Review: Bates Motel – 1x04 Trust Me

Competição de descontrole. Aos poucos, mas sem perder a imagem da obra que quer referenciar, Bates Motel vai conseguindo somente com o apelo dos seus personagens principais uma força que nem eu achei que a série teria. Os Bates são o centro da trama e é incrível como em quatro episódios eu não senti a necessidade de desviarem a atenção conferida a Norma e seu filho mais novo. E agora eu posso dizer que até Dylan perdeu a máscara de garoto problema ao perceber que é o único capaz de salvar o irmão e quem sabe tentar conter a loucura da própria mãe.

Norman ter descoberto o verdadeiro Zack Shelby, mudou completamente a dinâmica do delegado em cena, pois a todo o momento eu esperava um ataque do policial que agora foi dono dos momentos mais tensos. O homem é tão dissimulado e perigoso quanto Norma, tanto é que Dylan passou a suspeitar dele assim que o viu no Motel. Eu sei que a história de Shelby vai se encaixar com os problemas que o morto Keith Summers tinha, mas não faço a mínima ideia até onde o plot das moças sequestradas quer chegar.

Tivemos também uma nova faceta de Norma, aquela que justifica todos os problemas psicológicos do filho. Desde a cena em que Norma esfaqueou Keith, não víamos a matriarca dos Bates tão instável. O ápice de seu descontrole veio com a noção de que ela seria pega pelo xerife Romero. Vera Farmiga consegue comover e nos deixar em choque quando Norma sai de sua zona de conforto. Tanto o desabafo no lixão quanto a discussão com Dylan foram de arrepiar. O mais estranho disso tudo é o quanto a gente simpatiza com ela, mesmo entendendo o seu lado cruel. Esse sentimento de empatia também é transferido para Norman.

Claro que eu sei o final da história, porém são as escolhas de tornar Norman mais complexo e por isso mesmo humano que vai mexendo com o meu senso. Eu quero torcer por ele e Bradley, eu quero que ele seja o garoto de 17 anos normal que Dylan (num ótimo momento entre os dois) o incitou a ser, mas sua doença e o fator Norma vão guia-lo para uma trajetória completamente diferente. Outra escolha interessante é a forma como os roteiristas vão dando pistas sobre o futuro do rapaz, a conversa sobre o luto não poderia ser mais significativa.

Sem se perder nas convenções que o termo prequel insiste em ditar, Bates Motel aparentemente tem uma trajetória no mínimo ousada e surpreendente até para quem já viu Psicose. A gente só precisa esperar pelas escolhas certas e torcer para que a condução da trama continue sóbria e interessante.

P.S.: O A&E renovou a série para segunda temporada. O canal segue bem confiante com o que os Bates tem a oferecer.

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