Alerta Sonoro: Foo Fighters destroem tudo no Lollapalooza Brasil

Fonte: Lollapalooza/Divulgação

Fonte: Lollapalooza/Divulgação

Qualquer fã que tenha visto algum dos diversos DVDs ao vivo do Foo Fighters já sabia o que esperar do show de ontem à noite da banda, como headliner da primeira edição brasileira do festival Lollapalooza: Nada menos que uma das maiores experiências quando o assunto é rock n’ roll. Mas, ao vivo, meu velho, essa certeza é potencializada ao extremo. E o status da banda como uma das maiores (senão a maior, visto que pelo menos eles ainda lançam discos que chamam a atenção do mainstream, em tempos tão insossos nas paradas) bandas de rock da atualidade ficou mais que sacramentado nessa noite memorável.

Não choveu, como prometido pela previsão do tempo – o que acabou criando um bolsão de calor no Jóquei Clube, um enorme campo aberto em meio aos prédios da Zona Sul paulistana, onde o público amontoado há horas clamava por copos d’água que eram atirados do além pela organização do evento. Orientados pelo relógio digital no alto de um dos prédios do local, às 20:29 (um minuto antes do horário programado para início do show), os fãs iniciaram uma contagem regressiva, somente por farra. No entanto, foram surpreendidos com os primeiros acordes de uma das três guitarras no palco, seguidos pela abertura com All My Life. Parece que banda e público estavam de fato sintonizados.

Dave Grohl entra no palco como um “gigante do rock”, passeando pela passarela no centro do palco para que mais pessoas na multidão possam vê-lo de perto. Sem dúvidas há uma grande diferença entre o Dave de 2001, quando a banda tocou no Rock In Rio, e o de 2012. Naquela época, o Foo Fighters acabava de lançar o terceiro disco, o bem-sucedido There Is Nothing Left To Lose, e, mesmo sendo já bastante popular, ainda era considerado certo exagero colocar a banda no mesmo patamar das principais atrações do festival – grandes ícones como Iron Maiden, Guns N’ Roses, Rob Halford e R.E.M.

Ontem, no entanto, a história era outra: Dave e sua banda agora contam com sete bem sucedidos álbuns nas costas, e um último álbum considerado impecável por fãs e críticos. Em tempos em que os grandes figurões do rock parecem viver somente de seu passado, ou lançam novo material que acaba passando longe da MTV e dos iPods da molecada, isso é motivo o bastante para que aparente mais confiança e experiência no palco. Afinal, não é qualquer um que reúne 70 mil pessoas em uma noite.

E foi com essa presença que Dave liderou os Foo Fighters em uma sequência de músicas agitadas, incluindo sucessos do segundo ao último álbum da banda. Após a abertura, vieram, sem pausa: Times Like These, Rope, The Pretender, My Hero, Learn To Fly e a agressiva White Limo, que causou a eclosão de algumas “rodas punk” no meio da multidão. A agitação e a cantoria (e gritaria) coletiva não cessavam, mesmo com Grohl confirmando os comentários da imprensa durante essa turnê, mostrando que está com alguns problemas na voz, que vem falhando em alguns momentos – algo que não é muito de se estranhar, visto como ele vem gritando feito um louco desvairado há anos em suas músicas, algo que não é para qualquer vocalista.

Os ânimos só deram uma acalmada durante a música Arlandria, mas não porque o show esfriou, mas sim porque o público precisava respirar. Mas os Foos tocam alto, e forte, e deixaram isso claro logo na próxima música - o sucesso Breakout, da trilha do filme Eu, Eu Mesmo e Irene. Em seguida, Dave apresentou a banda, e exigiu solos do guitarrista Chris Shiflett – que improvisou em umas escalas de blues, sem impressionar – e do baixista Nate Mendel – que se negou a tentar um solo de baixo, apesar de ameaçar algo no estilo disco music, ao ser provocado por Grohl. Mas, quando chegou a vez do ex-Nirvana Pat Smear, ele simplesmente destruiu sua guitarra, batendo com ela no amplificador e chutando-a pelo chão até que a expulsasse do palco. Grunge forever. Na apresentação deTaylor Hawkins, o baterista se mostrou emocionado com a receptividade do público sul-americano, segurando o choro enquanto era ovacionado. Fez seu solo, que nada mais foi que mais uma representação vigorosa do excelente desempenho que já vinha demonstrando durante o show. Em seguida, disse que só estava tocando no Brasil porque Dave escrevia canções incríveis. Então, a dupla trocou de posição, com Dave assumindo a bateria e Taylor o vocal na música Cold Day In The Sun.

