Review: The Walking Dead – 3x03 Walk with Me

O prêmio de consolação. Ou seria a confirmação de que The Walking Dead finalmente descobriu seu potencial? Estou de bem com Robert Kirkman,GlenMazzara e com a senhora Gale Anne Hurd, afinal, são três episódios consecutivos com um nível de qualidade indiscutível. Além, é claro, da presença dos cenários e personagens mais icônicos do universo dos quadrinhos,no qual a série se baseia, contribuírem com mais da metade desse sucesso. E quase que por unanimidade,podemos dizer que uma das melhores ideias já postas em prática no mundo das séries agora faz jus ao furor e comoção que causou anos atrás.

Ninguém torceu o nariz ao ter as primeiras imagens da caracterização de Danai Gurira como Michonne, mas muitos fãs ficaram com os dois pés atrás quando a AMC anunciou um Governador um tanto quanto galã, se compararmos o mesmo ao “Danny Trejo” das HQ’s. Ainda que eu ouvisse elogios e mais elogios sobre David Morrissey, as declarações de que teríamos um Governador mais “contido” (no sentido de esconder sua verdadeira personalidade), me cheirava a enrolação costumeira da série. Desconfiei e fui surpreendido. David Morrissey não só é a melhor escolha que poderia ter sido feita, como também vai adicionar um tempero que sempre faltou ao personagem original, sim, estou falando do “amamos odiar”, já que nas HQ´s só repulsa definia a figura do comandante de Woodbury.

Toda a introdução, desde a queda do helicóptero até o encontro de Merle com Michonne e Andrea, foi de tirar o fôlego. Cuidadosa, Michonne prefere evitar o encontro com os homens de Woodbury, que massacram os walkers com uma frieza ainda mais espantosa que a do grupo de Rick. Uma homenagem bem vinda aos fãs das HQ’s foi o fim destinado aos mochileiros da “samurai”, levemente diferente, mas nos mostrando mais da personalidade dela. Como Andrea bem aponta mais tarde, a rapidez do ato dita como Michonne age e que, entre sentimento e sobrevivência, a segunda vem primeiro.

E que retorno sensacional esse de Merle. Os comentários ácidos e a fanfarronice sádica que fizeram o irmão do Daryl marcar The Walking Dead em sua primeira aparição, voltaram de forma dobrada. As possibilidades levantadas no rancor com o qual ele pronuncia o nome de Rick, o apelido dado a Michonne (humor negro, mas eu ri com o “imunda”), a estranha fixação em querer saber onde está seu irmão e o fato dele ser a mão direita do Governador, já mostra o quão inspirada será a abordagem e inserção dele na trama. Alguém mais prevê um embate épico com o xerife Rick “shithappens”Grimes?

Mas o episódio foi dele. O homem sem nome que comanda Woodbury, conhecido simplesmente como Governador. Calmo e de fala imponente, a presença do personagem é magnética e não sei se foi por saber do que ele é capaz, mas a toda hora eu esperava uma explosão ou um pequeno vislumbre do verdadeiro eu do personagem. Fiquei feliz por não segurarem a máscara de bom moço por mais de um episódio, e o estouro veio na cena em que ele esmaga a cabeça do fuzileiro com a metralhadora. Os experimentos (intrigantes e uma boa adição à trama) comandados pelo cientista da comunidade foi outro ponto alto do episódio e mais uma vez lá estava o senhor Governador encabeçando a cena.

 O que me irrita ainda é o tratamento dado a Andrea. Rasa e antipática, a personagem consegue ser insuportável com o mínimo de questionamento e minha decepção cresce quando penso no potencial que ela tem, afinal, Laurie Holden é uma excelente atriz e consegue levar cenas dramáticas como poucos na série, basta lembrar a morte de Amy. Nem Michonne, que com poucas falas, olhar triste, mas inquisidor, e muito mais simpática, consegue fazer com que torçamos um pouco mais para que Andrea se encontre na série. Não se surpreendam se nos despedirmos mais cedo da antiga advogada, já que mortes significativas tem um potencial ainda maior de acontecerem com a entrada do pessoal de Woodbury.

