Review: The Flash S02E10 - Potential Energy

A segunda temporada de Flash não se compara mesmo com a sua excelente primeira incursão na TV. Enquanto no ano anterior a trama parecia mais fluída e melhor direcionada para um drama mais envolvente acerca do protagonista, os novos episódios tem sofrido pelo excesso e pela falta de foco. Agora, com um retorno morno depois do hiato de final de ano, a adaptação adiciona incoerência à lista de problemas encontrados.

A falta de lógica em questão diz respeito ao conflito pessoal de Barry em decidir se conta ou não à Patty sobre sua carreira como super-herói velocista. Depois de revelar sua identidade para um vilão na primeira temporada e até mesmo para Linda Park na atual, já virou até motivo de piada a falta de cuidado do personagem quanto ao seu maior segredo. Focar um episódio inteiro em um dilema baseado nisso, envolvendo sua atual namorada, que já demonstrou ser capaz de guardar silêncio em relação a assuntos estranhos (vide Dr. Wells), é um tremendo contrassenso.

Outro drama forçado e clichê é a introdução de Wally West como um "garoto-problema". Impossível não revirar os olhos de tédio, com o pensamento de "sério? Nossa, que inesperado!" quando o garoto discute com seu recém-descoberto pai. Graças a simpatia do espectador com o Joe West, esse conflito acaba se tornando menos incômodo, mas ainda assim é outro ponto abaixo do que a série já entregou em termos de carga dramática.

Por outro lado, fica clara a intenção do episódio em dar continuidade à trama da temporada no sentido da batalha com Zoom. A introdução do novo vilão, o Homem-Tartaruga (Aaron Douglas, de Battlestar Galactica) vem como interessante solução ou arma contra o principal antagonista e o dilema do Dr. Wells acaba funcionando melhor que toda a trama central de Potential Energy. Infelizmente o Tartaruga não oferece nada além disso, com uma motivação fraca e desprovida de novidades (em certo ponto sua ameaça lembra até mesmo a do Dollmaker de Arrow) e está presente apenas como futuro elemento de roteiro.

É visível como a série força o melodrama neste retorno e, como se não bastasse, adiciona uma plot secundária relacionada a Jay Garrick, até porque o personagem estava "sobrando" no programa e até agora pouco justificou sua presença como "mentor", prometida antes da estreia da temporada. O romance com Caitlin ajuda um pouco o desenvolvimento do personagem nesse momento mais urgente, mas não sai muito do lugar comum, no sentido de colocar uma doença que só poderá ser vencida com a volta de seus poderes.

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Apesar de todos os problemas apresentados, The Flash continua, sim, uma série divertida. Oferece boas sequências de ação e efeitos visuais, enquanto o carisma de seu elenco sustenta a falta de argumentos mais palpáveis e menos clichê. Mas a série já mostrou anteriormente a sua capacidade de surpreender, ou seja, existe, ao lado do fã, a esperança de que nessa segunda metade da atual temporada, algo mais aconteça para levantar novamente a adaptação e colocá-la, como no ano passado, lado a lado dos melhores "concorrentes". A cena final adiciona mistério e uma boa dose de expectativa com qual nova regra a respeito de viagens no tempo e realidades alternativas será introduzida. Até o momento, no entanto, o seriado não saiu da zona de conforto, que por sinal nem deveria ser tão confortável, por não seguir a mesma qualidade anterior.

Alexandre Luiz

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