Review: Arrow S05E10 - Who Are You?

Contém spoilers do episódio da semana de Arrow e da temporada.

No final do episódio anterior de Arrow, exibido em dezembro, uma grande questão ficou para ser respondida: como Laurel está viva? A opção mais óbvia era mesmo a contraparte da personagem que fugiu da Terra-2, mas como essa temporada da série do Arqueiro tem buscado uma abordagem mais "pé no chão", esse elemento sci-fi, jogado sem muita preparação, poderia soar um tanto desconexo e incoerente. Por sorte, ao contrário do que geralmente ocorre nas séries de super-heróis da atualidade, o roteiro deste retorno do hiato investe tempo o suficiente na persona da Laurel "alternativa" para que a trama se justifique. E como é bom conferir uma aventura em que é dada a ameaça da semana algum fundamento, algum peso para que o espectador consiga se importar com seu destino.

O retorno de Katie Cassidy é muito bem-vindo, e a atriz se diverte com as nuances dessa versão maligna de sua personagem original. O texto apresenta certos pontos sobre suas reais intenções, embora o final um tanto apressado deixe muitas perguntas em aberto (provavelmente para continuar usando a personagem nas outras séries do universo DC/CW). A presença da Laurel também serve para trabalhar um pouco com a nova direção que a série pretende dar a Felicity. A morte de seu namorado trouxe a tona uma personalidade mais sombria para a moça, que em alguns momentos lembrou até mesmo as atitudes do Batman nos quadrinhos: a frieza ao propor uma festa de boas-vindas a Laurel simplesmente para expor suas suspeitas de aquela não se tratava da Canário Negro original, passar por cima das ordens de Oliver, ajudar a Sereia Negra a escapar para que ela levasse os heróis ao Prometheus... É um ótimo momento para dar a Felicity novas camadas e tirar a personagem de seu status quo de donzela indefesa ou alívio cômico fofo. Os realizadores só precisam tomar cuidado para que as ações da personagem não levem à interpretação de que ela só fará bobagens para depois retornar ao que era antes.

Quanto ao vilão central da temporada, apesar de sua participação servir apenas para fortalecer sua forte presença como o algoz de todo o time Arqueiro, há uma importante dica sobre sua provável origem na trama dos flashbacks. Apesar dos momentos na Rússia neste episódio serem inferiores ao mostrado ao longo da primeira metade da temporada, a última cena naquela situação apresenta Tália no universo de Arrow. A filha de Ra's Al Ghul finalmente é introduzida na trama e remete a uma fala de Oliver em um dos episódios anteriores, sobre um golpe de Prometheus ser um movimento muito específico que ele havia aprendido com um mulher na Rússia. Tomara apenas que a identidade do antagonista seja alguém que já apareceu nesta temporada, pois seria muito desonesto dos roteiros introduzir alguém totalmente novo nesta segunda metade apenas para revelar ser o alter ego do vilão.

Se há algo frágil neste início de meia temporada é a introdução de uma plot sobre a futura substituta da Canário Negro. Neste ponto da série, parece ser um subplot que pode soar inchado. E há o fator fanservice da candidata a assumir o antigo manto das irmãs Lance ter o poder do "grito da Canário". É um tanto aleatório isso surgir exatamente agora e chega até a reduzir a aparição de Laurel como se servisse apenas para informar ao espectador ocasional sobre o poder do grito sônico, justificando assim, que a nova personagem, apresentada nos momentos finais deste Who Are You?, tenha a habilidade.

A subtrama envolvendo Diggle, apesar de não ter um tempo de tela muito grande (é um acontecimento importante, mas que precisou disputar atenção com o retorno de Laurel), oferece a oportunidade para Josh Segarra interagir com outros personagens e o intérprete de Adrian Chase esbanja carisma. Quando suas ligações com o Vigilante forem expostas, finalmente, esse carisma será fundamental para estipular um peso em uma trama que caminha para a tragédia.

Enfim, recheado de bons momentos, sequências de ação empolgantes e um espírito de história em quadrinhos em live action constante, este retorno de Arrow comprova a boa fase da série e se sai de forma superior a volta da irmã The Flash, que parece não sair do lugar desde o início da temporada. A adaptação do Arqueiro Verde, embora longe de ser a melhor coisa da DC na TV ou algo que o valha, pelo menos demonstra uma preocupação maior com os próprios personagens, sejam coadjuvantes ou com o protagonista, que é o mínimo que se espera de um programa que se sustenta pela audiência semanal de seu público. Mesmo com fragilidades aqui e ali, que podem atrapalhar o, até agora, bom desenvolvimento de sua trama principal.

Alexandre Luiz

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