 Quando o Governador termina o seu discurso perante sua comunidade, eu já estava tão fisgado quanto Andrea. Ditador ou não, já que ninguém sabe como se dá a política do local, é perceptível certa megalomania no olhar do homem. Ele tem quase certeza de que Woodbury é só o começo, e que se existe alguém que possa manter uma nova ordem mundial, ele está ali. O “nunca” pronunciado para Andrea é só uma prova da autoconfiança dele e o mórbido aquário mantido no seu cômodo pessoal, uma demonstração ainda maior do quão sádico e imprevisível ele é. No fim, Merle não poderia estar mais certo ao dizer que no mundo em que estão, deve-se temer o cara que se apresentar sem armas e com a mão estendida, e não aquele que apontar uma para sua cabeça. Alguém ainda duvida?

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Comentários

7 comments

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    Gildázio Sousa Do Nascimento 31 outubro, 2012 at 03:52 Responder

    Uma coisa que eu não entendo, é o pq que eles matam as pessoas ao invés de adicionarem ao grupo deles, pra mim não tem logica se vc esta em um mundo apocalíptico onde grupos de zumbis podem atacar a qualquer momento, se vc encontrar um grupo do exército que sabem manusear armas…vc se junta a eles não matam eles, pq matar o piloto ?

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      José Guilherme 31 outubro, 2012 at 10:32 Responder

      São esses os questionamentos que sempre eram levantados no universo da HQ e faltavam na série. Você tem o grupo de sobreviventes de Rick, que mais agrega pessoas do que mata (os caras do bar na temporada passada e os prisioneiros, só tiveram o fim porque o xerife percebeu o perigo que eles representavam), no mundo apocalíptico eles são o "bem" por ainda estarem dispostos a fazer esse julgamento.
      Já com o pessoal de Woodbury é diferente. É notável que o Governador enxergou na Michonne uma possível aquisição para o seu pequeno exército, por isso o tratamento diferenciado do que ele fez com o piloto, que era parte de uma formação militar que poderia gerar problemas se questionassem a política do comandante da cidade. Mas acho que o destino do piloto, foi para evitar perguntas sobre sua comitiva. É quase certo que ele não ia aceitar o destino dito pelo Governador, afinal todos ali eram militares.

      Fiquei feliz por estarem inserindo questionamentos que façam sentido e não as bobagens levantadas na fazenda. Caminhando muito bem a temporada.

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    Gildázio Sousa Do Nascimento 31 outubro, 2012 at 03:52 Responder

    Uma coisa que eu não entendo, é o pq que eles matam as pessoas ao invés de adicionarem ao grupo deles, pra mim não tem logica se vc esta em um mundo apocalíptico onde grupos de zumbis podem atacar a qualquer momento, se vc encontrar um grupo do exército que sabem manusear armas…vc se junta a eles não matam eles, pq matar o piloto ?

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    Danilo 2 novembro, 2012 at 20:54 Responder

    A sequência realmente está muito boa! Sobre a pergunta do rapaz, eu pensei na mesma resposta além de: o Governador que procriar e realmente governar, por isso a aceitação de mulheres, mesmo com Michonne sendo mais macho que muito homem, mas não lhe tira o fato de ser mulher. A outra coisa que pensei foi que ele não quer gente demais devido aos suprimentos, acredito que se pense num futuro e claro que o que tem há de fazer falta um dia, então é como uma forma de preparação. A coisa é feita assim: domínio do pessoal, prociração, consequentemente, domínio das crias, mas se mais gente vier de fora, sendo militar (o que já prejudicava) ou não é como se perdesse o controle. Claro que posso está enganado, mas é só a minha forma de ver as coisas. O final do episódio foi surpreendente pra mim. Eu pensei que o Governador não fosse do mal, claro que ele deve ter seus motivos para seus feitos, mas por esse aquário eu não esperava. Eu tô gostando muito do que tô vendo na temporada.

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