Aerobicídio - Massacre na Academia: o slasher para quem malha

Aerobicídio - Massacre na Academia: o slasher para quem malhaAerobicídio: Massacre na Academia é um filme conhecido por ter uma ideia completamente doida e insana como premissa. Dirigido e escrito por David A. Prior o longa lançado em 1987 parte de um lugar incomum como cenário de assassinatos no caso, em uma academia.

Esse é um daqueles filmes que tem vários nomes. No release que assisti o nome original é Aerobi-Cide, mas o filme do Winters Group e da Maverick Films Productions também é encontrado na grafia junta Aerobicide ou Killer Workout, fora as versões estrangeiras, em línguas que não o inglês nativo da fita. Essa multiplicidade de alcunhas é parte de uma velha estratégia de relançar o mesmo filme, a fim de ludibriar o espectador, que acredita que esse é um novo filme, seja em lançamentos no cinema, na televisão ou no mercado caseiro de video.

Não à toa o primeiro nome nos créditos é do produtor David Winters, que foi ator, estando presente no elenco de Amor, Sublime Amor de 1961 e da série Perry Mason dos anos 1960. Ele produziu também Golpe Sangrento (1987) e Motim na Espaçonave (1988), tinha especialização em produções B, de orçamento pequeno, normalmente produzidos pelo estúdio de propriedade dele, a Winters Group.

A trilha sonora é frenética, cheia de músicas dançantes que ajudam a embalar os treinos de pernas, braços, glúteos que ocorrem naquele local, onde há muita dança e alguns trabalhos com construção de músculos.

A história tem a tragédia já em seu início.

Valerie, uma linda mulher sofre uma morte dolorida, em uma sala de bronzeamento, que por sua vez está localizada em uma academia. Esse trecho certamente ajudou a inspirar momentos de morte em filmes de matança futuros, como uma cena em Premonição 2, lançado em 2003.

Não demora a muito a mostrar o cenário do epílogo já no tempo presente. Nele, Rhonda Johnson, a irmã gêmea de Valerie, administra a mesma academia que antes era comandada pela sua parente.

As mortes não começam a acontecer e o filme se dedica a desenrolar essa investigação. Apesar do filme ter mais de 30 anos, preferimos avisar que a partir da imagem dos pôsteres, vão ter spoilers.

Aerobicídio - Massacre na Academia: o slasher para quem malha

Não há muita introdução ou explicação aqui. O filme é apelativo, mostra uma mulher belíssima, que tira a roupa em meio a penumbram enquanto ouve os recados da secretária eletrônica. Ela age como se estivesse em um momento de exibição e mesmo nas sombras é fácil perceber suas curvas e sua ótima forma.

Enquanto a moça adentra na câmara de bronzeamento, a música cresce, embala as emoções que o público deve ter. A composição assinada por Todd Hayen - de O Presente do Demônio e Batman: A Série Animada - começa tímida e de cresce repentinamente.

O fogo toma a máquina e mesmo com os gritos de Valerie ninguém a atende. Com a mesma falta de tato e despreocupação narrativa a trama emborca para uma sessão aeróbica em uma academia, já na linha temporal de Rhonda.

As mulheres usando trajes curtos lembram o visual das fitas antigas de exercícios aeróbicos, que eram vendidas por telefone. Há figurinos super datados, que lembram o curioso Perfeição (1985), com John Travolta e Jamie Lee Curtis e programas fitness da época. Tudo aqui grita anos oitenta, mas o fato do filme soar datado faz ele parecer charmoso.

A ideia aqui e utilizar as mesmas características desse tipo de abordagem, tal qual os filmes comerciais e videoaulas, acrescentando um assassino misterioso e misógino, que ataca mulheres que estão sozinhas e vulneráveis.

Aerobicídio - Massacre na Academia: o slasher para quem malha

Logo é apresentada uma instrutora, Jaimy, personagem de Teresa Van der Woude, que fez Nunca Chame o Demônio (1989). Ao chegar atrasada ela tem bastante enfoque, fato que faz dela um despiste, ou um MacGuffin como Alfred Hitchcock gostava de chamar.

O roteiro de Prior dedica espaço a ela, colocando até um interesse romântico, mostrando ela sendo abordada de maneira bem veemente por Tom (Richard Bravo). Curiosamente ele se aproxima de maneira abrupta, com muita sede ao pote e esse modo de agir não é incomum no filme.

Quase toda a atitude dos homens é agressiva na hora do flerte. Eles são retratados como pessoas agressivas sexualmente. Agem ou como assediadores ou, no mínimo, inconvenientes.

