Crítica: Oz: Mágico e Poderoso

oz_magico_e_poderoso“Mesmo não rivalizando com o clássico, filme consegue obter êxito em sua proposta.”

O fantástico musical infantil O Mágico de Oz, lançado em 1939 e inspirado na série de livros da Terra de Oz feita por L. Frank Baum, é, sem dúvida, um clássico intocável e está marcado na história do cinema, talvez para todo sempre. Detentor de um visual maravilhosamente esplêndido, recheado de belas canções, em meio a uma história soberba, o filme permanece coevo e, após várias décadas de avanços tecnológicos, funciona muito bem nos dias de hoje.

Após muito se especular sobre um possível remake, a Disney anunciou que traria de volta a fábula, só que dessa vez faria diferente. No primeiro longa, a pequena Dorothy Gale, depois ter sido arrastada junto ao seu cachorro Totó por um ciclone, vai parar no mundo de Oz. Lá, após enfrentar altas aventuras e conhecer vários amigos, tem de procurar, na Cidade das Esmeraldas, o poderoso Mágico de Oz, o único que pode salvar todos da Bruxa Má.

Já nessa nova investida iremos conhecer as origens do intrépido feiticeiro, deparada no primeiro livro da série. Visto que, nos 14 volumes escritos por Baum, nunca foi retratado o passado completo do personagem. Sendo essa, então, a versão cinematográfica da história pregressa de seus títulos, com contos que se passam no reino fantástico que ele criou. E que, também, alguns personagens desse novo filme, apesar de serem conhecidos da obra literária, foram todos reestruturados. Alguns novos foram até mesmo adicionados para fortalecer a própria trama.

Dirigido habilmente por Sam Raimi – cineasta bastante conhecido dentro da cultura pop mundial, por ter feito franquias de sucesso como A Morte do Demônio e O Homem Aranha -, ‘Oz: Mágico e Poderoso’ começa quando um inexpressivo mágico de circo, de conduta duvidosa, Oscar Diggs (James Franco), foge num balão de sua cidade e, assim como Dorothy, é levado às terras de Oz por um tornado. Após se salvar é imediatamente recepcionado pela bela Theodora (Mila Kunis), que diz estar esperando por ele há muito tempo pois, segundo lendas locais, um mágico poderoso desceria dos céus para salvar o local da possível Bruxa Má, Glinda (Michelle Williams).

Theodora diz que também é uma bruxa e que tem uma irmã chamada Evanora (Rachel Weisz), disposta a oferecer o trono do seu reinado e uma fortuna imensurável, em troca que o mesmo possa destruir Glinda. Ele reluta, já que nunca teve intenção de matar ninguém, mas é facilmente convencido, através de falácias, pela riqueza que o espera. No caminho, novamente como a personagem do filme anterior, ele faz amigos adoráveis como a Menina de Porcelana e um macaquinho engraçadíssimo, que tem sua vida salva por Oscar, e se oferece como servo eterno. Porém o mágico é surpreendido e descobre que, na verdade, está do lado errado: é em Evanora que reside o verdadeiro perigo. Assim, fatalmente, ele se torna a única esperança dos cidadãos lá residentes.

Logo no início do primeiro ato, em que o diretor apresenta seu protagonista no intuito de criar a identificação com o público, e obtendo total sucesso, já podemos perceber tópicos narrativos interessantíssimos. Inicialmente, por retratar a vida real em preto e branco, com um formato de tela pequeno e quadrado, utilizado nos filmes da época e que simboliza bem a perspectiva e condição que o personagem se encontrava naquele orbe caótico. E, ao mesmo tempo, tornando tudo muito delirante, empregando narrativamente a tecnologia 3D; ou seja, mesmo, estando ele, em meio a toda aquela atmosfera opaca e sem graça, Oscar demonstra certo talento e espontaneidade.

E quando ele, enfim, desembarca nas terras de Oz as cores, o cenário e a razão de aspecto se modificam por completo, tornando-se extremamente colorido, com paisagens verdadeiramente mágicas e inovadoras. Assim como a esperança do mágico, que se renova a descobrir que terá uma nova chance para começar de novo. Aparência essa que se assemelha muito ao do filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, lançado em 2010. Tanto na sua forma visual como física. Mas não por acaso, já que o produtor Joe Roth, que trabalhou com o Burton no título citado, possui certa intimidade com o universo da fantasia. Mas, com certeza, o mérito estético da obra está no trabalho magnifico de direção de arte da dupla Michael Kutsche e Robert Stromberg, que juntos ao figurinista Gary Jones, foram responsáveis pelo desenho de 24 cenários estrategicamente planejados para as cenas.

A narrativa engendrada por Sam Raimi é extremamente eficiente, conduzida de forma bastante orgânica durante todo tempo da fita, sem que em nenhum momento o filme se torne cansativo. Além, claro, de utilizar diversos recursos de linguagem cinematográfica. Raimi é muito bem auxiliado pelo cinematógrafo Peter Deming que já havia trabalhado com ele anteriormente em Arraste-me para o Inferno. Deming consegue mesclar bem, através de um bom apanhado de lentes, as múltiplas estações climáticas aludidas aqui. Concretizando um trabalho estético quase que impecável. E ambos os pontos são completados por uma ótima trilha sonora composta pelo experiente Danny Elfman (Batman), que imprime muita energia, dentro das constantes cenas de ação e aventura.

O roteiro assinado por Mitchell Kapner e David Lindsay-Abaire, apesar de enxuto, possui diálogos realmente fracos quando comparados à dimensão total da obra. E que, diferentemente do clássico de Victor Fleming, não deixa uma grande mensagem para durar por décadas. Até mesmo por apresentar uma gama de personagens superficiais, do ponto vista social e filosófico e não trazer debates interessantes para a sociedade atual. Vejo problemas também nas atuações de Rachel Weisz e, principalmente, da Mila Kunis. Intencionalmente caricatas mas que em momento algum conseguem convencer com suas bruxas. Essa última chegando a realizar cenas desastrosas. Por outro lado, James Franco está muito bem em tela, e domina dentro de campo. Michelle Williams caminha discretamente durante toda exibição e não compromete.

Porém, se formos analisar de um modo geral, diria que ‘Oz: Mágico e Poderoso’ se sai muitíssimo bem. Consegue um feito incrível de não soar artificial, já que a história poderia torna-se repetida e enfadonha, e fazer com que o espectador tome interesse pelo mundo ali despontado. E, mesmo não rivalizando com o filme anterior, possui uma estética belíssima, é narrativamente bem conduzido e diverte bastante. Algo raro nessas revisitadas, como o próprio Alice no País das Maravilhas ou Branca de Neve e o Caçador, dois soníferos terríveis, que serviram apenas para angariar bilheteria, mas que, diferente do aqui analisado, irão sumir ao passar dos anos.

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Comentários

3 comments

  1. Avatar
    tiago 12 março, 2013 at 10:05 Responder

    estou muito animado para assistir em 3d… afinal o que mais se tem feito no cinema contemporaneo é levemente atingir fortes reflexões e muitas delicias para os olhos..

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