1979 e Horror em Amytiville de 2005.
A trama termina adocicada, sem graves problemas, com as duas famílias bem, Ed guarda a caixinha de música em seu museu, o mesmo que anos depois seria aberto a visitação, com cobrança de ingressos bastante caros.
É uma pena que como efeito colateral o filme tenha ajudado a tornar as figuras de Ed e Lorraine Warren em heróis supostamente perfeitos. Um dia nos debruçaremos sobre várias de suas polêmicas.
Invocação do Mal tem é um filme extremamente correto em sua proposta. É julgado mais por seus filhotes profanos e menos pelas suas qualidades. Acabou inaugurando uma nova mania de fazer filmes baseados em relatos literários supostamente reais e solidificou James Wan como um arquiteto do horror moderno.









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