Quando Jaimy chega, Rhonda - interpretada por Marcia Karr de O Demônio da Noite (1986), Maniac Cop: O Exterminador (1988) - a repreende, bem nervosa, uma vez que teve de cobrir a amiga na aula. Como patroa e parceira ela salienta que a personagem não pode chegar cinco minutos depois do horário previsto para a instrução.

Rhonda também tem um sujeito que a cerca de maneira incomoda, no caso, Jimmy Hallik, personagem de Fritz Matthews. Ele é outro que age tal qual um perseguidor. Suspeitos não faltam para o papel de matador.

Há um fato bem esquisito, quase tão pitoresco quanto a série de mortes de mulheres em um ambiente de exercícios físicos. Jaimy já se encaminha para o ambiente de trabalho com a roupa mega decotada e reveladora, ao invés de utilizar o vestiário para se trocar.

Aerobicídio - Massacre na Academia: o slasher para quem malha

Ou ela anda daquele jeito sempre ou na pressa já vestiu o collant para não demorar a entrar. Curiosamente a roupa valoriza demais o seu colo e coxas, ou seja, é mais um aspecto apelativo, típico de filmes de horror de baixo orçamento.

A trama segue apesar dessas indiscrições, com a instrutora encontrando uma das alunas mortas, em um armário, cuidadosamente colocada ali para chocar quem quer que andasse pelo vestiário. Aqui se percebe a mesma vocação do assassino para a arte, tal qual ocorria no clássico master dos Filmes da Matança em Halloween: A Noite do Terror, onde Michael Myers decorava os cenários com os corpos.

Após encontrar o primeiro corpo, a polícia é chamada. O responsável pelo caso se torna o canastrão tenente Morgan, interpretado por (David James Campbell), que possivelmente o ator mais terrível em matéria de desempenho dramático.

Aerobicídio - Massacre na Academia: o slasher para quem malha

Para piorar o personagem não é nada sútil. O policial cisma com Rhonda desde o primeiro momento, se aproxima atrás de pistas e ficha boa parte dos que frequentam a academia, que aliás, segue funcionando como se nada tivesse ocorrido.

Mesmo tendo um roteiro raso, há alguns acontecimentos pouco usuais para filmes de horror, como mulheres tomando a iniciativa sexual. A Debbie que Diane Copeland é um bom exemplo disso, já que não tem qualquer receio em chamar Chuck Dawson (Ted Prior) para sair. O curioso é que ela só se interessa por ele depois que assiste o sujeito dando um soco em outra pessoa, de maneira gratuita, diga-se.

Considerando que esse deveria ser um filme que condena a violência, privilegiar um rapaz só porque ele entrou em um conflito físico seria no mínimo contraproducente. Talvez a mensagem que o texto de Prior queira passar é que um ambiente que valoriza tanto curvas e músculos, a ação destemperada e agressiva é a mais correta.

O cineasta talvez queira condenar a cultura ao corpo, atrelando ela não só a agressividade e a vaidade exacerbada, mas também a falhas no caráter.

A maior parte dos releases do filme é de baixa qualidade. Cenas mais picantes - incluindo algumas sem interação sexual ou nudez - caem de qualidade bizarramente.

Já as cenas mais violentas, envolvendo mortes ocorrem em ambientes escuros, para esconder o orçamento ínfimo que Prior dispunha. Curiosamente o filme foi remasterizado para o formato bluray, mas não foi salvo da falta de nitidez na maior parte de sua duração.

A música animada ocorre em quase todo tempo, até mesmo quando se recolhem os corpos mortos. As pessoas falecem dentro do ginásio e nos arredores, mas nenhuma aula é suspensa. Mesmo quando as mortes acontecem durante o dia não se vê impacto, é como se o foco em manter a forma passasse por cima até da preservação da vida.

Não fica claro se a ideia é tecer uma crítica social, se é, falta sutileza e inteligência. Mostrar as mulheres como potenciais pessoas a ser violentadas e os homens como gente absolutamente passivas até é uma alternativa esperta, mas não é o suficiente para denunciar essa parcela da sociedade como nociva. A letargia não pode ser o principal fator de crítica na sociedade ocidental, ainda mais se a ideia é demonizar as pessoas que frequentam spas e academias.

Recai sobre Jimmy a suspeita de que é o assassino. Chuck o enfrenta, traz provas e revela ser um contratado do sócio de Rhonda na academia. A crença dele é que Hallick é o culpado pelos assassinatos, mas o que mais choca é que aparentemente só ele se importa com o caso, já que até o policial age de maneira contemplativa.

