Review: The Flash S03E14 - Attack on Central City

Então, como The Flash poderia arruinar um conceito tão legal quanto esse, de um episódio duplo cujo vilão é o Gorila Grodd e um exército de símios inteligentes e de armadura? É difícil até saber por onde começar a listar os problemas. O mais evidente diz respeito à estrutura. Em primeiro lugar, não se trata de uma aventura em duas partes, mas sim de dois episódios com tramas desconexas que, por mero acaso, lidam com o mesmo antagonista. Não há a sensação de continuidade que um "evento" como esse exige, com o resultado sendo muito aquém do que o conceito poderia trazer.

Incomoda nesse Attack on Central City o pouco caso feito pelo roteiro para a conveniente aparição da Cigana. A explicação dada é pífia e soa como mera desculpa para levar a ação da Terra-2 para a Terra-1. O conflito gerado pela participação da moça também carece de impacto, soando mais como um ato de covardia do que qualquer outra coisa. E a recompensa nunca vem, pois quando Cisco pede ajuda no terceiro ato é para fazer algo que, analisando friamente, poderia muito bem ter feito sozinho, principalmente como a presença de Harry na história.

Talvez por não ter sobrado muito orçamento, já que a "primeira parte" foi pesada em efeitos visuais, o episódio da semana também não entrega um combate épico entre o trio de velocistas e o exército de gorilas comandado por Grodd. Se, pelo menos no anterior, existe uma preocupação inteligente em guardar os efeitos com soluções criativas, aqui essas mesmas soluções são repetidas, criando uma sensação nada agradável de deja vu.

Mas, o pior fica mesmo por conta do exagerado tempo que o roteiro dedica ao "drama" do casal Wally e Jesse. Fica evidente que o episódio foi criado para ser exibido na semana do Dia dos Namorados, o que, por si só, já deveria ser bem estranho, levando em conta, novamente, a questão de se tratar de uma aventura em duas partes. Toda a ênfase dada em relacionamentos não se conecta com a ameaça, tornando a narrativa toda truncada, sem um arco definido que justifique essa abordagem. Já é costumeiro que as séries do CW se apoiem em elementos novelescos para criar algumas tramas, mas há um exagero aqui, que chega a descaracterizar alguns personagens, como o próprio Harry.

Somado a isso, ainda há o conflito de Barry: será que ele deve matar Grodd e parar, de uma vez por todas, a ameaça do vilão? Três anos de atuação como super-herói que, aliás, falha miseravelmente em aprender com os próprios erros, e os realizadores realmente acharam que essa era uma situação convincente? Principalmente agora, com toda a ameaça envolvendo Savitar? É com Grodd que ele precisa aprender essa lição, já abordada antes (em um dos crossovers com o Arqueiro), por sinal?

Para fechar a trama fortemente calcada no romance, há, pela quarta ou quinta vez consecutiva, o desfecho do episódio no apartamento de Barry envolvendo uma cena com o Iris e o protagonista. Seria um caso grave de falta de criatividade ou uma tentativa de criar uma rima visual que vai preparando para o momento visto nessa semana? Se for a segunda opção, os realizadores não fizeram um bom trabalho e conseguiram apenas soar repetitivos. Pelo menos o gancho para o que virá a seguir é promissor, por trazer a trama principal de volta ao foco.

 

Alexandre Luiz

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