Review: Constantine S01E02 - The Darkness Beneath

Constantine - Season 1Em um primeiro momento, a HQ Hellblazer parece conter todos os ingredientes para ser transformada em uma série de TV: um personagem carismático, tramas envolvendo casos diversos de possessão demoníaca, invocação de espíritos e pactos com o diabo, uma gama de coadjuvantes tão interessantes quanto o protagonista e por aí vai. Mas, em uma leitura mais profunda, os quadrinhos de John Constantine são praticamente impossíveis de irem para a mídia televisiva sem sacrificar um elemento-chave. As boas histórias do mago da DC raramente são sobre suas missões, mas sim sobre ele mesmo. E é por isso que Constantine, o seriado, caminha sob um lago congelado, cuja espessura do gelo é muito fina.

Este segundo episódio, The Darkness Beneath, tem a tarefa ingrata de apresentar outra companhia para o personagem principal, uma vez que a atriz que interpretou Liv, introduzida no piloto, saiu da série. O problema dessa tarefa é o roteiro ficar preso na idéia de que Constantine precisa logo de uma ajudante. A pressa para que ambos se unam é tanta que a melhor explicação dada para o encontro é colocá-los se esbarrando na rua. No final do piloto, o espectador fica intrigado com aquela garota desenhando Constantine. Caso o roteiro tivesse como finalidade manter a intriga, colocaria John e Zed (Angélica Celaya) em caminhos separados neste primeiro momento, fazendo o encontro dos dois soar mais natural e fluido no futuro. Essa “regra” de que o protagonista do seriado precisa de uma parceira é apenas uma prova de como David Goyer e seus roteiristas estão buscando uma estrutura genérica para a série. Um bom contra-exemplo é Arrow. Diggle e o Arqueiro não se tornam parceiros de imediato, Felicity demora a aparecer e se juntar à equipe. A história é contada aos poucos. Já em Constantine, o importante é respeitar a estrutura básica de quase toda série sobre casos sobrenaturais.

A “criatura da semana” é um espírito que assombra uma mina em uma cidadezinha da Pensilvânia, indicado pelo mapa deixado por Liv (uma solução fácil para introduzir casos novos). Qualquer espectador atento descobre quem está por trás de tudo com menos de 10 minutos de episódio, simplesmente porque o roteiro não consegue evitar apresentar uma pista óbvia que parece saída de uma animação do Scooby-Doo. Daí em diante The Darkness Beneath se divide na tentativa de Constantine em descobrir o que está acontecendo e na sua relutância em aceitar a parceria com Zed. Há bons momentos, como o mago usar a moça de cobaia (típico do personagem) ou a forma como distorce as expectativas da pessoa responsável por conjurar a criatura, fazendo o “feitiço virar contra o feiticeiro”. Fora isso, não reserva muitos atrativos, em uma aventura que, assim como a última, parece genérica, e poderia ter saído de qualquer seriado do estilo. Também não dá nenhuma informação sobre os personagens que o espectador já não conheça, assim como não investe na evolução de alguma trama maior para ser desenrolada nesta primeira temporada.

Constantine, no entanto, continua exibindo uma produção impecável, com os detalhes dos cenários novamente saltando aos olhos. O apartamento de Zed, lotado de artes de capas famosas dos quadrinhos, e o bar da cidade são dois cenários ricos e que servem bem ao propósito de criar uma atmosfera sombria e decadente. Já a suíte nupcial onde John se hospeda é uma boa idéia por trabalhar o senso de humor distorcido do personagem. A direção de Steve Shill é correta, mesmo sem inovar nos “sustos”. E a química entre Matt Ryan e Celaya é ligeiramente melhor que a exibida no piloto com Lucy Griffiths. Tomara que nas próximas semanas o relacionamento dos dois seja mais bem desenvolvido para que não soe caricatural demais.

Constantine - Season 1

Assim, sem novidades, fica difícil traçar um futuro para Constantine. A série teve queda de audiência, que pode ter sido causada pela exibição do segundo episódio no Halloween, mas também pela falta de identidade própria. Fica aquela sensação de que, para o espectador familiarizado com inúmeros programas sobrenaturais como Arquivo X e Millennium, por exemplo, não há nada demais na adaptação do personagem da DC. Para quem nunca viu nada do gênero, a série pode trazer alguma diversão, e só. Mas o personagem nunca ficou apenas nisso nos quadrinhos e seria um desperdício de potencial caso os realizadores se contentem com tão pouco.

Alexandre Luiz

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3 comments

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    Douglas Couto 3 novembro, 2014 at 21:33 Responder

    É, acho que fico por aqui. Quase não deixaram eu respirar com tanta coisa que jogaram na minha cara nesses dois primeiros episódios. Mais calma porfavor. Eu já tenho 9 temporadas de Supernatural nas costas, acho que poucas coisas sobrenaturais que tentam fazer agora me chamam atenção, e realmente vc tá muito certo com tudo parecer genérico, essa é a sensação que a todo momento eu penso.

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