Longa de Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto é a obra mais pop e mais madura do diretor, que elegeu Wagner Moura como seu muso

O cinema brasileiro tem uma tradição de trazer obras seminais em suas fileiras, seja dentro de movimentos próprios como o elogiado Cinema Novo e a criticada Pornochanchada, ou mesmo em produções blockbusters como os Favela Movie e os filmes mais experimentais que povoam o cinema do Recife.
Aparentemente, Kleber Mendonça Filho resolveu em seu O Agente Secreto se valer desse último movimento citado, afinal, é dos diretores do secto o mais conhecido, mas também alude ao cinemão hollywoodiano, a poesia do ecrã contemplativo nacional e toda a verve das falas ácidas, piegas e engraçadas típicas do audiovisual brasileiro.
Em sua tentativa de fazer um épico sobre tempos tristes e violentos, acaba saltando os olhos de seu público já cativo, expandindo para plateias maiores, no Brasil e no mundo, reunindo nesse micro universo um conjunto de personagens carismáticos e anedotas hilárias.
Concorrente a prêmios da academia, a obra foi lançada em 2025, se postou como o principal expoente brasileiro ao Oscar e é dirigido por KMF, que escreveu o texto e coproduziu.
É uma coprodução entre Brasil, França, Países Baixos/Holanda, Alemanha, Estados Unidos e México.
Destaca-se também um elenco repleto de atores potentes, como o baiano Wagner Moura em papel múltiplo, Hermila Guedes, Maria Fernanda Cândido, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Tomás Aquino, Isabél Zuaa e o finado alemão Udo Kier.
Formam o corpo de produtores Emilie Lesclaux, também os produtores executivos Dora Amorim e Brent Travers. Juliana Soares é assistente de produção executiva, são coprodutores Olivier Barbier, Sol Bondy, Fred Burle, Erik Glijnis, Fionnuala Jamison, Elisha Karmitz, Nathanaël Karmitz, Wagner Moura, Olivier Père e Leontine Petit.
São produtores associados Julian Haisch, Martín Kalina, Yasmine Talli e Nicolás Pérez Veiga.
Sem medo do formato
Os detratores de KMF normalmente reclamam que seus filmes fogem de uma normalidade e são absolutamente artificiais.
Em alguns momentos isso pode sim ser verificado, mas a pergunta que fica é: no cinemão comercial dos Estados Unidos, em países como Itália, Espanha, França, ou em praças japonesas e chinesas, há compromisso com a realidade?
Ora, se nem mesmo documentários tem compromisso 100% real com isenção ou realidade, que dirá a ficção assumida como tal.
Com Aquarius e Som ao Redor a crítica a Mendonça é até acertada nesse sentido, ali há muitos exageros, mas nesse O Agente Secreto essas condições são tão estilizadas que se tornam charmosas.
É um filme que sabe ser comercial e que não abre mão do lirismo típico dos antigos teatros de revista e da influência folhetinesca das telenovelas antigas.
Ou seja, ele é o que é, abusa de seus formatos e não tem medo de soar como uma obra que prima por uma artificialidade.
Escrito no estrangeiro
Grande parte do roteiro foi escrita por Mendonça Filho em um pequeno escritório no Cinema Utopia, em Bordeaux, na França.
Já familiarizada com os outros trabalhos do cineasta brasileiro exibidos em sua programação, a equipe do cinema o recebeu de segunda a sexta-feira, geralmente das 10h às 18h. Seu escritório ficava em uma antiga torre do prédio medieval.
Retorno de Wagner
O filme marca o retorno de Wagner Moura a um projeto brasileiro — além de sua estreia na direção com Marighella em 2019 — depois de uma série de papéis em filmes e séries internacionais.

Seus últimos trabalhos em língua portuguesa haviam sido lançados em 2014, trabalhando em Praia do Futuro, Rio eu te Amo e Trash: A Esperança vem do Lixo. Curiosamente, os três filmes são coproduções internacionais.
Depois desse esteve na premiara Narcos, como o protagonista Pablo Escobar, Wasp Network: Rede de Espiões, Sergio, Iluminadas, Agente Oculto, Gato de Botas 2: O Último Pedido, Sr. & Sra.Smith e Guerra Civil.
Nesse meio tempo, fez a narração de uma animação brasileira, em 2021, conhecida como Meu Tio José.
Inspiração
Os filmes de Kleber Mendonça Filho frequentemente olham para o passado do Brasil para iluminar o seu presente — uma perspectiva ligada à sua mãe, a historiadora Joselice Jucá, a quem este filme é dedicado.
A sua parente foi personagem em seu filme anterior, aparecendo em material de arquivo em Retratos Fantasmas.
Esse documentário reúne lembranças, recortes, material de terceiros (com gravações de entrevistas de Joselice) e antecipa boa parte dos momentos desse O Agente Secreto, em especial na construção do personagem Seu Alexandre, de Carlos Francisco.
Esse foi realizado sem roteiro, sendo assim uma ode ao Recife e ao passado do Brasil.
Há até um easter egg que faz referência a Retratos Fantasmas, em uma cena em que Wagner Moura olha por uma janela, uma ponte ao fundo mostra o mesmo homem visto em uma fotografia do filme anterior, também usada no pôster francês.
Estreia
A primeira exibição do longa foi em Cannes recebeu uma ovação de 13 minutos ao final de sua exibição.
Passou em diversos festivais pelo mundo, em junho, foi no Sydney Film Festival, em julho passou no Cinéma Paradiso Louvre, Jerusalem Film Festival, em agosto no polonês Two Riversides Film and Art Festival, no New Zealand International Film Festival, Melbourne International Film Festival e Telluride Film Festival.
Em setembro passou no Toronto International Film Festival, no Brasil passou em uma premier em Recife. Nesse mesmo mês, foi exibido no Festival de Brasília e passou por alguns festivais, como a Mostra de São Paulo e Festiva do Rio.
A Estreia comercial nos cinemas foi em novembro de 2025 e passou até meses depois do começo de 2026.
Aviso com som
Antes do lançamento, Kleber Mendonça escreveu uma carta especial aos projecionistas e técnicos de cinema de todo o Brasil pedindo que exibissem o filme com volume alto para preservar o desenho de som pretendido.
Ele sugeriu um nível calibrado de 7,5, observando que a cena de carnaval — o momento mais barulhento do filme — deveria soar “como se você estivesse dentro dos festejos, mas ainda dentro de limites tecnicamente seguros.
A mensagem enfatizava a importância do som como um elemento central do impacto do filme sobre o público.
Recepção do público
Com menos de um mês em cartaz, o filme atraiu quase um milhão de espectadores e tornou-se o lançamento brasileiro de maior bilheteria de 2025.
Nomenclatura
Se chama O Agente Secreto na maioria dos locais. Variações incluem El Agente Secreto, The Secret Agent, L'Agent secret, do croata Tajni agent, italiano era L'agente segreto.
O pôster internacional do filme preserva sua identidade brasileira ao fazer referência a Operários, a icônica pintura modernista de Tarsila do Amaral.

