Alerta Trilhas 04 – Gravidade, por Steven Price

Gravidade TrilhaComposta por Steven Price

Hoje decidi falar sobre a melhor trilha do ano até agora, de um dos melhores filmes do ano até agora: Gravidade. Uma obra que se passa toda no espaço e que trás consigo uma experiência totalmente nova e visceral, necessitava de uma trilha a altura, e não só conseguiu isso como a composição de Steven Price é tão boa que eu a colocaria não só como um personagem da película, mas fator vital para o sucesso desta. E é uma trilha que se faz necessária durante todo o curso da trama, já que o cineasta Alfonso Cuarón opta por não ter um show de pirotecnia barulhenta no vácuo que é o espaço, mas sim o de um silêncio real e claustrofóbico. É aí que a trilha de Price aparece, trazendo não só a tensão do perigo iminente, mas também as sensações de perigo e desespero que a personagem de Sandra Bullock sofre durante todo o desenrolar dos fatos.

Além disso, é uma trilha que trás consigo não só tensão mas, quando necessário, momentos que emocionam e momentos de grandeza e confiança. E não só o básico da sonoridade é composto para causar certas emoções, como o verdadeiro ás da composição se instaura na originalidade que é a agonizante maioria dos sons que percorrem todo o álbum. A genialidade de Price está em compor um tema que nunca varia de freqüência, causando assim um beco sem saída em que o ouvinte/espectador sempre aguarda para a variação natural da música que acaba nunca acontecendo. Portanto, é em faixas como “The Void”, “Debris”, “In the blind”, “Atlantis” e a que abre a coisa toda, “Above Earth”, que encontra-se algo de realmente original e genial saído da mente de Price. É de uma agonia sem igual quando se está assistindo ao filme, e essas músicas começam a tocar, pois geralmente são orquestradas durante eventos catastróficos e de desespero, e o não-crescente da freqüência que insiste em apenas manter variações de nota, causa um efeito de agonia pura, fazendo com que o espectador se contorça no acento. É a minha parte favorita da obra, e é a que mais destaco e espero que ao ouvir, se for o caso, preste bastante atenção na beleza que é ouvir algo diferente, estranho, que causa um impacto forte, mas que ao mesmo tempo acaba soando agradável com certo nível de harmonia.

Do meio para o final, quando se apresenta a jornada da protagonista solitária, a trilha cai em uma rota menos original e desesperadora e passa a mesclar alguns acordes do começo que trazem o sempre eficiente tema de tensão, com temas mais belos que elucidarão os momentos emocionais da personagem, variando do triste ao belo, e nesse quesito, Price se mostra também muito eficiente, apresentando faixas como “Airlock”, que por se passar em um dos momentos mais bonitos do filme necessitava ser uma composição sutil, porém belíssima, o que é alcançado com maestria aqui. Há temas heroicos também, como “Don’t Let go”, que trás o momento mais difícil, em níveis emocionais para a personagem até então, mas que prova sua coragem ao se manter firme após determinada atitude ser tomada e que começa a apresentar então a jornada heroica e solitária da protagonista.

A parte final do disco acaba por se tornar algo mais poderoso e épico, trazendo assim a conclusão de uma jornada sofrida, mas que tem um fim não tão sofrido assim, ao menos metaforicamente falando. É tudo maior, trazendo novamente os elementos heroicos que se escancaram ainda mais ao final, e isso está claramente mostrado nas duas últimas faixas, “Shenzou” e “Gravity”.

É sem dúvida um belíssimo trabalho, que merece toda a atenção seja de espectadores ou de premiações. É algo diferente, que emociona e empolga, é uma experiência que junto do filme se torna uma obra ainda melhor do que já é. É algo que transcende a normatividade do mundo das trilhas atuais, e aparece trazendo o melhor trabalho original do ano até agora.

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