Higurashi No Naku Koro Ni Kai – Aparando arestas e resolvendo enigmas

Quando eu falei que os principais problemas da primeira temporada de Higurashi No Naku Koro Ni foram sanados no seu segundo ano, eu não estava exagerando. Ao implementar uma divisão mais concisa, onde o arco de respostas ganha mais da metade da temporada e consegue de uma forma brilhante responder a maioria dos enigmas da história, Kai (solução em japonês) é ainda melhor por apostar numa animação mais estilizada, que substitui o gore pelo drama e pela abordagem da mítica origem do demônio de Hinamizawa, o temido Oyashiro-sama.

Temos o retorno de todos os personagens e, por conhecer a personalidade de cada um, passamos a entender cada uma de suas decisões. A relação de Keiichi com Mion e Rena, ganha ares ainda mais trágicos. A obsessão de Shion com o desaparecimento de Satoshi passa a fazer sentido. O papel do clã Sonozaki na construção da represa e na maldição de Oyashiro-sama é outra trama que ganha um enfoque merecido. Mas é Rika e outra personagem mais do que especial chamada Ranyu que despontam como o coração e alma do anime. Rika sempre aparentou saber mais do que todos, mas é Ranyu que explica o porquê de toda a onisciência da jovem sacerdotisa do templo de Oyashiro-sama.

A animação continuou a cargo do Studio DEEN, mas com o sucesso de crítica e público do primeiro ano, o investimento na qualidade é notável. Se antes os traços de determinados personagens pareciam mais distorcidos em episódios mais simples (geralmente os de abertura de algum arco), nessa temporada a distorção é substituída por traços mais soturnos e firmes, exaltando o ar de mistério da produção. O cuidado é tanto, que a abertura ganha momentos especiais com o andar da história. Porém não esperem algo deslumbrante, afinal a simplicidade já é marca registrada do estúdio.

Chiaki Kon retorna como diretor e com ele os sofisticados planos que impressionavam por conferir uma tensão única nas sequências mais simples, também voltam a se destacar. A trilha sonora e o som das cigarras soam ainda mais fortes, mas por ser uma continuação que busca se sustentar nas respostas mais urgentes, você vai se sentir mais penalizado do que propriamente assustado (essa foi a tarefa do primeiro ano), afinal, é no drama e na desconstrução de vilões e heróis que o enredo é construído.

Higurashi No Naku Koro Ni Kai não é uma série livre de defeitos, mas se destaca por reconhecer seus principais erros e corrigi-los da forma mais orgânica possível. É uma produção para quem gosta de fugir do “feijão com arroz”, ou para quem detesta produções shonen. Entendam, mesmo sendo de difícil compreensão, quando você terminar esse segundo ano e parar para juntar as ideias, só virá uma palavra na sua mente: “Genial!”.

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