Pintada em 1933, a obra apresenta 51 rostos distintos representando a diversidade étnica e social da classe trabalhadora de São Paulo no início do século XX.
O quadro é considerado um marco do modernismo brasileiro e atualmente está no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.
Locações, gravações e estúdios
As filmagens ocorreram durante 10 semanas, de junho a agosto de 2024, em Recife, Brasília e São Paulo.
A montagem foi realizada em Recife ao longo de oito meses, a partir de agosto de 2024.
Em Recife, se gravou no Parque Treze de Maio, na Ponte Velha, em diversos locais pelo centro e em estradas de interior. Na capital nacional, se gravou no Edificio Morro Vermelho
As companhias que fizeram o filme foram a CinemaScópio Produções, MK Productions, ONE TWO Films, Lemming Film, Arte France Cinéma, MK2 Films, Ad Vitam, Primo Content e a Rotor Film.
A distribuição no cinema foi da Vitrine Filmes e a Netflix pegou a obra para exibição em streaming.
Quem fez:
Kleber Mendonça Filho fez os curtas Vinil Verde, Eletrodoméstica, Recife Frio, e outros.
Também entregou os longas Crítico, O Som ao Redor, Aquarius, Bacurau, Bacurau no Mapa, Retratos Fantasmas e esse O Agente Secreto.
Emilie Lesclaux é esposa do diretor e trabalhou em alguns dos seus filmes, contando curtas e longas, como produtora e eventualmente, como produtora executiva. Recife Frio, Som ao Redor e Bacurau são exemplos da parceria, mas ela também produziu Seu Cavalcanti, Dormir de Olhos Abertos, foi produtora executiva em Permanência e coprodutora em Yellow Cake.
Wagner Moura é um ator de mão cheia.
Tem participações diversas no cinema brasileiro, como em Abril Despedaçado, Deus é Brasileiro, Carandiru, O Homem do Ano, O Caminho das Nuves, Cidade Baixa, Ó Pai, Ó, Saneamento Básico, O Filme, Vips, e claro, Tropa de Elite e Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro.
Na televisão fez trabalhos como a minissérie política JK, a novela icônica Paraíso Tropical e produções internacionais, como Narcos, Iluminadas e Sr. & Sra. Smith.

No estrangeiro, atuou em Elysium, Sergio, Guerra Civil e Gato de Botas 2: O Último Pedido.
Narrativa
A trama de O Agente Secreto inicia misturando fotos de artistas diversos, da música e do audiovisual, além de personagens do cinema, ao som de uma locução de rádio, seguida pelo Samba do Arpége, de Luis Bandeira e Waldir Calmon.
A colagem inclui cenas com Lucélia Santos e Rubens de Falco da novela A Escrava Isaura, o grupo Os Trapalhões, Chacrinha, cantores como Clara Nunes, Caetano Veloso e Maria Bethânia, os atores Tarcísio Meira e Glória Menezes e imagens dos filmes Dona Flor e Seus Dois Maridos e Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia.
No posto São Luiz, Marcelo (na verdade, Armando) estaciona seu fusca amarelo. Antes de parar, ele se impressiona com um corpo estendido no chão.
O fusca
Um dos motivos para escolher o carro de Armando como um Fusca amarelo é uma referência sutil a O Iluminado de Stanley Kubrick, que também começa com um carro do mesmo modelo e cor.

