Crítica (Blu-ray): Um Dia de Cão - Edição Especial de Aniversário 40 Anos

diadecao40anosSinopse: Baseado na história verídica de um assalto A banco em 1972, esta obra- prima premiada com o Oscar® * apresenta Al Pacino como um dos assaltantes de banco mais incomuns que já apareceram em filmes, e com o indicado ao Globo de Ouro John Cazale como seu parceiro de crime.

O Filme: Em determinado momento do assalto a banco liderado por Sonny (Al Pacino), o criminoso é entrevistado por telefone, ao vivo, por uma emissora de TV que cobria o “evento”. Irritado com as perguntas, o protagonista questiona ao jornalista: “Por que você não fala de coisas que conhece?”. Impedido de falar com o verdadeiro Sonny, o roteirista Frank Pierson se baseou em um artigo de jornal para escrever Um Dia de Cão, longa baseado em uma situação real que ocorrera em 1972, no Brooklyn, Nova Iorque. A pergunta da versão interpretada por Pacino parece ressoar pelo roteiro, uma vez que, se não poderia obter o lado real, o autor transforma o texto em um comentário relevante para a época e, porque não, para os dias de hoje também.

O filme, dirigido por Sidney Lumet, completa 40 anos em 2015 e acaba de receber uma caprichada edição em Blu-ray, repleta de extras e com imagem remasterizada (mais sobre isso abaixo), tudo para torná-lo ainda mais atemporal, como o clássico que é. O fato é que, mesmo se tratando do relato de um acontecimento real, Um Dia de Cão toca em vários pontos importantes e funciona como um complexo estudo de personagem que ressoa ainda, talvez por conta da evolução das últimas 4 décadas ter sido mais voltada para a tecnologia do que para a sociedade. Assim, a obra se torna menos a trajetória de um sujeito emocionalmente desequilibrado que resolve assaltar um banco para conseguir dinheiro suficiente para a cirurgia de mudança de sexo de seu companheiro e mais uma análise de como a polícia lida com isso, ou como a mídia faz a cobertura, ou ainda, e não menos importante, como o público vê em um ato totalmente descabido, um símbolo de rebeldia e coragem, simplesmente pelo descontentamento com instituições financeiras.

Um dos grandes destaques em Um Dia de Cão é a sintonia do elenco, que conta com John Cazale, James Broderick e Charles Durning. Mas é no núcleo formado pelos funcionários do banco que a química se faz presente, em um crescendo que parece não ter fim. Ao se encontrarem confinados com os dois assaltantes, os personagens criam uma forte ligação, seja pelo estresse ou por algum sentimento além do medo, e tudo graças à total entrega do elenco e a direção de Lumet. Conhecido por ser um cineasta rígido e não muito aberto a improvisos, ele abriu uma exceção para este filme e deixou os ensaios fluírem para além do roteiro. O resultado são atuações incrivelmente convincentes, com os atores reagindo aos acontecimentos de forma natural.

Com grandes momentos, que vão desde o famoso grito do personagem de Pacino referenciando outra tragédia, ocorrida em Attica, até uma conversa improvável entre o protagonista e sua mãe, dizendo tudo que o espectador precisa saber sobre o relacionamento de ambos sem nenhum momento de exposição, este é um clássico obrigatório na coleção de todo cinéfilo.

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Vídeo: A remasterização do longa está impecável. A versão em Alta Definição traz todos aqueles elementos que os puristas (como este que vos escreve) adoram: a textura da película, evidente principalmente nas cenas noturnas, conduzidas com pouca luz pelo diretor de fotografia Victor J. Kemper, permanece intacta. É notável o trabalho de restauração do filme, que não teve boas edições nos formatos anteriores. O VHS era horrendo e o primeiro DVD tinha sérios problemas. Mas no Blu-ray, Um Dia de Cão parece ter sido realizado nos dias de hoje.

Áudio: A faixa em Dolby mono pode não trazer grandes atrativos, uma vez que não contém elementos de surround, mas não faz feio. O áudio original em inglês está totalmente limpo e o espectador que não precisa de legendas certamente não terá problemas em compreender os diálogos.

Extras: Um lançamento desse não poderia ficar sem uma quantidade significativa de material adicional. Assim, com um documentário dividido entre as fases de produção, os fãs do filme não tem do que reclamar. Entrevistas com Pacino, Lumet, com produtores e outros membros do elenco são bem completas e relembram as dificuldades em levar um filme com temática homossexual para os cinemas. Não apenas um bom relato da produção, mas um interessante recorte sobre a história americana naquele momento dos anos 70. Há também um pequeno featurette sobre o diretor, produzido na época de Um Dia de Cão e uma faixa de comentário em áudio do próprio Lumet, aprofundando ainda mais em sua análise do impacto do longa para a época.

Alexandre Luiz

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