O guia para O Magico de Oz e Wicked, Parte Quatro: Os livros de Wicked

Saga agora no cinema, The Wicked iniciou na literatura, tal qual O Mágico de Oz. Confira nossos comentários sobre os livros

Wicked Parte Dois segue sendo um fenômeno popular do cinema mainstream. A maior parte das pessoas sabe que ele e a parte um - Wicked - faz uma versão alternativa da Bruxa Má do Oeste, a vilã de O Mágico de Oz, mas a maior parte das pessoas não sabe a origem da obra.

A versão musical da Broadway é bastante famosa, mas o que boa parte não sabe ou lembra, é que a origem desse é nos livros também.

Para muitos, essa é das fanfics famosas a mais importante e bem-sucedida, enquanto para a maior parte dos fãs, é uma versão genial, de um grande clássico dos cinemas e literatura.

Pois bem, falaremos um pouco sobre o autor Gregory Maguire, sobre os seus romances.

Sobre Wicked e a inspiração

Wicked faz uma releitura de Oz para o público adulto. Usa a base dos livros de L. Frank Baum ou seja, não só sobre o primeiro livro, mas também as suas sequências.

É tratado como uma biografia fictícia da Bruxa Má do Oeste, que ganha um nome: Elphaba.

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Versões de Elphaba e Glinda

O autor desconstrói a figura de vilã, acrescentando camadas a ela, conferindo assim uma grande humanização a personagem, discutindo temas maniqueístas, discussões sobre predestinação e criação, além de questões relacionadas a terrorismo e propaganda, sem ignorar todo o caráter lúdico das histórias.

Gregory Maguire vivia em Londres no início da década de 1990 e nessa época, refletiu sobre como o mal é retratado em livros, cinema e televisão.

Ele questionava se rotular alguém como "mau" poderia fazer cumprir uma profecia autorrealizável:

Se todos constantemente o chamassem por um nome negativo, quanto disso você acabaria internalizando? Até que ponto você diria: Tudo bem, que seja; serei tudo o que dizem que sou, porque não tenho como mudar suas opiniões, então por que tentar? Pelos padrões de quem devo viver?

Um pouco sobre o autor

Acostumado a escrever materiais de origem infanto-juvenil voltando esses para o público adulto, Maguire também escreveu sobre outros contos de fada famosos, como foi com a personagem-título de Cinderela.

Além da tetralogia Wicked, ele lançou uma trilogia que também se passa no universo de Oz a saber: The Brides of Maracoor, The Oracle of Maracoor e The Witch of Maracoor, lançados em 2021, 22 e 23 respectivamente.

Além desses, fez as prequels Elphie: A Wicked Childhood, lançado em 2025 e em 2026 deve sair Galinda: A Charmed Childhood.

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Entre os trabalhos para o mercado infantil, lançou The Lightning Time nos anos 1970.

Em 1980 lançou The Daughter of the Moon, Lights on the Lake, The Dream Stealer, The Peace and Quiet Diner e I Feel like the Morning Star.

Em 1990 lançou Lucas Fishbone, Missing Sisters, Oasis e The Good Liar, na década de Crabby Cratchitt, Leaping Beauty: And Other e Animal Fairy Tales.

Fez livros sobre Crônicas de Hamlet, baseado nas peças shakesperianas em Seven Spiders Spinning, Six Haunted Hairdos, Five Alien Elves, Four Stupid Cupids, Three Rotten Eggs, A Couple of April Fools e One Final Firecracker.

Além desses, lançou What-the-Dickens: The Story of a Rogue Tooth Fairy, baseado claro nos textos de Charles Dickense Missing Sisters na década de 2000, em 2014 lançou Egg and Spoon e Cress Watercress em 2022.

Também trabalho em livros mais adultos, fez Confessions of an Ugly Stepsister, sobre a irmã de Cinderela, também Lost, Mirror, Mirror que revisita Branca de Neve.

