Mostra on-line trouxe obras de temática queer, para apreciação do público, no streaming da Darkflix
Provavelmente os leitores notaram que a frequência de textos nesse Cine Alerta diminuiu substancialmente. Isso ocorreu por motivos pessoais, mas estamos trabalhando para consertar isso.
Pois bem, esse analista não está com tempo sobrando por isso precisamos reformular a grade de texto, para adequar às novas condições e dito isso, avisamos que não deixamos de assistir algumas obras legais, nesse meio tempo, entre elas, algumas selecionados no festival do streaming Darkflix Plus, a FantastiQUEER .
O evento ocorreu entre os dias 20 e 30 de junho, em atenção ao Mês do Orgulho LGBTQIA+, mas a maioria desses títulos ainda está disponível no catálogo.
Fazemos então alguns breves comentários, a respeito das obras, sobretudo as brasileiras e menos acessíveis em streamings, confira:
O Bosque dos Sonâmbulos (2016) de Matheus Marchetti

O curta-metragem de Marchetti é um filme de terror e romance, que brinca com elementos de dark fantasy. Começa com um plano sequência, em um lugar que aparenta ser uma sala super chique, mas que pode ser encarado como um quarto de um hospital psiquiátrico.
Nesse momento, tudo é dúbio, com mulheres cantando ópera, de uma forma tão lúdica que deixa em aberto se aquilo realmente aconteceu ou não.
Crianças discutem sobre vampiros, como eles morrem e a diferença entre mitologias, também há alguns bons momentos musicais, com vocais e instrumentais bem inspirados, além de momentos de luxúrias, violência e elementos de exploração dos mortos vivos.
É basicamente um filme ensaio, com diversas cenas belas e outros momentos nonsense. Como a duração é curta, não existe muito por onde se entediar com esse.
As Núpcias de Drácula (2018) de Matheus Marchetti

Essa é curiosa por, primeiro, ser mais longa do que a maioria dos filmes da mostra, visto que tem pouco mais de uma hora de duração.
Além disso, é baseado no romance de Bram Stoker. O filme varia entre momentos sem cor e com tonalidades gritantes, que lembram até tons dos filmes do cineasta italiano Dario Argento.
Há momentos poéticos, mostrando pessoas com rosas vermelhas no lugar dos olhos, também se utiliza bem canções clássicas, como a música Lago dos Cisnes, de Piotr Ilitch Tchaikovski, localizada no início, tal qual ocorria com os filmes do Conde feitos pela Universal Pictures dos anos 1930.
O ilme resgata elementos do romance como o diário de Jonathan Harker, evita a figura monstruosa do Vampiro, para mostrar ele apenas como o sedutor, baseando em flertes entre homens belos e sexualmente ativos. Essa aliás é uma boa escolha, que exacerba o conteúdo homoerótico que sempre existiu nos contos de vampiros.
Fala das criaturas do Conde, das Crianças da Noite, de Nosferatu, da insônia comum aos "chupadores de sangue", da contaminação que Drácula fez com o cenário e com as pessoas da vila, que ou se tornaram caçadores noturnas ou viraram as vítimas da ação.
Tem boas cenas, Marchetti valoriza os cenários naturais e brinca com o cair da noite, aludindo a capacidade do vampiro maior de andar pelo lado externo do mundo quando ainda há alguma luz solar. É onírico, psicodélico, hipnótico e contemplativo, ainda acerta por mostrar os vampiros como vetores da luxúria, do prazer e dos instintos básicos do sexo.
Queens vs Zombies from outer space (2020) de Danilo Morales

Esse curta é uma comédia com elementos de filmes de ação e ficção científica, que é protagonizado por "bonecas". Se inicia em um casamento entre uma mulher trans e um sujeito cisgênero, um truqueiro pilantra, que enrola algumas moças com "algo a mais".
A questão da invasão interplanetária é relegada a insignificância, especialmente quando é comparada a participação do elenco de moças "montadas".
Resulta em uma bobagem, publicada para que a trupe de moças pudesse aparecer e brilhar e chega a ser bem engraçado em alguns pontos. Os efeitos do alienígena são bastante elogiáveis, diga-se.
Vale das Bonecas (2020) de Danilo Morales

