Review: The Flash S03E10 - Borrowing Problems from the Future

Um dos grandes êxitos da primeira temporada de The Flash foi a premissa de mostrar um herói em formação. O Barry Allen que começa seu primeiro ano de aventuras é um personagem muito diferente no encerramento daquela jornada. Já um dos maiores problemas do seriado foi abandonar todo esse desenvolvimento para investir em uma segunda e terceira temporadas em que seu protagonista parece não ter aprendido nada, e vive repetindo os mesmos erros, soando sempre como uma narrativa que não parece disposta a avançar. Este início de meia temporada, apesar de ter alguns desenvolvimentos, reforça essa noção, infelizmente.

Situado exatamente um mês depois da pequena visão do futuro que mostrou ao Flash a morte de Iris pelas garras de Savitar, este Borrowing Problems from the Future introduz o novo dilema do terceiro ano. Se na primeira metade, Barry precisou lidar com as consequências de sua alteração do passado, agora são os próximos 4 meses de sua vida que precisam passar por uma mudança para que a tragédia envolvendo sua namorada não se concretize. Imaginar que na linha temporal da série foi preciso de 4 semanas para o protagonista finalmente decidir abrir o jogo com todo o Time Flash (aliás, nem todo, mais sobre isso a seguir) é pensar em como, novamente, Barry estava disposto a repetir o erro de não contar a verdade para os seus amigos. Sim, este foi o tema central do episódio: ninguém é uma ilha e todos precisam de ajuda pra resolver seus problemas, mas em três anos de atuação e com vários outros momentos da série em que isso já foi abordado, só agora o herói vai aprender essa lição? Bem, não totalmente, uma vez que decidiu manter Joe no escuro quanto ao provável destino de sua filha. Se antes havia ao menos uma tragédia anunciada, agora existem duas, já que isso nunca é um bom sinal.

No entanto, do ponto de vista do espectador, as coisas até que acontecem "rápido". Ao menos, os realizadores não decidiram esticar o segredo por mais 3 ou 4 episódios para não soar completamente insuportável. No entanto, decidem colocar mais lenha na fogueira que se tornou o relacionamento mestre/aprendiz entre Barry e Wally. Levando em conta os dois últimos parágrafos é fácil entender porque essa dinâmica não funciona. O Flash não tem maturidade alguma para ser mentor para um novo velocista, pura e simplesmente. A série deixou de investir na descoberta das infinitas possibilidades dos poderes de seu protagonista, tornando-o sempre autoconfiante demais no pouco que sabe sobre suas próprias habilidades. Não faz sentido que o "homem mais rápido do mundo" perca tempo conversando com os bandidos que está para prender, uma vez que facilmente os renderia sem estes ao menos notarem. Que tipo de herói ele espera que Wally seja passando sermões para o garoto que ele mesmo não segue? E  essa rusga entre ambos, que parece ser um plano da série para virar os personagens um contra o outro, é algo artificial e clichê. Era o momento do seriado tentar coisas novas com a introdução do Kid Flash, mas os roteiristas parecem dispostos a dar voltas sem sair do lugar comum.

Novamente sem um vilão carismático, justificado pelo fato de que há um investimento no dilema de Barry em prender ou não seu novo inimigo, o episódio perde muito de seu ritmo por se basear em uma ideia tola. O impasse em questão toma todo o tempo do conflito entre o Saqueador, que soa mais como uma versão genérica do Deadshot (visualmente, porque em atitude não soa como nada, uma vez que o espectador sequer confere qualquer interação minimamente interessante com o novo personagem). E a resolução do problema também não se sustenta, com a ideia de pequenos eventos precisarem ser alterados para que Iris permaneça viva. Que garantias existem de que isso não acabe acelerando o processo ao invés de impedi-lo?

Neste ponto da temporada está cada vez menos provável que este ano de Flash consiga retomar qualquer interesse dos fãs como fez em sua elogiada primeira investida. Agora resta ao espectador esperar para ver como tudo isso vai terminar para que nas próximas, levando em conta o mostrado até agora, tudo acabe se repetindo novamente. A perspectiva para o futuro é trágica, tanto para Barry e seu time quanto para os fãs.

Alexandre Luiz

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