Fez também The Next Queen of Heaven, Tales Told in Oz, After Alice (sobre Alice no País das Maravilhas) Hiddensee: A Tale of the Once and Future Nutcracker (sobre Quebra-Nozes) e A Wild Winter Swan baseado na obra de Christian Andersen's.

Escreveu contos também, sobre o Espantalho de Oz, sobre as Crônicas de Harris Burdick, contos de natal e materiais de não ficção.

Livro 1: Wicked (1995)

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Chamado originalmente de Wicked: The Life and Time of the Wicked Witch of the West foi batizado no Brasil como Maligna, em edições anteriores, sendo chamado atualmente como Wicked: A História Não Contada das Bruxas de Oz, ou somente Wicked.

Esse é um romance de fantasia norte-americano escrito por Gregory Maguire e publicado em 1995, com ilustrações de Douglas Smith.

A ideia é propor uma revisão histórica da vilã de O Maravilhoso Mágico de Oz.

A diferença entre Baum e Maguire reside especialmente na estrutura moral das histórias, discutindo alguns valores universais, oferecendo assim uma perspectiva que visa compreender que é Elphaba e como ela foi levada a ser uma figura de ódio, o resumo da maldade.

Além de mostrar a infância e crescimento de um vilão terrorista, também se acrescenta complexidade a sociedade de Oz, mostrando-a como algo bem diferente da versão limpinha que existe nos 14 livros de Baum.

Maguire era fã do livro, mas também do filme, tanto que fazia transmissões anuais dele. Inspirado nos livros de Charles Dickens, imaginou que seria interessante dar camadas para a Bruxa Má do Oeste, já que sempre foi obcecado por Margaret Hamilton.

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Wicked foi bem recebido pela crítica, comparado pela Publishers Weekly a uma "meditação fantástica sobre o bem e o mal, Deus e o livre-arbítrio".

Houveram críticas negativas, acusações de "pouco respeito pela história de Baum".

Em 2024 o livro foi proibido pelo Distrito Escolar Independente de Katy, sob a alegação de promover a fluidez de gênero sexual, o que aliás é curioso, uma vez que O Mágico de Oz é encarada como inspiração para o espectro LGBTQIA+ desde o filme de 1939.

O Musical

Em 2003 o romance foi adaptado para um musical da Broadway pelo compositor e letrista Stephen Schwartz, com libreto de Winnie Holzman.

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Capas de Wicked, em suas múltiplas versões

A produção foi realizada pela Universal Pictures, dirigida por Joe Mantello e coreografada por Wayne Cilento. O espetáculo conquistou grande sucesso, em montagens que percorreram Chicago, Londres, São Francisco e Los Angeles. Houveram adaptações na Alemanha e no Japão.

O show recebeu indicações ao Tony, vencendo três entre as dez que foi indicado. Foi o quarto espetáculo mais longevo da história da Broadway, com mais de 7.400 apresentações.

O elenco original contou com Idina Menzel como Elphaba e Kristin Chenoweth como Glinda.

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Menzel e Chenoweth em cena

Para os cinemas

A Universal planejava uma adaptação para o cinema e em setembro de 2010 foi dado o anúncio da adaptação cinematográfica. Após o sucesso de Os Miseráveis, o produtor Marc Platt (que também havia trabalhado na versão teatral) em dezembro de 2012 confirmou que o projeto estava em andamento e visava um lançamento em 2016.

O estúdio agendou o lançamento para 22 de dezembro de 2021, com Stephen Daldry (As Horas, Tão Forte, Tão Perto e Trash - A Esperança Vem do Lixo) na direção.

Devido à pandemia de COVID-19 em 2020, a produção foi interrompida.

Daldry deixou o projeto e foi substituído por Jon M. Chu. Após a escolha do diretor, se optou por Cynthia Erivo e Ariana Grande para os papéis principais.

Nessa época também se escolheu dividir em dois filmes, um para novembro de 2024 e outro para o mesmo mês, apenas em 2025.

História em quadrinhos

Em março de 2025, a William Morrow Paperbacks lançou o primeiro volume de uma adaptação em quadrinhos de Wicked, com ilustrações de Scott Hampton.

