Review: Arrow S04E09 - Dark Waters

Seguindo a tradição de momentos impactantes nos midseason finales, Arrow traz um episódio inteiramente focado no conflito com Damien Darhk, contando com uma boa dose de drama, algo muito bem-vindo nesse ponto da temporada. Este quarto ano vem se apresentando de forma quase impecável, com uma trama mais direta, sem muitas rebarbas, e aventuras extremamente envolventes. No último episódio de 2015 isso não poderia ser diferente.

Dark Waters começa exatamente de onde parou o sétimo episódio (definindo ainda mais o crossover com Flash como um necessário respiro), com Oliver tentando lidar com a campanha para prefeito e Diggle fazendo o possível para convencer o irmão a contar o que sabe sobre a HIVE e os planos do vilão. Além disso, a presença da mãe de Felicity traz uma importante descoberta para a moça, na forma do pedido de casamento do protagonista, que acabou não acontecendo como previsto no primeiro episódio da temporada. Essas três subtramas se encontram muito bem, pois representam sentimentos muito fáceis de identificação: responsabilidade, lealdade e amor.

Como prometido no último encontro com Darhk, Oliver está fazendo o possível para lutar contra as intenções de seu antagonista à luz do dia, como candidato a prefeito. Neste sentido, a série vive seu momento mais interessante, pois coloca seu personagem principal se preocupando genuinamente com sua cidade natal e assumindo a responsabilidade por trazê-la de volta ao que era. Levando em conta as histórias mais importantes do Arqueiro Verde nos quadrinhos, esse elemento político estava fazendo falta na adaptação e finalmente entra na história de forma orgânica e trazendo nuances ao protagonista. O problema, para ele, claro, é que desafiar seu principal inimigo é uma decisão que não vem sem consequências. Após um pesado ataque em um evento de campanha, Oliver abre o jogo com a cidade e revela a identidade de Damien Darhk, trazendo a batalha para um nível muito mais pessoal. E é aí que o vilão entra em ação, tendo como alvo o Time Arqueiro.

Para tentar desvendar os planos da HIVE, Diggle tenta, de toda forma convencer o irmão a trair seus antigos empregadores. Se por outros motivos, ou mera lavagem cerebral, no entanto, Andy parece ter definido muito bem de que lado está sua lealdade, fazendo John encarar o fato de que talvez tenha mesmo perdido o irmão, mesmo este ainda estando vivo. A família já não parece importar tanto e certamente este elemento deverá ser trabalhado ainda mais depois do retorno da série em janeiro. Está sendo ótimo para David Ramsey ter uma subtrama que o faça explorar seu lado dramático e o ator não desaponta. Mesmo com pouco tempo de tela em relação aos outros membros do Time suas participações tem sido interessantes pelo confronto pessoal em que se encontra.

Por último, e por incrível que pareça, mais importante, pelos desdobramentos que se dão ao final do episódio, está a subtrama romântica entre Felicity e Oliver. Talvez esse seja um bom exemplo do quanto a série cresceu da terceira para a quarta temporada, conseguindo tornar o casal um elemento divertido sem soar piegas ou irritante. A personagem de Emily Bett Rickards entra na trama para melhorar o protagonista e fazê-lo se lembrar do porquê arriscar sua vida para salvar Star City, tornando-o mais humano do que aquele Oliver que saiu da ilha há quatro anos. Nesse sentido, há um ponto frágil no texto que não deve ser ignorado. O programa tem trabalhado muito bem as nuances de seu herói, fazendo-o crescer imensamente como personagem. Assim, o desfecho de Dark Waters pode fazer Oliver involuir e voltar a ser o que era antes. Isso não seria bom para a série em termos de desenvolvimento, mesmo que traga uma carga dramática maior. São quatro anos de evolução, não dá para jogar tudo isso fora agora.

O roteiro de Wendy Mericle e Ben Sokolowski dá dicas durante toda a narrativa quanto a morte de algum personagem: Lance parece se despedir de Laurel em determinada cena, Malcolm, ao ajudar a equipe e decidir enfrentar Darhk, tendo, na primeira parte do episódio um raro momento de ternura com Thea, também soa como despedida e a irmã de Oliver, por toda sua trama nesta quarta temporada, parece pronta para encontrar seu destino final a qualquer momento. Tudo isso torna a investida contra os vilões bastante tensa. Quando tudo parece dar certo e Dark Waters dá indícios de que vai terminar bem, chega o fatídico momento que o encerra. E é aí que levanta questões como: seria essa a tão alardeada partida de um personagem central, já preconizada no primeiro episódio deste ano? Ou será que o espectador está se deparando com uma "morte" tal qual foi a de Oliver em sua primeira luta com Ra's Al Ghul? A espera para as respostas, que virão apenas em 20 de janeiro, será bem longa, mérito de uma série que investiu bem no drama e fez alguns personagens cuja caracterização não estava agradando, retornarem de forma digna o suficiente para os fãs se preocuparem.

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O único ponto fraco em Dark Waters é a trama dos flashbacks, que havia começado bem, mas parece ter estagnado. Há uma reviravolta neste episódio, mas nem mesmo o roteiro parece interessado nessa plot do passado, colocando intromissões cada vez menores desse período entre os eventos do presente.

Encerrando 2015 de forma superior à sua série irmã, Arrow consegue se reafirmar como boa adaptação de quadrinhos e, mais interessante, sem precisar se sustentar em tramas recicladas dos filmes recentes do Batman. Com um vilão que une exagero à ameaça urgente e convincente, o programa volta à sua melhor forma, algo que fica muito claro neste final de meia temporada. Isso só deixa a espera pelo retorno ainda mais difícil, e aumenta a expectativa quanto aos caminhos a serem seguidos de agora em diante. Tendo em mente os problemas enfrentados pela qualidade dos roteiros no terceiro ano, é gratificante que a série consiga despertar novamente esses sentimentos nos espectadores.

Alexandre Luiz

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Comentários

2 comments

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    Allan Gomes 12 dezembro, 2015 at 14:40 Responder

    Importante destacar também a montagem do episódio [tirando as inserções dos flashbacks] que constroi tensão e drama de forma brilhante. A sequencia final é digna do que Arrow já nos apresentou de melhor.

  2. Avatar
    Jax 4 janeiro, 2016 at 22:31 Responder

    Espero que seja a Felicity mesmo que tenha morrido, a atriz é ruim e a personagem fraca, pois a Thea seria uma repetição de ideias da última temporada, a Laurel seria incoerente com o desenvolvimento dela em Canário Negra, o Lance não causaria aquele ódio e desejo de vingança no Oliver… Acho que além da Felicity, o único personagem a poder causar o mesmo impacto que está aparente no protagonista é o Diggle, que eu realmente espero que não aconteça, até por ser o melhor personagem do “Team Arrow” e finalmente ter a trama do irmão desenvolvida.

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