Review The Walking Dead – 3x12 Clear

As marcas do apocalipse. Qual não foi minha surpresa ao enxergar um dos melhores episódios da temporada de The Walking Dead num simples filler, que poderia ser mais do mesmo não fosse a entrega dos atores e o roteiro inspirado. O novo showrunner Scott M. Gimple deve ter ganhado a vaga do Mazzara depois que os executivos da AMC assistiram essa pérola. E não estou exagerando quando digo que absolutamente tudo funcionou. A surpreendente ligação entre Michonne e Carl poderia ter sido ofuscada pelo reencontro de Rick com Morgan, mas o tempo de tela das duas duplas foi tão essencial que por um momento eu desejei que os quarenta minutos habituais se estendessem por uma hora.

Na trama, Rick resolve voltar para sua cidade com a finalidade de conseguir dar um upgrade no arsenal da prisão, assim ele escolhe como parceiro Michonne (esperto não?) e Carl por insistência do garoto. Inconsistências geográficas a parte (foi tão fácil Rick vir direto do interior do país por estradas que como bem sabemos deviam estar totalmente interditadas), o caminho até o antigo lar do xerife foi mostrando mais da atual personalidade de cada um daqueles sobreviventes, ao ponto que os três não hesitam em deixar para trás um mochileiro implorando por ajuda.

Quando chegam a cidade, avisos de cuidado e um verdadeiro campo de armadilhas rodeiam todo o local. A cena foi ótima, pois logo após Michonne entrar em alerta, um atirador misterioso os ataca quando é alertado por um walker de passagem. Claro que era Morgan. Porém o bom não foi a surpresa do retorno e sim as feridas que ele conseguiu tocar com sua loucura angustiante.

Após atirar em Morgan a queima roupa, Carl nem mostra ressentimento e avisa ao pai que precisa pegar outro suprimento essencial para o conforto da irmã Judith. Um berço é o que ele diz estar atrás e Michonne parte para ajuda-lo na procura. O garoto continua excelente e até tenta despistar a samurai, pois na verdade ele quer uma lembrança para mostrar a irmã que um dia o mundo foi diferente. A missão nos leva direto a um restaurante infestado de walkers o que não foi menos que lindo de se assistir.

Foi ótimo apostarem em Michonne como alívio cômico e voz da razão. A mulher sobreviveu durante mais de um ano sozinha e tem muito que ensinar. Ela e Carl juntos renderam cenas fofas e verdadeiras e não vou mentir, eu escolheria ela como melhor amiga no apocalipse zumbi. Essa desconstrução da figura carrancuda e irritada caiu como uma luva pra o significado do episódio.

O despertar de Morgan e os dolorosos diálogos que ele teve com Rick, foi de cortar o coração. Foi triste ver um cara tão esperançoso sucumbir a loucura depois do que viu. Tudo o que ele relatou para Rick, afetava o xerife diretamente. Até a comparação entre Carl e Duane foi feita com uma sutilidade quase poética. Os dois garotos tiveram que matar a mãe, porém a força do pai é que refletiu na decisão final dos mesmos. É por isso que Carl está vivo e Duane morto e é por isso que Morgan se intitula como o mais covarde dos humanos e aquele destinado a herdar essa terra de ninguém.

Antes, estaríamos reclamando de um episódio que pouco contribuiu para evolução da narrativa, mas só de vermos personagens que outrora soavam tão artificias ganhar profundidade, a iniciativa é mais do que válida. Michonne continua como minha favorita, o consolo que ela deu a Rick antes de partirem de volta para a prisão, me fez abrir um sorriso (quem acompanha as HQ´s vai entender). O último conselho de Morgan para Carl depois do pedido de desculpas do garoto foi algo passível de nos arrancar lágrimas, porém nada se compara a cena final, onde diante do corpo do mochileiro estraçalhado, os três sobreviventes com a maior bagagem de sofrimento, não se importam de pegar os suprimentos do homem. É essa crueza que esperamos da série, isso é ser um show sobre pessoas.

 

P.S.: Michonne é cheia de truques. Escalou o telhado como se fosse o Homem-Aranha e entrou no restaurante infestado de zumbi em tempo recorde. Estou aceitando tutoriais para ser tão badass.

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