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Diferenças fundamentais

Vale lembrar que as três versões famosas da obra - livro, musical e filmes - contêm diferenças pontuais de trama e de escolha de abordagem.

Na versão teatral o espetáculo tem dois atos bem distintos, com o primeiro estabelecendo os personagens que protagonizam essa nova versão, enquanto o segundo se dá durante a história do filme de 1939.

No filme Wicked: Parte Dois se escolheu aumentar a interferência da menina Dorothy, que na peça é escondida o tempo inteiro. Entre os apreciadores de teatro, se comenta sempre que o ato 1 é muito superior ao final, até mesmo entre os fãs de Wicked.

Livro 2: Son of a Witch (2005)

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O romance segue no legado de Elphaba e foca no protagonista que é o filho da Bruxa, chamado de Liir.

Ele é um personagem inseguro, que não sabe bem o seu lugar no mundo e que por isso, se mostra um personagem central diferenciado, digno de tropeçar quase sempre.

Oatsie Manglehand descobre o corpo de um jovem, gravemente ferido e à beira da morte, na estrada em Vinkus. O lugar se tornou perigoso, com assassinatos misteriosos que envolvem a remoção das feições faciais das pessoas, no entanto o rapaz segue com o rosto intacto.

Ela leva o homem para o Claustro de Santa Glinda, nas Bacias de Xisto. O garoto é identificado como o menino que deixou o Claustro com Elphaba há cerca de uma década.

A história também acompanha os sonhos de Liir enquanto ele permanece inconsciente no mosteiro e dessa vez aparecem personagens clássicos de Baum, como o Espantalho, o Homem de Lata, o Leão Covarde, Dorothy Gale e Totó.

Livro 3:  A Lion Among Men (2008)

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Lançado primeiro no Reino Unido, o livro é protagonizado por
Sir Brrr, o Leão Covarde, que enfim recebe um nome.

Vale lembrar que vários dos livros de Baum eram focados nos coadjuvantes do primeiro livro, ou seja, Maguire é reverencial até nisso.

A trama inicia em uma batalha que está prestes a começar, entre os Munchkins e as tropas da Cidade Esmeralda. Além do Leão, se destaca também a criatura mágica chamada de Yackle, que parece ser maligna e que tinha ligação com Elphaba no passado.

Ela tem origem no Grimório, o livro das magias e runas antigas, lido pela Bruxa Má do Oeste. Se acrescenta também um animal de estimação para o Leão, no caso, um gato de vidro chamado Grimalkin.

Também é citada a vilã Madame Morrible.

Livro 4: Out of Oz (2011)

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Lançado em 1º de novembro de 2011, esse volume conclui a narrativa. Apresenta um reino de Oz em meio a uma guerra civil. A trama envolve momentos sombrios, uma civilização assolada por um momento de depressão.

A perspectiva de Rain, a jovem neta de Elphaba Thropp, a falecida Bruxa Má do Oeste.

A história começa na Terra, mostrando Dorothy Gale adolescente, de férias com seu tio e tia, viajando entre Kansas e São Francisco. Assim como na versão cinematográfica de 1939, ninguém acreditou no relato de Dorothy sobre Oz.

Em São Francisco, Dorothy esperava ver o mar, mas devido à neblina, não conseguiu. No prólogo ocorre o famoso terremoto de 18 de abril de 1906, enquanto Dorothy está presa com seu cachorro Toto em um elevador.

Glinda está em prisão domiciliar, sob a vigilância de Cherrystone, mencionada em livros anteriores. Rain foi criada sob os cuidados da bruxa boa.

Há julgamentos de crimes de guerra e consequências pesadas sobre os personagens clássicos.

Em breve falaremos de algumas versões bizarras do conto famoso de O Mágico de Oz.

Especial O Mágico de Oz e Wicked

Artigos:
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Crítica:
O Mundo Fantástico de Oz, por Filipe Pereira
Oz: Mágico e Poderoso, por Wilker Medeiros

Podcast:
Alerta Vermelho 34: O Mágico de Oz

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