A segunda parte do show trouxe músicas esperadas, como Stacked Actors - que foi sendo misturada com uma música do Queens of The Stone Age e transformada em uma Jam de blues, com direito a um gaitista surgindo no palco -, a emotiva Walk – seu último videoclipe -, e o megahit Monkey Wrench, que botou a galera para cantar a “parte gritada” durante mais uma das frequentes e inesperadas “paradinhas” da banda. Mas também ouve espaço para boas surpresas, como Big Me – uma das músicas mais conhecidas do primeiro álbum -, a bonita e injustiçada Generator e Hey, Johnny Park – uma das mais marcantes do álbum The Color And The Shape, ainda tido como favorito por muitos fãs.

Após um cover de Pink Floyd a la Foo Fighters – In The Flesh, com Taylor cantando novamente -, o encerramento pré-bis veio com a “semibalada” Best of You. Dave foi surpreendido pelo público, que cantou em uníssono os “oh-ohs” da música, enquanto levantavam folhas de papel com “OH” escrito. Foi um momento tocante que emocionou o líder da banda, mas teria sido mais bonito não fosse uma ação promocional de uma empresa que estampou seu logo discretamente em todas as folhas, e tivesse partido somente dos próprios fãs*.

Enquanto o público esperava pelo encore, Dave e Taylor surgiram no telão, em uma imagem diretamente do backstage através de uma câmera com nightshot ligado, negociando com o público sobre quantas músicas deveriam tocar a mais. Tudo obviamente planejado, mas com todo aquele senso de humor característico da dupla, o que não poderia deixar de ser divertido. Voltando ao palco, após uma sequência de músicas antigas (Enough Space, For All The Cows) e uma nova (Dear Rosemary, em que Taylor fez as vezes do vocalista convidado para a versão de estúdio, Bob Mould), Dave fez um discurso emocionado sobre seus “heróis do rock” – os amigos da banda Jane’s Addiction, cujo vocalista é organizador do festival – e chamou ao palco outra heroína, que teria inspirado Pat Smear a tocar guitarra.

Sim, era Joan Jett em sua participação já esperada e previamente anunciada. A pioneira do rock feminino esbanjava vitalidade, mostrando-se uma verdadeira personificação do rock n’ roll, ao tocar e cantar o sucesso Bad Reputation com os Foos. Mas a surpresa mesmo veio logo na sequência, com I Love Rock N’ Roll, em uma parceria até então inédita e um baita presente para os brasileiros. Com quatro guitarras simultâneas, a versão apresentada não poderia fazer mais jus ao nome da música, tornando-se um verdadeiro deleite para ouvidos roqueiros. A heroína do rock saiu do palco pedindo beijos para o público, em português.

A última música, como não poderia deixar de ser, foi a romântica Everlong – aquela que não pode faltar em um show do Foo Fighters, e que foi cantada por todo o público. Ao final, com a guitarra de Pat Smear praticamente enfiada no amp, ecoando um feedback infinito e ensurdecedor, terminou o massacre sonoro de duas horas e meia da banda liderada pelo cara que, enrolado na bandeira brasileira, prometeu não demorar mais tanto tempo para voltar a tocar aqui. E assim esperamos. Boa sorte para os Arctic Monkeys  hoje à noite, para tentarem fazer algo ao menos 25% tão inesquecível no encerramento do festival... Pensando bem, 10% estaria de bom tamanho, vai.