O Volkswagen Fusca de 1972, apelidado de “Piu-Piu”, foi emprestado à produção pelo distribuidor de produtos veterinários Antoliano Azevedo.
O carro havia sido comprado anteriormente por R$ 8 mil. Após as filmagens, o Fusca foi devolvido ao proprietário e posteriormente exibido em exposições.
O frentista explica que o corpo que está no chão do posto. Não tem nada a ver com isso, chamaram a polícia, mas é Carnaval e vai demorar até recolherem o defunto.
O sujeito não pode sequer sair, com risco de perder o emprego, se o fizer.
Os primeiros agentes da lei
A polícia enfim chega, mas ignoram o funcionário e o morto, estão atrás do fusca dirigido por Wagner Moura.
Entre inspeções de pneus, extintores de incêndio, fica dúbia qual é a intenção deles. Detalhes em suas roupas demonstram descuido com o vestuário, com manchas de sujeira, em um local que é impossível não notar.
Perguntam se o sujeito anda armado, ele diz que não e essa seria uma questão pontual em seu destino. Também se destaca um carro familiar, que se assombra com o corpo, antes de seguir rumo a sua folia carnavalesca.
No final, o sargento pede ajuda na caixinha da polícia e leva os cigarros do rapaz, visto que ele gastou o último valor que guardava.
Todo esse momento é apenas a chegada do personagem de Moura, que aproveita o período de pausa no começo do ano para viajar até a sua cidade natal, no caminho sertanejo, é "atacado" por uma La Ursa, fantasiada, claro, típica do Carnaval pernambucano.
La Ursa é uma celebração tradicional popular no Nordeste do Brasil, especialmente em Pernambuco e Paraíba. O costume foi trazido por imigrantes europeus, deriva de antigos espetáculos de circo e apresentações de povos romani, nos quais um urso, seu treinador e um caçador entretinham o público em troca de dinheiro.
A fantasia de urso costuma ser feita com retalhos de tecido, veludo ou juta, e inclui uma máscara colorida de papel-machê que lembra a cabeça de um urso.
O Pesadelo do Menino
Antes de apresentar o tal menino que seria um dos protagonistas dessa história - o garotinho que é filho de Marcelo - são mostrados outros membros da mesma família, de outros policiais.
Euclides e seus dois filhos vão para o Instituto de Oceonagrafia de Pernambuco. O pai é feito por Robério Diógenes, e chega cheio de confetes pelo corpo, afinal, brincava o carnaval, até ser chamado para suas obrigações.
Entre teorias de que foi Zezinho quem fez isso e reclamações de que Aristeu enche o saco, ele encontra a doutora Inês (Fabiana Pirro) não quis mexer na peça/perna sem a polícia, mas não deixa o legista mexer com canivete.
Estilo
KMF é contemplativo, move lenta e cuidadosamente a perna para fora, enquanto se percebe que o fim do animal foi justamente por ter ingerido algo tão grande quanto uma perna de humano adulto.
A cena de quando a perna humana dentro de seu estômago foi parcialmente inspirada por Tubarão, um filme que Kleber Mendonça Filho admira profundamente e que se tornou um monumento cultural dos anos 1970.
A referência também tem um significado pessoal para o diretor, já que sua cidade natal, Recife, enfrenta problemas reais relacionados a ataques de tubarões.
A morte dessa pessoa não é culpa do bicho e sim uma missão bem-sucedida, de alguém que apagou quem quer que fosse. Vira um objetivo reaver aquilo, tal qual é uma missão tentar arrumar um rumo para o personagem de Moura.
Marcelo toma um banho das crianças, antes de entrar na casa condominal de dona Sebastiana, a governanta carismática e engraçada, feita por Tânia Maria.
Esse papel foi escrito especificamente para a atriz, seu nome verdadeiro é Sebastiana, exatamente como o da personagem. Ela também é fumante há mais de 65 anos.
A participação nesteveio após sua bem-recebida aparição como figurante no filme anterior do diretor Kleber Mendonça Filho, Bacurau. Depois disso, foi convidada a participar de outros projetos ligados ao diretor, incluindo o filme Seu Cavalcanti e a futura série Delegado.

Interação com Wagner
Membros da equipe de produção inicialmente decidiram não contar a Tânia Maria que ela contracenaria com Wagner Moura, com receio de que isso a deixasse nervosa.
No entanto, mudaram de ideia, preocupados que ela pudesse se assustar ao encontrá-lo no set, então a avisaram pouco antes, mas a reação dela foi curiosa, de perguntar quem era ele.
A atriz explicou que a última novela que assistiu foi Pai Herói, em 1979 e que não tinha hábito de ver televisão, tampouco era cinéfila. A atriz acabou criando grande afeição por Moura, a quem descreveu como um homem gentil e generoso.
Edifício Ofir
Haroldo (João Vitor Silva) dá uma cervejinha de boas-vindas ao novo inquilino, que é Marcelo. Seu braço imobilizado chama a atenção, especialmente porque no gesso está escrito Hospício Ofir, em referência ao edifício de mesmo nome.
Clóvis (Robson Andrade) ajuda levar as malas, depois, o protagonista conhece um casal de angolanos Tereza Victória (Isabél Zuaa, entrou no projeto enquanto estava de férias, aceitando o papel antes mesmo de saber qual personagem interpretaria) e Antônio (Licínio Januário) e fica na casa de Geisa, a sobrinha saudosa de Sebastiana.
A residência vem com a gata de rosto duplo, chamada de Laiza e Elis. O animal é interpretado por Janus e recebe o nome de Liza Minnelli e Elis Regina, como uma homenagem às duas cantoras icônicas dos anos 1970.
Para boa parte dos analistas, a ideia da gata ter duas faces é um paralelo com a maioria dos moradores do edifício, que possui mais de uma identidade.
Pouco tempo depois, conhece Joana e Maria, e Claudia (Hermila Guedes) professora e mãe de uma menina, chamada Débora. Antes que ela possa falar qualquer coisa, já fica claro que ela é livre e desquitada, uma vez que Sebastiana fala tudo e atalha caminhos.
O final da longa participação da mestre de cerimônias resulta na instrução de que ele vá até a repartição, no dia seguinte, 5 horas da manhã.
Perspectiva
Kleber filma enfim o menino, coloca Fernando (Enzo Nunes) para analisar as páginas de jornal, vendo anúncios de cinema, além de desenhos em folhas de papel.
Enquanto isso, sua avó olha para fora, abre a porta, abraça o genro e decreta que a sua paz acabou de vez.
Os dois vão para o carro e lá brincam, falam sobre a perna de tubarão, que foi anunciada no rádio, sobre a saudade da mãe, que partiu por uma doença.

