Review: Fringe 5x01 - Transilience Thought Unifier Model-11

 “Nosso mundo foi dominado por uma espécie avançada de humanos. São chamados de observadores. Sou o Dr. Walter Bishop. Eu tinha um plano para revidar. Não eram todos maus, um deles tentou nos ajudar. Ele é chamado de September. Antes de atacarmos, nós nos prendemos no âmbar. 20 anos depois alguns de nós foram achados. A batalha para salvar a humanidade está prestes a começar”.

Com uma clássica narração em off, Fringe inicia sua última temporada e o tom épico imposto pela imponente voz de John Noble era apenas um aperitivo do que aconteceria nessa emocionante première.

Eu gostei de Fringe desde o começo da série, posso até ter enrolado um pouco para terminar a primeira temporada, mas com o episódio ápice de seu ano de estreia, Ability, a série me conquistou de uma forma única, e logo entrou para o topo das favoritas. Os anos se passaram e minha admiração pelo “novo The X-Files” (emissoras e sua mania porca, de venderem as séries com rótulos pré-estabelecidos) de J.J. Abrams só cresceu. Com uma mitologia densa e original a série foi mostrando que as comparações com a obra-prima de Chris Carter eram infundadas e um novo marco para o gênero da ficção científica passou a ser desenhado.

Entre ameaças de cancelamento e uma contraditória escala gradativa de qualidade mediante a audiência, só restou a nós fãs, torcer para conseguirmos o desfecho que teve sua premissa levemente apresentada no sensacional Letters of Transit. Dando continuidade aos acontecimentos vistos em 2036, acompanhamos a entrada da antiga equipe Fringe no ápice da resistência contra os Observadores e logo nos foi explicado o sentido do misterioso título que abre essa review.

O Unificador de Pensamentos Modelo-11, foi um dispositivo criado por Walter e September, para juntar a consciência fragmentada do cientista, que se dispôs a guardar o plano para destruir os invasores, a fragmentação de seu subconsciente realizada por September iria impedir que os “irmãos” do observador do bem, lessem a mente de Walter. Olivia se encarregou de conseguir o dispositivo, que estava no Central Park, mas teve que ativar o âmbar para fugir dos vilões, e lá permaneceu por 21 anos.

A busca pela agente poderia ter percorrido todo o episódio, mas Fringe já diz que o pouco tempo que dispõe para concluir a história será usado a seu favor, nos levando a uma busca rápida que mostra a situação atual dos humanos no ponto de troca dos “Ciganos de âmbar”, o cuidado que a série tem com seu futuro apocalíptico é de encher os olhos e claro, eu só suspirei de admiração.

A participação sempre bizarra de Markham, o homenzinho que nos mostrou o primeiro exemplar do ZFT e no passado ajudou a Fringe Division nas buscas pelos documentos mais secretos, foi interessante, e aqui eu parabenizo mais uma vez a série por criar um universo sólido, que mesmo gerando novas perguntas (O que seriam os Direitos Nativos, estatuto 23D?) não cria um desconforto mas sim uma curiosidade instigante.

O resgate de Olivia custou à apreensão de Walter e nesse ponto a carga dramática, o diferencial de Fringe, atingiu seu ápice. Quando Etta foi introduzida na série, de imediato amamos a jovem agente, a atriz Georgina Haig está fazendo um trabalho excepcional, pois é incrível como ela consegue pegar os trejeitos de Olivia e Peter, então, como não se emocionar no reencontro da família? As lágrimas já estavam ali eu só deixei rolar.

A breve visita à sede de uma das células da resistência também nos rendeu a explicação para a cena que abre o episódio e também para a frieza entre Peter e Olivia. Ele abraçou a culpa de ter perdido Etta no dia da invasão e julgou a sua amada por colocar o futuro da humanidade na frente da família, mas ao abandonar Olivia ele percebeu que só o fim da invasão uniria todos novamente, a dor do desabafo na pequena cena foi outro momento destruidor para um fã.

Fringe já teve uma boa parcela de vilões memoráveis, mas para tornar um deles no mais odiado de todos,basta colocarem o mesmo fazendo o impensável para todo fã da série, torturar Walter. A cena em que Windmark massacra o cientista é intensa e o olhar doloroso que só John Noble consegue fazer faz o ódio pelo líder dos observadores crescer ainda mais. O plano de Etta para salvar o avô foi eficiente e ousado e ver a família Bishop encabeçando o resgate de Walter foi ótimo de se ver, as armas futurísticas e sem exageros, são sempre algo a mais na série.

