Review: Legends of Tomorrow S01E01 - Pilot, Part 1

DC's Legends of TomorrowDepois de Arrow e Flash usarem boa parte das temporadas atuais para o desenvolvimento dos personagens que fariam parte da nova série situada no universo DC/CW, finalmente estreia Legends of Tomorrow, o programa que funciona como uma espécie de Liga da Justiça mambembe com heróis - e vilões - já introduzidos nas supracitadas adaptações. Por conta da familiaridade do público com esse grupo nada convencional de protagonistas, o episódio se sai bem em vários níveis, principalmente na fluidez como desenvolve sua trama principal.

Neste primeiro momento, o Piloto gasta algum tempo para reapresentar seus astros, algo totalmente dispensável para quem já acompanha as séries da DC no canal, mas compreensível, uma vez que os produtores sempre levam em conta a curiosidade de novos espectadores. Ou seja, se algo incomoda no episódio inicial são os cacoetes narrativos presentes em praticamente toda estreia de série. De qualquer forma, há um equilíbrio entre senso de urgência, existente na presença de Rip Hunter (Arthur Darvill), e o tempo necessário para cada um decidir se deve ou não se unir na busca por Vandal Savage. Até porque se trata de uma história sobre viagens no tempo, em que existe o controle para onde e quando cada jornada irá levá-los.

Diferente das outras produções do canal, no entanto, Legends of Tomorrow parece ter uma direção mais focada na trama. Serão menos episódios, o que proporciona aos roteiristas a chance de contar uma história contínua, sem o uso exagerado de episódios filler. Além disso, também na contramão do CW, não há espaço para dramas e romances adolescentes. Há, sim, a tensão entre o casal formado por Gavião Negro e Mulher Gavião, mas o precedente das HQs e a inclusão de uma interessante carga dramática na primeira viagem ao passado transformam este em um elemento que serve ao roteiro e não apenas um mero clichê baseado nos interesses do público-alvo.

A dinâmica entre a equipe também é um destaque. Há uma óbvia inspiração na Liga da Justiça de Keith Giffen e J.M. DeMatteis, com doses de humor autodepreciativo e um conflito constante entre os membros que trazem ares de novidade em meio a tantas abordagens sérias e sombrias dos heróis DC. O roteiro também usa a família como tema e mostra a importância de se aceitar as diferenças para um bem comum, algo bastante claro na presença do Capitão Frio e do Onda Térmica, que se unem por motivos egoístas, mas provavelmente aprenderão alguma lição pelo caminho. As demais subtramas, como a do Eléktron e do Nuclear, trazem o tom heroico à frente. As motivações dos personagens que seguem o caminho mais nobre podem parecer bobas e antiquadas, mas existem para lembrar o público que se trata, afinal de contas, de uma adaptação de quadrinhos de uma editora muito confiante em transmitir em seus heróis uma aura quase divina. O Dr. Stein de Victor Garber tem motivos bem pessoais para se unir a empreitada, que vêm de uma vontade enorme de fazer a coisa certa. Aliás, há uma referência divertida ao B.A. de Esquadrão Classe A, que precisava ser dopado para entrar em helicópteros e aviões na forma como a metade cientista do Nuclear "convence" seu jovem parceiro a acompanhá-lo. O mesmo pode ser dito de Ray Palmer e sua tentativa de ser relevante novamente.

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Garantindo algumas boas reviravoltas, principalmente as que quebram a expectativa dos protagonistas, como a desmistificação do argumento de Hunter para unir os heróis, Legends of Tomorrow começa promissora, mesmo com um piloto que precisa justificar bastante a existência da série para a audiência novata. Dirigido por Glen Winter, sempre muito competente na criação de takes longos e sequências de ação, o primeiro episódio tem um bom ritmo, que parece inspirado no modo quase histriônico com que Doctor Who conta suas tramas. Não é a toa a presença de Darvill no elenco.

Surgindo num momento em que inúmeras adaptações de quadrinhos invadem a TV (para se ter uma ideia a DC conta com uma série por dia, de segunda a quinta, chegando a duas na segunda e na terça), Legends pode sofrer pelo cansaço do espectador em ter de acompanhar tantos programas envolvendo HQs. Porém, se entregar a dose de diversão prometida, e cumprida, de certa forma aqui, pode acabar se destacando mesmo entre aqueles que torcem o nariz para as produções do CW.

 

Alexandre Luiz

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