Fernando é muito novo, não sabe lidar bem com a perda, sequer fica claro se o que ele sente é luto, visto que perdeu a mãe quando ainda era um bebê.
Sua curiosidade mira entender como será a vida dele, se será ao lado do pai e se um dia, a parente que não está mais lá, voltará.
Marcelo tenta se fazer de forte, afirmando que a memória de Fátima, a personagem de Alice Carvalho que é a mãe do menino, segue vivo com eles, com as saudades e com a memória que ambos guardam.
Ao menos é o que ele imagina, visto que ele a tem muito vivida na memória, mas aos poucos, o menino perde esse referencial.
Transito e carga
A câmera de Mendonça Filho transita, passa para um outro carro, em outro estado.
No rádio, toca Love to Love you baby, de Donna Summer, passa a mostrar pai e filho (enteado, na verdade) o tenente Augusto Borba (Roney Vilela) e Bobbi (Gabriel Leone) encontram Oliveira, sujeito esse que pode ou não ter a ver com a velha que carregam.
Atiram na mala, matam sem nem exibir quem eles mataram, posam assim tal qual os diversos matadores dos filmes estadunidenses de Quentin Tarantino, sendo tão moralmente toscos e malvados como os diversos bandidos que aparecem em tela nas fitas do diretor de Kill Bill e Cães de Aluguel.
Diferenciados
Bobbi é curioso, mais emocional, quer saber quem eles mataram, até acompanha com o olhar o corpo caindo rumo ao mar. Age como se tivesse uma coceira, que não dá pra coçar.
Curiosamente isso o condenaria.
Os dois atores fazem papéis bem diversos do que normalmente faziam.
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Vilela sempre foi alguém icônico, mas não havia ainda feito alguém que combinasse tanto com sua persona, como é a desse sujeito, que é um militar aposentado, expulso da corporação por ser um escroque.
Já Leone fez várias novelas, fez mocinhos, vilões, interpretou o bandido Pedro Dom em Dom da Amazon - papel completamente diferente desse - e interpretou Ayrton Senna na série da Netflix, mas sua versão do mauricinho violento, que busca aprovação paterna de alguém que sequer é seu pai de verdade é única.
Visita
Seguindo na esteira de mostrar famílias, padrasto e enteado encontram pai e filho, no escritório dos Ghiroti.
Salvatore, o filho do contratante feito por Gregorio Graziosi - diretor de cinema, responsável por Obra e Tinnitus - datilografa as informações importantes, que são devidamente ignoradas pelo executor, que prefere ouvir do chefe da operação, o executivo Henrique Ghirotti.
O local em que estão é a Ghiroti Componentes do Brasil, uma empresa familiar, grande, que carrega, vaidosamente, o sobrenome do seu idealizador.
Ao conversar, tratam o alvo como "essa é a pessoa". Equanto ouvem a proposta, Bobbi tenta pegar o whisky do pai e recebe um beliscão como prêmio.
O trato envolve a módica quantia de 60 mil cruzeiros, mais gastos. O engenheiro tenta sugerir 40, mas depois de negociarem, decidem pagar 30 no ato e 30 depois, obviamente com gastos e despesas de viagem e hospedagem.
A missão é a de ir até Recife, a terra onde o sujeito, que tem cara de rico está. O personagem de Luciano Chirolli pede um tiro na boca, quer que ele "vire boneco", como bom falador que é.

