O Básico do Cinema: Movies That Rock

*Não, este post não tem nenhuma ligação com a VH1!

Em algum ponto da História, o rock se tornou orgânico ao cinema. Provavelmente tudo começou com Elvis Presley, quando este decidiu migrar para a sétima arte, seguindo os passos de artistas de décadas anteriores como Frank Sinatra ou Dean Martin. O Rei do Rock, por seu enorme apelo com o público foi muito melhor sucedido e estrelou inúmeros filmes, todos com canções suas na trilha sonora. Assim como Elvis nos EUA, os Beatles, na Inglaterra, também passaram pela tela grande na década de 60. Mas estes eram produtos feitos sob medida. Por mais importantes que tenham se tornado ao longo dos anos, não fizeram parte de nenhum movimento específico que agregasse algo à sétima arte. Isso só foi ocorrer alguns anos depois, no final da mesma década, com o lançamento do emblemático Sem Destino. Um dos maiores símbolos da contra-cultura, tem em sua brilhante trilha sonora o clássico de Steppenwolf, Born to be Wild, música cuja letra simboliza a idéia de liberdade, em conjunto com as cenas dos protagonistas na estrada, acompanhados de suas motos. Anos antes, Blow Up – Depois Daquele Beijo, de Antonioni, também flertou com guitarras distorcidas ao incluir uma cena com a participação da banda Yardbirds.


Nos anos 70, a continuidade do casamento entre o estilo musical e os mais variados gêneros cinematográficos. A partir daí, o rock começa a se tornar um modo de vida. A inclusão de músicas do gênero em trilhas sonoras acaba se tornando representativa às tramas de filmes policiais, dramas, comédias e principalmente musicais. Rock Horror Picture Show é um bom exemplo disso. Inclassificável na época, o longa passa por terror, ficção científica e filme B, tudo ao som de canções originais, compostas para a versão teatral da história. Apesar do fracasso nas bilheterias, hoje se tornou Cult. Na mesma década, Grease surgia para retratar os primórdios do rock, no final dos anos 50. John Travolta e Olivia Newton-John dançam e cantam músicas que transcenderam a trama e ganharam fama nas rádios do mundo, já que ainda não existia a MTV. Em 1971, pegando carona (desculpem o trocadilho) nos ideais libertários de Sem Destino, Corrida Contra o Destino é um road-movie que apresenta importantes faixas em sua trilha. No Brasil, uma dessas músicas ficou ainda mais famosa já que serve até hoje como tema do Globo Repórter. Freedom of Expression de J.B. Pickers é um rock progressivo instrumental que ajuda a marcar o clima do longa.


Na década seguinte, mais rock, mais orgânico. Flashdance, Footloose, Fame, Rocky 3, De Volta Para o Futuro, Curtindo a Vida Adoidado, Cocktail, Top Gun. Era um estilo de vida e estava em toda parte. Em Ruas de Fogo, cujo subtítulo era Uma Fábula de Rock and Roll, o diretor Walter Hill cria um pastiche que mistura elementos de épocas passadas com músicas que referenciam os anos 50, mas que contém sintetizadores típicos dos anos 80. O final da década também marca a estréia como cineasta daquele que seria um dos grandes divulgadores do rock no cinema: Cameron Crowe. Digam o que Quiserem usa a trilha para contar uma história de adolescentes com mais sensibilidade que o habitual. Crowe tem o rock unido a sua própria história, uma vez que fez seu nome como jornalista da revista Rolling Stone. Suas experiências como tal geraram aquela que provavelmente é sua maior obra, no começo dos anos 2000. Quase Famosos é um relato da década de 70 disfarçado de auto-biografia. Ou seria o contrário? O que importa é que o espírito daquela década e como o rock dá largos passos para sair da marginalidade são importantes pontos do filme que é embalado por diversos clássicos. Destaque para Tiny Dancer de Elton John. Mas Crowe, nos anos 90, aproveitou também para divulgar a evolução que o rock estava sofrendo. Em Vida de Solteiro é o grunge de Seattle que serve de pano de fundo para um romance conturbado. A cena musical da cidade é tão forte que até Eddie Vedder, do Pearl Jam, faz uma ponta.



Nos anos 2000, em meio a remakes (que incluem até Footloose) o rock continua presente. Rockstar transforma em ficção a história do substituto de Rob Halford no Judas Priest, transferindo a ação para os anos 80 e tendo como foco a banda criada para o filme, Steel Dragon. Apesar de não ser uma grande obra, diverte e ainda empolga com as músicas compostas especialmente para a produção.

Com o retorno dos musicais, o rock continuou presente. Seja no criativo Moulin Rouge ou em Across the Universe, que conta sua trama usando apenas músicas dos Beatles. Neste final de semana entra em cartaz Rock of Ages, com uma premissa similar, mas que não usa canções de uma banda específica, mas sim do gênero como um todo, exclusivamente o que foi produzido nos anos 80. Infelizmente, mesmo se tornando parte fundamental da sétima arte, há algum tempo o rock não exerce a função transformadora de seus primórdios na tela grande como em Sem Destino. Porém, para os fãs, tanto de música como de cinema, não faltarão exemplares que agradem.

Alexandre Luiz

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