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Prior fez, Sledgehammer (1983), Zona de Ataque (1985) e Mercenárias (1987), filmes de ação de qualidade discutível, todos com orçamentos ridiculamente baixos. Também fez Presa Mortal (1987), Guerrilheiros Noturnos (1988) e Pelotão Vampiro (1991). Sua expertise é voltada para um cinema especulativo, que abraça o fantástico. Mas o que se nota aqui é algo diferente. Seu modo de contar história era bem cru nesse filme.

A câmera faz acreditar que o assassino é alguém careca, e logo mostra que a pessoa que aparece diante da câmera é a dona da academia, mas não Rhonda Johnson e sim Valerie.

O roteiro peca bastante nesse ponto, ao finalmente mostrar a pista junto ao fato do policial Morgan citando ela como principal suspeita. Não há tempo para o espectador digerir essa possibilidade, tampouco são dados grandes indícios dessa culpa.

O tenente não está de todo errado, mas claramente ele só pensa isso graças ao fato da personagem ser deformada, já que teve 70% de seu corpo queimado. Ele até tenta afirmar que esse não é motivo pelo qual ele acha que ela pode ser o assassino de identidade não descoberta, mas como ele só cita uma motivação dela como indício de culpa, fica parecendo que é isso.

Aerobicídio - Massacre na Academia: o slasher para quem malha

A frustração por ter sua carreira como top model interrompida seria a razão plausível para ela matar.

Ver pessoas em forma física condizente com o ideal de beleza provocaria nela inveja, por isso ela foi matando pessoas. No entanto o roteiro não dá subsídios para pensar isso dela fora o preconceito e um ou outro rompante emocional, que pode ser associado inclusive com nervosismo, como foi com o atraso que Jaimy cometeu no início do filme.

O plano de Morgan é interrompido. Ele algema a moça e a leva detida até saber que Jimmy matou Chuck Dawson. Ele se vê obrigado a liberar a moça, mesmo acreditando em sua culpa e vai até o sujeito, para prendê-lo, levando uma surra do mesmo. Ele é dos personagens o mais incompetente, sem dúvida.

O tropo de assassino deformado é um clichê terrível e revela uma preguiça narrativa gigante, além de ser um artificio preconceituoso. Associar o fato da mulher ter sido queimada com falhas de caráter não faz qualquer sentido.

A maquiagem queimada dela ao menos é bem-feita, convence levemente, mas segue sem sentido ela conseguir esconder tão bem suas imperfeições. O que não convence é a motivação de Jimmy em assumir a culpa.

Ela afirma que aceitaria até ir para a cadeia, já que era apaixonado por Rhonda desde sempre. Isso foi o suficiente para ele topar matar Chuck, desviando assim a atenção da polícia junto a sua amada. A retribuição que recebe é o assassinato, é morto por Valerie, em um movimento de suposta legítima defesa, e perece sabendo disso, sabendo quem ela era na verdade.

Mesmo aceitando a moça como ela era, não poderia viver ou ter seu amor incondicional minimamente retribuído. Pode até parecer que esse é um bom comentário do filme, mas não, é tudo bem sem profundidade.

Vale lembrar que o filme não faz questão nenhuma de estabelecer mistério nisso. É dado que ela é o assassino e é isso mesmo... Morgan tenta enquadrar Rhonda/Valerie, fazendo justiça com as próprias mãos, tal qual seu pai em um evento no passado, segundo o seu próprio discurso.

Aqui a coisa se exacerba, com ele anunciando para a moça as suas intenções, que no final, dão errado. Ele é tão incompetente que é alvejado de novo, novamente sem armas, mesmo que ele estivesse armado.

Valerie é uma mulher insaciável, mas não no sentido sexual e sim na fome por matar pessoas em boa forma. Já que ela não pode atingir o auge de sua própria beleza, em sua visão deturpada de mundo, ninguém mais poderia. É uma mensagem ruim, mas tem a sua lógica, embora o caminho para esse fim não seja construído minimamente a contento.

Aerobicídio é uma grande bobagem faz pouco sentido em suas elucubrações, especialmente quando alude ao caso de amor não correspondido. Ao tentar parecer comovente, soa patético, além de ser repleto de personagens vazios, que agem sem sentido, com planos falhos e burros.

4 comments

  1. teste iptv 4k 27 abril, 2025 at 10:42 Responder

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