Deseja transformar ele em uma coisa. Isso casa bem com a data festiva do carnaval, onde bonecos rodam as ruas de Recife, Rio de Janeiro, São Paulo Salvador etc.
Quer que ele vire parte de uma paisagem, descaracterizado.
Feira
Sebastiana interrompe a intimidade de Marcelo, que tinha, justo nesse momento, a boca examinada, pela vizinha dentista.
Segundo ela, Valdemar chegou, só nesse momento ele descobre o destino de Geisa, morta pelo noivo, que estava enciumado por ela ter ganho uma bolsa de estudos.
Sebastiana fica em negação, assim como Valdemar (Thomás Aquino) que proíbe o termo refugiados, no espaço, mesmo que de fato, todos que estão ali sejam perseguidos ou na mira dos assassinos, que podem ou não ter ligação com o regime governamental de Ernesto Geisel, que aliás, está em diversas fotografias pelas repartições.
O presente, ação dos agentes da lei e a repartição
Flávia (Laura Lufési) trabalha ouvindo fitas cassetes, gravadas com depoimentos das pessoas que estão na história. Sua participação seria melhor desenrolada mais para frente.
Os policiais leem o jornal, Sérgio (Igor de Araújo) e Euclides, falam da perna encontrada, zombam do estudante de agronomia também, que é o provável dono daquela parte.
O delegado gosta de ler, o faz não só para se informar, mas também para se precaver de qualquer fala de qualquer "comunistazinho" possa falar ou defender.
Esse momento da entrada de Marcelo - que é o codiome de Armando - seria um dia de folga, mas ele e seus companheiros vão trabalhar na repartição da policia para fingir que ali é o seu ambiente.
Já no começo, fala com Anísio (Buda Lira) o chefe da repartição e o sujeito que o ajudaria a procurar o documento que ele obsessivamente busca.
Ele destaca que Marcelo é pontual, aliás, o único que chegou no horário combinado, o olha com estima e carinho, além de solidariedade, visto que é um aliado da causa, portanto, é como uma espécie de agente secreto também.
Pergunta se o cabra é paulista, pois não identifica o seu sotaque, mas não. Nesse ponto, também se destaca a funcionária engraçada (e caricata) Elisângela (Geane Albuquerque) mas o que chama atenção de fato, é o motivo de ter serviço em dia fora da programação.
O prédio é público, cuida de tirar registros burocráticos e dentro da estrutura, há um espaço para o delegado e seus homens, mas naquele dia, na área nobre, no escritório de Anisio, Euclides receberá uma mulher rica, que colherá o depoimento, depois que a filha de sua serviçal morreu, enquanto estava sob os seus cuidados.
A sequência é pesada, faz refletir como nessa época, de ebulição e perseguição, haviam pessoas menos especiais ainda, mais excluídas do que o comum, especialmente se considerar a elite.
Inspiração
A cena foi inspirada em um caso real ocorrido em Recife, no Brasil.
Em 2020, um menino de 5 anos chamado Miguel Otávio Santana morreu após cair do nono andar de um prédio enquanto estava sob a supervisão da empregadora de sua mãe, Sari Corte Real.
Assim como no filme, a delegacia abriu antes do horário normal para colher o depoimento dela.
O comentário é obviamente sobre o sistema de justiça frequentemente é manipulado ou flexibilizado para proteger determinados indivíduos ou grupos privilegiados.
O diretor enfatizou que essa dinâmica está ligada à classe social e ao poder que uma pessoa possui, tornando o tema mais sobre desigualdade estrutural do que sobre um único caso específico.
O homem forte da lei
Só o fato daquela ter se tornado uma delegacia improvisada já mostra o tamanho da influência do "doutor" Euclides Oliveira Cavalcante, que simpatiza de cara com Marcelo e se orgulha do número de mortes no carnaval, diz que vai passar de 100 - no impresso, diz que são 91.
A persona nova de Armando se apresenta como Marcelo Alves e quando conversa com Anísio sobre Euclides ouve que ele é o chamado ser humano imperfeito.
Nessa partem, ele ainda ouve que Sergio, o filho branco feito por Igor de Araújo, é péssimo e digno de Deus defender ele.
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Um lugar como outro qualquer
Na parte escondida da repartição, são flagrados dois funcionários, que basicamente aparecem só na cena em que ambos estavam se pegando, na sala de arquivo.
Ou seja, é um lugar onde tudo pode acontecer.
Anisio trabalhou de 1966 a 73 ali, sabe de cor onde estão os documentos, dos homens, mulher é mais difícil, não há a mínima noção se está ali ou se não está. Ele é aliado de Elza, a personagem de Maria Fernanda Cândido, que seria introduzida mais à frente.
Entre conflitos da empregada com a patroa e visitas do delegado a mesa de Marcelo, ocorre um convite, para ver uma quase celebridade, um veterano da segunda guerra, interpretado pelo recentemente finado Udo Kier.
O alemão que esteve em Bacurau faz aqui um alfaiate idoso e requisitado e que já demonstra que odeia a figura do policial, que o trata como um macaco de circo, pedindo para ele mostrar suas feridas, sem sequer notar que, ao contrário do que ele pensava, o sujeito não era um soldado nazista e sim um judeu, que faz questão de esconder a Menorah que usa em sua mesa, assim que o sujeito chega.
Apela, diz que está cansado, tem ódio no olhar.

Segundo Mendonça Filho, o alfaiate é a representação dacomunidade judaica do Recife.
Como o delegado é ignorante, novamente não percebe embaixo do seu nariz que essa é uma identidade secreta e mentirosa de Hans, como é com Marcelo e Armando, como seria com os matadores do Rio de Janeiro, que ele encontraria logo depois.
Este foi o último papel de Udo Kier no cinema. O ator só aceitava papéis coadjuvantes quando esses deixavam uma forte impressão no público.
Ele aproveitou uma estadia de uma semana em Recife, filmou todas as suas cenas em um único dia.
Chegadas
Em conversas telefônicas com João Pedro (Marcelo Valle) Armando tem noção do seu destino, enquanto toca Guerra e Pace de Ennio Morricone.
Ao passo que o telegrama com o número chega para o funcionário paranoico - que não permite falar ali por conta de um grampo de telefone -, também adentra o estado pernambucano Bobbi e seu padrasto.
O motivo das conversas telefônicas é justamente essa, mas essa questão não ocorre isolada, ao contrário. 1977 era movimentada, na fachada de cinemas, evangélicos pregam, contra o filme do anticristo que estrelava - A Profecia, que é outra prova de filme grandioso do terror americano.
Em meio a possibilidade de reprisar Tubarão, graças a perna, Marcelo ouve de seu Alexandro que ele queria levar Fernando para ver a obra spielberguiana, mas ouve um não dele, que é a autoridade suprema nessa relação.
Jaws de Steven Spielberg foi coincidentemente relançado nos cinemas brasileiros, por causa de seu 50º aniversário em 2025. Em muitos cinemas, trailers de Tubarão eram exibidos imediatamente antes das sessões de O Agente Secreto, criando uma ligação inesperada entre os dois filmes.
Esses momentos servem como despiste, mas não somente para tal. Está lá para empregar um pouco de alívio, permitindo até que seu Alexandre fale da janela que Fátima gostava de sentar, quando vê Marcelo ali.
O filme abriu a chance de tornar o cinema um alvo turístico.