Esse é um documentário curioso, no formato longa-metragem, que resgata a origem dos shows performáticos de "transformistas" do Vale do Paraíba em São Paulo.
Apresentado por Morgana Loren, oriunda de Jacareí (uma das cidades da região) que é uma drag queen pioneira da região. Ele passa por São José dos Campos, Jacareí (a terra natal de Morgana) Taubaté e outras pequenas cidades. Passa por muitas entrevistas, é alegre, elétrico e colorido, mas pouco aprofunda.
Dá um panorama geral, sobre a vida noturna e a cena.
Esse é bem menos inspirado que Travesqueen, que é da mesma equipe criativa, pensando hoje talvez soe um pouco generalista em seu conteúdo, mas há de lembrar que essas são pessoas normalmente invisibilizadas, largadas a margem ou à sarjeta social ou literal.
MEB : Matadouro Extra Blood (2025) de Danilo Morales

Esse é um curta ficcional e dramático bastante curioso, que faz paralelos bíblico, possuindo um tom bastante jocoso.
Filmado em preto e branco, possui algumas maquiagens feitas com efeitos práticos sensacionais, mas que são claramente bastante baratas, tendo sua qualidade aumentada pela escolha de filmar com esse tipo de cinematografia.
Tem zumbis, referências a um Adão decadente, falastrão e gordo, cita Eva, Lilith, possui muitos diálogos expositivos e há tons meio de novela e pornochanchada.
Morales usa seu esforço para referenciar a cinematografia de George A. Romero. Faz isso bem, de certa forma e o faz por meio de devaneio e ilusão, uma fantasia em forma de besteira, de uma família que mora e tira sustento de um matadouro de mortos vivos.
O Solar dos Prazeres Noturnos (2025) de Matheus Marchetti

Esse é um curta curioso, também por sua forma de exibir a sua cinematografia, variando em momentos em preto e branco e outros muito coloridos.
Adapta A Queda da Casa de Usher, conto de Edgar Allan Poe, de uma forma Confessional, uma conversa com um ex-ator mirim, bem forte, profunda e emotiva, onde ele confessa fragilidades mentais e histórico de doenças neurodivergentes na família.
O filme faz bastante referência ao personagem do catolicismo São Sebastião, que é sempre encarado como símbolo gay, diga-se de passagem.
O filme grita poesia e louvor a literatura de Poe.
Travesqueen, A Cultura de Ballroom no Vale do Paraíba (2005) de Danilo Morales

Esse filme nasceu após a exploração de Vale das Bonecas. Curiosamente, mesmo sendo bem menor em duração se comparada a sua obra irmã, acaba sendo ainda mais profunda.
Ele parte da fantasia fabulesca criativa e engraçada de Morales e Morgana Loren, é narrado em primeira pessoa por Marcelo Macrina, que é o nome de batismo da Drag Queen.
Esse filma resgata o passado das "transformistas" do Vale do Paraíba, fala da cultura dos Ballroom nos Estados Unidos, indo obviamente para exploração desse mesmo local no interior de paulista, no Vale da Paraíba.
Em sua exploração, mostra que ser da comunidade LGBT era algo passível de ser criminalizado, as pessoas eram perseguidas, mortas e quando sobreviviam, se relegavam a guetos.
Também aborda a inspiração das performances nos ensaios da revista Vogue, do estilo de dança que se originou dele e até da música homônima de Madonna, que ajudou a tornar esse movimento algo ainda maior.
Os discursos mais chamativos são os de Kika Medina, uma moça que se apresenta pela noite, de Aria Mariah Vieira, que esteve também no longa mas que fala mais profundamente aqui.
Mais o destaque maior certamente é o discurso de Brunielly Ramos, que dá seu testemunho como pessoa que passou por marginalidades pesadas e que atualmente, vive na sobriedade e tranquilidade.
Travesqueen aborda muitas histórias, algumas pesadas, emocionantes, gente que se orgulha de ter vivido de cara limpa, sem dependência química, outras que até traficaram.
Em suma, mostra como viver como alguém marginalizado não é fácil e encarar essa postura como "opção" é só ridículo, excludente e cruel.
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Esse último parágrafo resume bem o motivo para se ter todo um mês de celebração da diversidade. Uma pena que o lado pessoal desse redator tenha impedido de escrever antes - também ocorreu que os últimos três curtas só saíram no dia 30 de junho - mas é bem sempre demarcar território.
Se antes essas classes e pessoas eram tratadas como nada, importa pouco, hoje há holofotes e microfones voltados para essas pessoas, ainda poucos, se considerar toda a contribuição artísticas geradas de pessoas do "vale".
Ainda há o que lutar e o que defender e o esforço para tornar visíveis esses dramas, humores e graças é contínuo, sempre deverá ser.
Feliz mês do orgulho, atrasado...mas feliz!









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