SETLIST

1. All My Life
2. Times Like These
3. Rope
4. The Pretender
5. My Hero
6. Learn to Fly
7. White Limo
8. Arlandria
9. Breakout
10. Cold Day in the Sun (com Dave Grohl na bateria e Taylor Hawkins nos vocais)
11. Long Road to Ruin
12. Big Me
13. Stacked Actors (com trecho de "Feel Good Hit of the Summer", do Queens Of The Stone Age)
14. Walk
15. Generator
16. Monkey Wrench
17. Hey, Johnny Park!
18. This is a Call
19. In the Flesh? (Pink Floyd cover)
20. Best of You
Encore:
21. Enough Space
22. For All the Cows
23. Dear Rosemary
24. Bad Reputation (Joan Jett cover, com Joan Jett)
25. I Love Rock 'n' Roll (The Arrows cover, com Joan Jett)
26. Everlong

*NOTA [10/04/2012]: A iniciativa do flashmob durante a música Best of You partiu de fãs que se organizaram através de um fansite. A empresa em questão realizou uma ação de divulgação vinculada ao flashmob, em troca de ingressos que foram sorteados entre os fãs. O parágrafo deste texto que comenta a ação reflete somente a opinião do autor.

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5 comments

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    Simone 8 abril, 2012 at 20:59 Responder

    Uma das matérias mais detalhadas sobre o show do FF que li hoje, seria muito melhor se o jornalista Mauro A. Barreto não desse uma escorregada básica nas suas informações ao dizer que o coro escrito do OH em Best of you foi uma ação promocional de uma marca… Isso nos dá sempre a mesma sensação de que jornalistas mais expressão sua opinião do que informam fatos!
    Esse coro escrito há mais de dois meses vinha sendo discutido e pensando pela comunidade que mantém um perfil de fãs banda no Brasil e nós mesmos quem nos encarregamos de imprimir e distribui-los durante o show.
    A marca simplesmente usou a forma mais barata de fazer marketing quando deu ingressos para um sorteio entre os fãs da comunidade no face, o que foi bom para ambos. Uma pena somente não termos levado mais para ser um coro de 70 mil pessoas! Valeu galera do FFBR.

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    Vicki 8 abril, 2012 at 23:14 Responder

    Perfeito comentário, Simone! Vim pra endossar, já que minha intenção era escrever exatamente o que vc relatou. Só vou um pouquinho mais longe: o Twitter e o Facebook são abertos a quem quiser consultar, caso tenha havido uma preguicinha de checar os fatos e ir direto ao site do FFBr. Eu nem faço parte da equipe, mas créditos têm que ser dados a quem os merece. Se fosse algo calculado, talvez o cartaz tivesse sido distribuído na entrada. O fato de não serem 75 mil mãos erguidas com um "Oh" só torna a manifestação mais autêntica.

    No mais, uma bela descrição do show. Discordo que "amornamos" em Arlandria, mas talvez fosse porque estivessem todos emocionados, já que não raro ela é citada como a favorita do novo álbum. Minha ela o é, certamente.

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      Jorge 12 abril, 2012 at 05:43 Responder

      Muitos aqui estão enxergando os fatos superficialmente. Todo mundo acha que dona karina e seu diego são ótimas pessoas. Vão conhecer pessoalmente eles , vivam 24 horas colados com eles. A iniciativa dos fãs foi ótima .. e bem recebida pela banda de fato. Mas não endeusem essas pessoas .. pelamordedeus!! Até esse site ficar pronto rolou muita agua debaixo dessa ponte e eles sempre foram escusos e escrotos.

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      bianca 12 abril, 2012 at 05:47 Responder

      O twitter e o facebook é aberto sóp pra quem concorda com o site .. se você discorda já era. É limooooooo ( e nem to falando de White Limo). Quem merece alguma coisas somos nós fãs! Não um ou outro … vocês ficam ai concordando com isso ou aquilo, mas com certeza Dona Trident se beneficiou de uma grande sacada … o fanatismo em relação a banda. Nem o proprio material eles chegaram a distribuir como foi cogitado .. na entrada do joquéi! E vocês inocentes se fazendo de "outdoors" … francamente galerinha! Tudo isso tem dinheiro envolvido por tras e vocês nem tão sabendo!

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    mauroAB 9 abril, 2012 at 04:40 Responder

    Simone e Vicki, obrigado pela informação sobre as placas de "OH", mas, como disse no texto, "teria sido mais bonito se … tivesse partido SOMENTE dos próprios fãs."

    É realmente uma questão de opinião, mas é difícil uma resenha, seja de show ou qualquer coisa, não ser algo – também – opinativo, concordam? De forma alguma estou desmerecendo o trabalho dos fãs. 🙂

    Agradeço por terem gostado do texto. Abraços.

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