Ainda se abre possibilidade para conversas ácidas, como a discussão da infidelidade ou não do rapaz, que diante dos seus dramas, é bem menos espinhoso.
Se ele raparigou ou não raparigou é de fato algo irrelevante.
Conversa na sala secreta
João enfim ligou para ele e disse que Armando está com o nome da polícia federal, manda procurar Elza, a personagem mais importante dessa história, segundo o próprio.
É ela quem dá a planta, do que ocorreu e ocorrerá com o personagem principal. Junto de Valdemar, conversa com o sujeito e com seu sogro.
Elza diz que teve receio do filme de Richard Donner e que Valdemar quase se borrou, já Alexandre se importa em chamar o genro por outro nome, que não Marcelo, fato que faria uma grande diferença, na parte mais comprometedora do filme.
A base de seu Alexandre
O personagem projecionista Alexandre foi inspirado em Alexandre Moura, cujo trabalho como projecionista de cinema em Pernambuco foi retratado no curta-documentário Homem de Projeção, uma das primeiras obras de Kleber Mendonça Filho e em Retratos Fantasmas.
Mendonça tomou a liberdade criativa de modificar o lugar onde Alexandre trabalhava, uma vez que ele trabalhava no Art-Palácio, um dos cinemas que ficava na frente do São Luiz e que está desativado.

Há inclusive cenas bem emocionantes, como essa acima.
Revelações duras
A personagem de Maria Fernanda Cândido diz que a ideia para preservação de Armando é uma espécie de programa de proteção a testemunhas, só que mambembe, com o famoso jeitinho brasileiro.
A diferença básica do que normalmente ocorre em filmes estadunidenses é que a ideia é proteger ele do próprio Brasil e não de um inimigo externo. O opositor era interno, era alguém de dentro.
Quer arrumar um passaporte falso, o que é curioso, visto que ele não tenha cometido crime algum, tampouco fez algo que desabonasse.
Ele se preocupa, não queria estar naquela situação e não completamente o que ocorreu para ser perseguido. Seu Alexandre acha que ele tem que defender o que tem ainda, tem que sair e não manter posição.
O caso Ghirotti
As gravações que Flavinha trabalha são justamente sobre o caso de Henrique Castro Ghirotti. Nesse ponto, Elza até desliga o gravador em um primeiro momento, ou seja, se a ideia da narrativa é contar o que Flávia sabe, essa parte ou é off topic ou é parte de uma fantasia dela, talvez baseada em outros pontos de gravação, que podem ou não ter contado o que Armando falou, fosse por ele ou por parte de terceiros.
Em tom confessional ele diz não ser uma pessoa violenta, diz que matava esse cara com um martelo, que esbagaçava a cabeça dele com um martelo. Valdemar pergunta se ele anda armado e ele diz que não, mas que sabe usar um martelo.
Armando era o responsável do departamento de pesquisas da faculdade, jpa Ghirotti era membro do Conselho da Eletrobrás que e ligado ao Ministério de Minas e Energia
Ele achava que Armando era alguém diferente, de acordo com seu currículo.

Diz que ele devia tomar um banho de indústria, tem atenção grande até ao tamanho de suas madeixas, visto que ele usava cabelo comprido.
O engenheiro Marcelo mostra a estrutura, a máquina de curtume de couro, o protótipo do carro elétrico, as pesquisas e até estudantes de intercâmbio, vindos de Quebec, Canadá e de Leeds na Inglaterra.
Desmonte
A ideia Henrique é dissolver tudo, supostamente para frear gastos públicos altos, mas é na verdade para pegar patentes. O personagem de Moura percebe isso muito rapidamente.
O discurso do homem velho é de que tudo está muito solto, embora toda a pesquisa esteja em diário oficial, ainda fala-se que a região é tão carente que deveria se preocupar com coisas mais urgentes, como se tentar desenvolver um carro elétrico fosse ambição para São Paulo, Rio de Janeiro, ou estados do sul.
O discurso de Armando só passa pela esposa Fátima quando o pai dela volta para a sala secreta. Diz que a reunião ocorreu depois de um jantar, que era sobre uma pesquisa com bateria de lítio, que é de Armando.
O faro do sujeito de origem italiana - que muito o orgulha, diga-se - era esse, de que usou a máquina pública para entrar no mercado.
No entanto se destaca o fato de que Alice Carvalha vocifera que aquela foi uma conversa ofensiva.

Ela é tratada como um objeto, como um acessório, até mesmo quando é elogiada por Henrique Castro.
Todo esse momento é tenso, cheio de provocações não só do Ghirotti pai, mas também de Salvatore, o filho escroto dele. É dificil ficar incólume.
Carvalho teve que conciliar as filmagens deste projeto com seu trabalho na novela Renascer, da TV Globo, viajando para Recife em seu único dia de folga e filmando sem ter lido o roteiro completo.
Ela contou com a orientação dos colegas.
Ao deixar o destino de Fátima sem resolução, o filme espelha como muitas histórias de vítimas foram apagadas ou distorcidas, fazendo com que ela exista apenas por fragmentos de histórias e de memórias.
A saudade não tem o peso de um registro histórico e se falar dela, mesmo que em gravações secretas, grafa na memória como ela era. Nesse ponto, ainda se reflete sobre desaparecimentos políticos durante a ditadura militar no Brasil, abrindo a chance de que ela não tenha morrido de causas naturais.
Orgulho e destino selado
Alexandre se envaidece com os elogios da finada filha - talvez, um pequeno afago do genro, afinal, o sogro achou que ele raparigou...
Mas o foco é no perfil do pai e filho que chegaram ao Recife.
Nesse ponto, Borba e Abdias são formalmente apresentados. A dupla é do interior do Rio, o mais velho, Augusto Borba, é ex-tenente do exército, expulso, em Minas Gerais.
Já Bobbi é enteado dele, teoricamente eles estão juntos desde que Augusto matou a mãe do rapaz.