Eu sabia que não seria tão fácil conseguirem chegar à arma final para a aniquilação dos observadores, e pelo estado em que Windmark deixou Walter fico feliz que a perca das informações seja a única sequela. Bonita, foi à poética cena que encerra o episódio, nosso querido cientista, sempre usou a música como escape nas horas mais difíceis, é interessante que parte da frieza dos observadores seja apontada pelo fato dos mesmos enxergarem tudo como meros eventos físicos, assim como a música, logo ao dizer, quando ainda estava preso, que a sonoridade de uma bela melodia traz esperança, Walter apenas nos prepara para o momento em que ao som de Only You(uma balada dos anos 80) parece ver um fio de salvação para a vitória aparentemente distante.



Não tenho muitas teorias sobre o Glyph Code, possivelmente ele deve fazer referência à dúvida de Walter com relação ao sucesso do plano dele e September, com a mente em frangalhos, o cientista vai penar um pouco para conseguir que o dispositivo faça efeito.

 

 

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7 comments

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    Alynne Carvalho 29 setembro, 2012 at 23:53 Responder

    Ótima review, trazendo uma retrospectiva da série ao longo desses 5 anos!
    Quanto ao episódio, não poderia ter gostado mais. Quando comecei a assistir, senti a aquela coisa que dizia "era você Fringe, a série que faltava na minha fall season". Todos os diálogos foram ótimos, as explicações dadas e as não dadas. Toda a reconstrução da relação entre Peter e Olívia, ao descobrirmos que ele fugiu numa busca desesperada pela filha, então desaparecida. E como não se emocionar com o reencontro paterno de Walter e Olívia? É uma relação que transcende muito do que a gente conhece, tudo muito lindo. A cena de Walter sendo torturado foi umas das coisas mais difíceis de se ver, acredito que mesmo pra quem não seja fã assumido, a cena é forte, e conseguiu passar isso. Etta. Como puderam escolher uma atriz que resume tão bem as características de Peter e Olívia juntos? Não poderiam ter acertado mais.
    Nesse episódio, até a fotografia parecia estar diferente, em tons mais escuros. Tudo muito caprichado nos detalhes.
    No mais, acho que essa premiere veio pra ditar o ritmo dessa 5ª temporada, que promete e muito se tornar uma das mais marcantes, se não a mais.

    P.S.: Detalhe para a cena final de Walter, aquela cena ao som de Only You (em loop eterno aqui no player) foi tão cheia de significados que não tinha como não se encantar! Perfeição.

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    Klea 29 setembro, 2012 at 21:19 Responder

    Com sempre, José Guilherme… fazendo o inimaginável, ou seja, eu lendo review. =D
    Pois é o 3º parágrafo colocou o dedo na minha ferida. Sou muito arrependida de não ter visto essa série antes (Não ter escutado vc e Monise.), mas logo que comecei a assistir me apaixonei. E como não se apaixonar,certo? Digo sem medo de estar errada que essa série tem uma coisa que falta em muita serei hoje em dia. Ela tem originalidade. (Tá longe de ser segunda Arquivo X. Cada série é única. Principalmente essas duas. Pura burrice da Fox- canal estúpido dirigido por babacas mercenários.)
    Pra mim vc colocou em palavras exatamente o que tava pensando, foi justamente essa impressão que tive. Se a intenção do Sr. Wyman era deixar os fã felizes como agradecimento por toda fidelidade…devo dizer que ele está fazendo isso certo, começou muito bem.
    Agora só nos resta aproveitar essa curtíssima jornada, torcer pelo melhor, perde o fôlego em com cada promo que sai e apreciar suas reviews.
    Mais uma maravilhosa série que vai deixar um buraco imenso …precisa ser aproveita ao máximo.

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      Guilherme 29 setembro, 2012 at 21:26 Responder

      Vai ser aquela nostalgia quando estivermos lembrando dos melhores casos, frases, situações! Ai ai, mas não vamos dar uma de peru, ninguém merece sofre de véspera, no momento é só aproveitar mais um fim sensacional.

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