Review: Arrow S04E03 - Restoration

Ainda é cedo para afirmar com total certeza, mas essa quarta temporada de Arrow veio com o espírito de sua melhor investida: o segundo ano da série. São várias evidências quanto a isso. Uma delas é a presença de um vilão ameaçador e com presença marcante. Outra, mais proeminente no episódio da semana, é que os roteiros não estão acumulando subtramas, resolvendo já na terceira hora da temporada, o conflito entre Oliver e Diggle.

Claro que não é material para ser estendido por meses, mas quem conhece os vícios de seriados procedurais sabe que mesmo os menos promissores elementos, acabam sendo usados à exaustão por roteiristas sem muito a dizer. A verdade é que a promoção de Wendy Mericle e Speed Weed à roteiristas principais do programa trouxe uma energia nova à Arrow. A história está caminhando com mais velocidade (sem intenção de trocadilhos) e os novos personagens não parecem estar sobrando na trama. A resolução do problema de confiança entre Dig e o protagonista veio de forma natural. Nada original, mas sem soar forçada. O espectador provavelmente não teria paciência para mais 3 ou 4 episódios com ambos personagens se estranhando a todo momento. E o melhor de tudo é a participação ativa de Felicity na conciliação dos amigos. Definitivamente a moça ganhou novamente a o carisma e a força que demonstrara antes da terceira temporada. Por falar em Felicity, sua posição como CEO da Palmer tem colaborado bastante para a evolução da personagem e a dinâmica com Curtis Holt é divertida, com o novo coadjuvante crescendo aos poucos, mas já mostrando sua boa índole, que o levará a se tornar o Sr. Incrível (ou, pelo menos, é isso que os fãs esperam).

Em Restoration, os personagens se dividem em dois grupos. Enquanto Oliver, Felicity e Diggle lidam com as ameaças trazidas por Damian Darhk (tão pesadas que nem citam a decisão do protagonista em concorrer para prefeito de Star City), o roteiro traz Malcolm "Ra's Al Ghul" Merlyn e Nyssa de volta quando Thea e Laurel chegam em Nanda Parbat. Com a subtrama da primeira evoluindo, quando descobre o que deve fazer para não perder o controle, a da segunda surge como ponto mais fraco, pelos motivos já discutidos na review da semana passada. As atitudes da Canário Negro para trazer a irmã de volta à vida não fazem o menor sentido e invalidam tudo que a personagem aprendeu no último ano. Por sorte, essa desculpa para ressuscitar Sara e garantir sua presença em Legends of Tomorrow, por mais forçada que seja, não influencia na coerência do episódio, funcionando, pelo menos, dentro dos 45 minutos de duração, isoladamente.

O retorno de Malcolm e Nyssa é bem conturbado e estabelece uma relação de disputa entre ambos. Fica difícil saber o quanto a série irá abordar dessa subplot. Por enquanto, é um elemento frágil, que pode, ou não, inchar a temporada. Se bem desenvolvido, garantirá a permanência de conflitos em 23 episódios, algo difícil de se fazer com séries longas.

A ameaça da semana ficou por conta do Duplo, vilão do Flash nas HQs e que traz um meta-humano para o mundo do Arqueiro Verde. O efeito das cartas saindo de suas tatuagens é convincente e o personagem surge como boa ameaça para os heróis. Como é apenas um assassino contratado, o roteiro ignora qualquer informação relevante sobre seu passado. Não há porque desenvolver esse tipo de coisa na proposta do episódio. Funciona bem. Mas o destaque entre os antagonistas é mesmo Darhk. Neal McDonough mostra, a cada participação, como foi uma escolha acertada de casting. Dosando ameaça com elementos absurdos e camp, consegue se sair bem onde tantas adaptações de quadrinhos falham (como Gotham, por exemplo).

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Momentos inspirados na montagem fazem de Restoration um episódio acima da média em termos técnicos. A sequência que intercala a luta de Oliver e Duplo com um tiroteio envolvendo Diggle reforça que ambos funcionam melhor como parceiros do que em caminhos opostos, tornando o recurso relevante para a narrativa, como deve ser.

A adaptação continua entregando um bom começo de temporada, o suficiente para deixar os fãs mais tranquilos quanto a garantia de que os erros do passado não serão repetidos. Trazendo novamente a união do Time Arqueiro original, a leveza do texto e da interpretação de Stephen Amell tornam tudo muito agradável de se ver. Mesmo que o espectador saiba que uma tragédia irá acontecer durante os próximos meses, é ótimo conferir essa nova atitude de Oliver frente aos problemas. Sorridente, fazendo piadas e se comportando mais como um humano e menos como um justiceiro sem alma e torturado. Enquanto isso, a trama dos flashbacks, apesar de não ter ainda dito a que veio, segue promissora. E esse adjetivo, usado para descrever qualquer coisa em Arrow, depois da temporada anterior, é uma evolução e tanto.

Alexandre Luiz

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