Em meio ao torpor e a raiva pela perseguição ao genro, Alexandre acaba soltando que Fátima era sadia, reforçando a ideia de que a morte dela foi encomendada, armada, em ambos os sentidos.
Essa fala ocorre enquanto o rapaz reflete sobre os 4 dias para o passaporte chegar - justo o período de carnaval´, período da estadia dos matadores no Recife.
A perna cabeluda
Antes que Euclides encontre os dois matadores, o sujeito com ambos os filhos vão roubar a perna perdida.
Nesse ponto, KMF coloca em tela uma lenda urbana divertida e pitoresca, conhecida em Pernambuco e agora canonizada no cinema mundial.
Essa é uma história folclórica popular originada na cidade de Recife, que versa sobre uma criatura sobrenatural na forma de uma perna branca e peluda, com unhas grandes, que ataca pessoas à noite com chutes e rasteiras.
A lenda tem várias possíveis origens: uma delas diz que teria sido criada por um jornalista como história fictícia para justificar casos de violência e vender jornais.
Outra seria sobre um suposto incidente real envolvendo uma perna encontrada em um rio. Alguns atribuem a difusão da história ao jornalista e escritor Raimundo Carrero, que teria usado a narrativa para publicar casos que poderiam ser censurados pela ditadura militar.
Antes de aparecer no filme a lenda havia inspirado folhetos de cordel, livros, quadrinhos, uma música de Carnaval e até o nome de um bloco de rua. Também aparece na faixa Banditismo por uma Questão de Classe, de Chico Science.
Antes dos policiais corruptos entrarem na ponte, começa a rodar a prensa dos jornais, falando da perna cabeluda.
Só então ela cai na água. É nesse ponto que Bobbi liga ao São Luiz e não se tem a mínima segurança de não entregar informações dele - também, não haveriam de saber que ele era alvo.
Euclides pega os dois, se cumprimentam. Os pais se cumprimentam como grandes camaradas, adulando-se mutuamente. Apresentam os filhos, pelo nome, Bobbi é Abdias (que não gosta da alcunha) enquanto Euclides fala de Sergio, o filho da mãe e Arlindo (Ítalo Martins) que é o filho de criação, provavelmente fruto de alguma indiscrição do delegado com uma empregada. Não tendo coragem de abandonar o rapaz, o trata como filho adotivo.
Patentes e capivaras
Euclides quer ser chamado de doutor e Augusto de primeiro tenente. No meio da conversa informal, evitam falar de suas missões, mas o agente fluminense pergunta se vai ter passeio, negando que naquela noite farão algo.
Na beira do lago, se notam capivaras molhadas, com a ação que enfim ocorre d perna perdida, que se mistura a lenda local da representação da tal perna cabeluda, no Parque 13 de Maio, local de pegação gay da cidade recifense.

Essa invade a tela como uma sombra, que chuta e ataca os estudantes que transam - a maioria usa perucas e está pelada, a sequência é caricata e forçada, também para evocar a repressão que esses grupos sofriam.
O relato dos jornais é lido pelo sotaque angolano de Teresa, por que segundo a personagem de Hermila Guedes, fica mais engraçado.
Enquanto todos riem do quão pitoresca a situação é, Marcelo se aproxima e quebra duas coisas: a expectativa e o silêncio.
Assume ser Armando, logo depois de tentar falar com seu filho, sem sucesso. Toma cachaça, diz que quer viver e assume também que está ameaçado de morte.
Ele não consegue falar com o filho, ou seja, não conseguiu trocar palavras com o filho, para alegrar ela, Sebastiana diz do seu passado em Sassuolo, onde foi estudar música, mas onde conheceu seu saudoso Andrea, e onde foi anarquista e comunista.
Seu passado de guerrilheira a preparou pata ser assim, para receber as pessoas.
Na cena da janta, é possível ver na parede um pôster da famosa ginasta romena Nadia Comăneci. Na época retratada, Comăneci havia acabado de alcançar a nota 10 nos Jogos Olímpicos de Verão de 1976, realizados em Montreal e era um símbolo da Romênia comunista.
Transfusão de Sangue
O nome do terceiro capítulo alude quase ao final, mas começa mostrando um pesadelo de Marcelo, que varia entre uma noite com Claudio e outra com Fátima, mostra o visual dele como Armando, lá atrás e inclui tanto a Ursa quanto o corpo estendido no chão do posto, na cena inicial.
Logo depois ele acorda, no susto e mostra os homens que cortaram a linha de sua vida, com Bobbi e Augusto indo com Irineu atrás de um matador, no caso, o icônico Vilmar, Kayoni Venâncio, o ator foi escolhido através de um teste via redes sociais, através de vídeos.
Vilmar é baseado em um matador famoso, que foi protagonista de O Pistoleiro de Serra Talhada, Vilmar Gaia, o Vingador do Sertão. Toda a história de como ele venceu a concorrência é muito boa.
O sujeito trabalha descarregando açúcar e é menosprezado pela dupola, sobretudo pelo mais moço.
Ele pede 4 mil, visto que o alvo tem "pinta de gente fina". Descreve até sua arma, uma 38 meio longo. Não gosta como Abdias fala, chamando o serviço dele atual de trabalho de bicho.
Pede 2 mil adiantado, então Severino (Erivaldo Oliveira) do cinema São Luiz, também recebe notas. Sem saber - ou talvez não se importava tanto ao ponto de perguntar - entregou o amigo e seu genro.
Enquanto toca um fragmento Witchs Curse Alexandre vai na direção de entregar o genro.
Enquanto isso, Marcelo segue caçando um documento da sua mãe, a Índia. Ele está empenhado, mas não consegue achar, Elisângela torce por ele e vira sua escudeira na repartição.
Seu Alexandre dá um desenho de Fernando a ele, deixa claro para o matador quem é Armando, ao passo que o pai lê que o filho está esquecendo enfim sua mãe morta, fato que prenunciaria parte do grande drama de esquecimento e apagamento do que se viveu e não mais é lembrado.
Entrega
Vilmar pergunta por Armando, ele finge que não é com ele, e sai.
Ambos atores, cada um ao seu modo, atuam baseados no silêncio, tentando, de maneira tensa, levar sua missão à frente, um tentando exterminar e outro tentando sobreviver.

