Review: Arrow S04E12 - Unchained

ARROWSe há algum problema com este episódio de Arrow é a espera de uma semana pelo próximo. Isso porque, poucas vezes nesta temporada, a trama se movimentou tão fluida e ágil, sem perder o caráter dramático. Na verdade, as outras duas inserções do seriado este ano que demonstraram essa qualidade tem algo em comum: o nome de Speed Weed nos roteiros. Tanto Restoration quanto Brotherhood são episódios cuja narrativa funciona por ser direta e focada nos personagens, mas sem jamais deixar a ação de lado, muito pelo contrário, principalmente levando em conta aquele dirigido por James Bamford. Weed, promovido a produtor executivo, tem sido responsável, ao lado de Wendy Mericle, por trazer a adaptação do Arqueiro Verde de volta aos bons tempos e Unchained é mais uma prova disso.

O décimo-segundo episódio da temporada traz como destaque o retorno de Roy Harper, mas outras figuras conhecidas dos fãs dão as caras, de formas criativas, inclusive, ajudando no desenvolvimento de subtramas, funcionando como forças motrizes para a ação de alguns personagens. E é louvável como o texto consegue trabalhar o caso da semana ao mesmo tempo que retoma o núcleo da Liga dos Assassinos. Do início, mostrando a fuga de Nyssa, até o final, com uma recompensa que, mesmo esperada, traz uma boa reviravolta para Felicity, tudo em Unchained surge bem harmonizado, sem momentos desnecessários.

Entre os rostos conhecidos que retornam, o de Shado, talvez, tenha sido o mais significativo, trazendo um ponto de ruptura nos flashbacks, que, de fato, precisavam, já há algum tempo, de uma boa chacoalhada no status quo. O texto dá alguns indícios da alucinação com a moça não ter origem apenas no sentimento de culpa de Oliver e deus delírios por causa dos ferimentos. E isso, somado a uma menção breve a Constantine, pode indicar que a passagem do mago pela série ainda será sentida até o season finale. Aquela tatuagem deixada como "presente" para o protagonista pode muito bem ser a causa do breve delírio que trouxe a personagem de Celina Jade de volta.

Outro retorno bem-vindo é o de Katana. Aqui a série oferece uma boa cena de luta e ainda dá indícios de uma futura adaptação do arco Outsiders War, escrito por Jeff Lemire para a mensal do Arqueiro Verde pós-reboot dos Novos 52. Quem sabe a HQ possa servir de inspiração para a quinta temporada. Não seria nada ruim, uma vez que a fase de Lemire foi uma das melhores coisas que aconteceram com o herói desde quando fora escrito por Mike Grell ou Kevin Smith. Tatsu é mostrada como a guardiã do Lótus, um elixir capaz de reverter os efeitos do Poço de Lázaro, algo que Nyssa precisa conseguir para alcançar seu maior objetivo: acabar de vez com o reinado de Malcolm Merlyn. Para dar cabo dessa missão, no entanto, precisará da ajuda de Oliver, algo que só terá um desenrolar na próxima semana. No entanto, as sementes para o conflito foram muito bem plantadas aqui, graças ao envolvimento do personagem na trama de Thea e como seu relacionamento com o Arqueiro Verde é estabelecido.

Aliás, se a história da irmã de Oliver parecia ter parado no tempo, chega agora em seu momento mais interessante. A decisão da moça quanto a sua condição é corajosa por parte do texto e, tomara, não acabe sabotada por alguma reviravolta mirabolante e incoerente. O retorno de Roy oferece uma chance do antigo casal se despedir, como não havia acontecido na temporada anterior, dando a entender que o destino de Thea está mesmo selado. E ver a personagem aceitando isso é, ao mesmo tempo, vê-la crescer e evoluir, assim como o fazem todo o elenco, que decidem também respeitar a decisão. Reverter isso agora, só se de uma forma que não anule essa evolução ou que traga consequências ainda mais drásticas.

Por lidar com tantas subtramas, era quase esperado que o surgimento do Calculador (Tom Amandes) soasse deslocado, mas não é o caso. O episódio lida com isso paulatinamente, estabelecendo o vilão como uma ameaça a ser levada a sério. E, quando sua ligação com Felicity é revelada, o espectador pode não ser pego de surpresa, mas certamente tem sua total atenção pega pela reviravolta. À hacker e CEO da Palmer Tec também é destinada uma subplot interessante sobre aceitação. Auxiliada por Curtis, a moça precisa lidar com o fato de sua condição jamais significar "invalidez". O diálogo de ambos sobre isso é bem humorado e relevante, e pode servir como motivador para muitas pessoas que enfrentam o mesmo problema. A série lida com isso de forma respeitosa, mostrando que a inteligência pode suplantar qualquer obstáculo, mesmo aqueles de natureza física.

Mesmo com todas as ramificações dramáticas do episódio, as cenas de ação tem todo o espaço para fazer brilhar a atuação dos dublês. Das incríveis perseguições utilizando o parkour até uma sequência digna de uma página de quadrinhos envolvendo Arsenal escapando de uma explosão, Unchained também traz alguns dos momentos mais emblemáticos da temporada nesse sentido.

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Bom desenvolvimento dos personagens e avanços significativos na trama mostram a preocupação dos roteiristas e realizadores em não repetir os erros do passado, que envolviam uma temporada lotada de personagens que não diziam a que vinham e tramas sem muita coerência. Daqui em diante, os episódios estarão cada vez mais próximos do conclusão destes arcos e, pelo mostrado até aqui, esta virá de forma muito mais satisfatória, mesmo que seja trágica, como já anunciara aquele flashforward fatalista do início do ano.

Alexandre Luiz

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Comentários

2 comments

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    Allan Gomes 4 fevereiro, 2016 at 19:56 Responder

    Que bacana! Não tenho conseguido acompanhar a série semanalmente, e passei a ler as reviews antes de ver os episódios. Já sabia que teríamos a volta de muitos personagens nesse ep 12 [sim, esperava ver também a Caçadora] e meu temor era justamente ter aquele excesso que vimos na terceira temporada, com muita gente dividindo tempo de tela, mas sem ter espaço pra desenvolver ninguém

  2. Avatar
    Jax 6 fevereiro, 2016 at 21:28 Responder

    Esse foi o melhor episódio de Arrow até agora, e também o primeiro ao não focar excessivamente na Felicity e na relação dela com o Oliver… Os flashbacks são muito inúteis e não fazem sentido nenhum com a trama da 1ª temporada, na qual ele volta para Starling como um assassino sangue frio, enquanto o flashback dessa temporada tá tendo mostrar ele deixando a “escuridão” para trás ao invés de estar indo de encontro a ela… E tambem parece que vão esquecer de explorar o tempo que o Oliver passou na Rússia e entrou na Máfia

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