O matador tem certeza do que é e Armando/Marcelo, que por vez, dá um golpe de vista e vai a Euclides.
Arlindo e Marcão (Toinho Mendes) vão atrás de Vilmar, começa uma confusão bizarra. Há muita troca de tiros, em cenas de ação bem elaboradas e com efeitos práticos sensacionais.
Nesse ponto se passeia pelo Recife, com o matador distribuindo e espalhando sangue pela rua, já no pós Carnaval, afinal, repartições públicas funcionam esse dia.
Depois de longa perseguição, das baixas na polícia e do confronto de Bobbi, que seguiu Vilmar através do sangue no asfalto, tal qual fizeram João e Maria fizeram com pães - aqui sangue, no caso - as coisas se encaminham para um desfecho trágico.
Elza liga para Anísio, Armando atende e diz que seu tempo em Recife acabou, enquanto o barbeiro cobre Abdias, com uma folha do Diário de Pernambuco.
Retorno
Flavinha fala com Dani (Isadora Rupper) sua companheira de trabalho na universidade. Ela decide ir ao Recife, visitar doutor Fernando, o filho do homem.
Nesse ponto, Fernando é Wagner Moura, com ele, ela fala de sua origem, que é mineira, mas mora em São Paulo, doa sangue e grava com ele, que só conversou com ela depois de muita insistência.
Discutem sobre a vó dele, Índia, que foi engravidada pelo filho de uma família rica, em Bonito-PE. Ela tinha 14 anos e era uma serviçal, escravizada em um tempo muito posterior a abolição e da Lei Áurea.
A descrição é que ela era índia e o pai dele, ou seja, o pequeno Armando, era muito bonito.
Ele assume que tem dificuldade de falar desse assunto. Armando foi criado pela parte rica da família e Índia nada pôde fazer, foi simplesmente alienada do filho, que sentiu tanto sua falta que queria obstinadamente arrumar qualquer documento sobre ela.
Sequer fica claro se ele arrumou ou não, visto a interrupção de sua joranda, abrupta e agressiva.
Flavinha diz que o material disposto a ela e Dani era muito importante e confidencial. As fitas chegaram pela filha de Sara Gebler, que era conhecida como Elza.
O material foi recolhido, pois tinha muita coisa importante e possivelmente comprometedora ali.
A atriz Laura Lufési, comentou sobre o final divisivo do lionga:
É um anticlímax, e algumas pessoas se sentem desconfortáveis — o que eu acho positivo e exatamente o que Kleber pretendia. Não há melodrama, não há cor; é cru, mas tem emoção. O final foi feito para inquietar. É real, é duro. As pessoas perguntam: ‘É assim mesmo que termina?’ Sim. Acho que o filme é sobre memória, mas talvez ainda mais sobre esquecimento. E isso é cruel, porque afeta não só a história de Marcelo, mas também a do filho dele — e as gerações que virão.
Conclusões de um épico triste e carente de redenção
Moura é bom no que faz, é um Fernando confuso, breve, calado e quase choroso, é um Armando forte, obstinado e indignado e um Marcelo resignado, melancólico, que se sente injustiçado mas que sabe que precisa de uma mudança, rápido e que peca pela letargia.
Essas são pessoas complexas, com um grupo de emoções diferenciadas, com pouco ou muito tempo de tela, ainda versa sobre memórias apagadas, sobre Fernando ter apagado o pai também, das lembranças, não por ignorância ou ingratidão, mas sim por conta do Implacável tempo e possivelmente por trauma.
Entre coincidências de trabalhar em um hospital hematológico onde era o Cine Boa Vista e a proximidade dos parentes de Flavia, na praça Chora Menino, o filme acaba, louvando o passado, sem dourar ele, valorizando a ausência.
O Agente Secreto é sobre famílias e memória, usa 1977 como uma desculpa para mostrar que a teimosia do brasileiro independe da época e que se passa a história, ainda versa poeticamente sobre a memória, a saudade e o esquecimento, flutuando entre as lacunas deixadas pelo que jamais dito ou pelo que foi apagado pelo tempo.
É corajoso nesse ponto e possivelmente será incompreendido por quem for desatento ou insensível. Para quem quer apreciar uma história de rebeldia e ternura, é uma alternativa das mais belas no cinema atual.
TRAILER









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