Cinerama: Sexta-Feira 13 – A saga sem fim – Parte 2

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A soma dos valores altera o resultado: A fórmula para Sexta-Feira 13:

Depois de mais de três décadas de sucesso, Sexta-feira 13 definiu o que é considerado o terror slasher moderno, mas acredite, é necessário muito mais do que números de corpos para se fazer um filme da série.

A primeira coisa: Carne nova, ou seja, vários jovens desprovidos de armas, sem acesso a autoridades adultas e, é claro, fazendo o que os jovens normalmente fazem em situações como essas (usar drogas e fazer sexo).

Dentre esses grupos sempre estarão os estereótipos: O atleta da escola, o cara gordo, a garota certinha, o nerd, o cara das drogas, a garota promíscua e etc.

A partir deste ponto eles são pegos um por um e é dada a maravilha do espectador tentar ser mais inteligente que o personagem - o que nunca é muito difícil.

Mas não podemos esquecer um ingrediente também importante nessa primeira parte da receita: Jovens fazendo sexo, e sendo mortos enquanto fazem sexo. – trauma de Jason que morreu afogado porque os monitores que deveriam estar cuidando dele estavam dando uns amassos? – portanto, dentro da série, quanto menos sexo você fizer, mais chances terá de viver. – *Acredito piamente que para muitos jovens dos anos 80, Jason foi um dos melhores contraceptivos que poderia existir.

Ainda na mesma série de itens: Seios. Um par de seios está presente ao menos a cada 15 minutos da primeira uma hora de longa, onde ainda existem garotas vivas o suficiente para tal tarefa.

Além de todos os ingredientes acima não podemos esquecer do “agradável” campo de Cristal Lake e Jason, protagonista e carro-chefe dos filmes, que resulta na principal função da trama: Mortes, afinal, Sexta-feira 13 é como um musical, não se pode ir muito longe sem uma canção, neste caso, sem um desmembramento, uma cabeça esmagada, um corpo atravessado por um facão e assim por diante, mas esses caríssimos adolescentes não podem simplesmente morrer, cada morte deve interessante aos olhos, instigante e única, a ponto de despertar a curiosidade: “Como esse carinha vai morrer, hein?”.

Outro ponto é que elas também devem ser extremamente gráficas e não necessariamente realistas, tornando-as ainda mais interessantes, a ponto de chocar e impressionar.

Temos também que adicionar um velho estranho que fica sempre a avisar a respeito dos perigos da floresta, sustos que na verdade são apenas falsos prelúdios e é claro a inesperada participação ao final. BUM!

Musica também é um ponto importante, e no caso de Sexta-feira 13, Harry Manfredini é o cara por trás do tema que anuncia a chegada do vilão mascarado e das baratas e improvisadas trilhas que tornam as cenas de assassinato ainda mais interessantes e perturbadoras, afinal, num filme de terror a trilha se torna um personagem crucial.

Seguindo essas regras básicas, existe uma grande chance de se fazer um bom filme ao estilo Sexta-feira13.

Jason, we have a problem... : As heroínas de Sexta-feira 13.

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Muitos têm o mesmo destino ao cruzarem o caminho do mascarado Jason, mas alguns insistem em não simplesmente se despedirem desse mundo sem briga, o que causa ao “Big J” algumas dores de cabeça.

Além de todos os ingredientes citados no capitulo anterior, todo Sexta-feira 13 tem uma heroína. O grupo é pequeno, mas quer seja Alice, ou Ginny, Chris ou qualquer uma das garotas que chegam ao final, geralmente elas seguem uma série de pequenas características: A mais importante é a castidade, seguida de sua pureza. Elas geralmente não estão ali só por diversão, pois são boas moças que ficam para trás, não fumam maconha, não fazem o gênero super gostosa nem querem sexo pré-marital. Por esses motivos e tantos outros, essas personagens passam a ser fortes o bastante para encararem o vilão em uma boa e velha briga do bem contra o mal.

Várias são as que causaram sérios danos a Jason, mas certamente, nada melhor do que mexer com alguém do seu tamanho, ou ao menos de sua “estatura” sobrenatural. Nos referimos, é claro, a Tina, moça com poderes telecinéticos que causou muitos danos a Jason na 7ª parte da franquia.

Claro que toda regra tem sua exceção. Tommy, garoto de 12 anos, foi o responsável por dar “cabo” do assassino em uma sanguinolenta batalha ao final do quarto filme da cinessérie, mas também de certa forma é quem se aproxima do trauma que Jason vive, e que tinha tudo para se tornar o sucessor do psicopata, mas acaba por ser o cara atormentado, o monstro e a vítima, como Jason.

Corte após Corte: Os desmembramentos em Sexta-feira 13.

O líder de cortes e desmembramentos, por incrível que pareça, não é Jason, e sim a MPAA – (Motion Picture Association of America) – responsável pela classificação indicativa e que em todos os 12 longas assombrou os diretores que tiveram seus filmes brutalmente assassinados, mas é claro, ninguém teve tanto azar quanto John Carl Buechler, diretor da sétimo capítulo da série, que teve cerca de 30 minutos de material excluído, entre cenas inteiras e redução de tantas outras.

O motivo para tal nervosismo na tesoura? Violento demais para as calmas e pacatas famílias americanas...

Sábado 14: Sexta-feira 13 e sua continuidade.

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Uma das coisas que a série Sexta-feira 13 nunca pôde se orgulhar foi a sua continuidade. De máscaras diferentes a datas que não fazem sentido, o filme tem várias incoerências.

Incoerência ignorantemente inaceitável 01: Como pode se chamar Sexta feia 13 as partes 3 e 4 quando os filmes se passam dentro de um período de 4 a 5 dias? Segunda-feira 16 não cai bem, mas ainda assim...

Incoerência ignorantemente inaceitável 02: As máscaras mudam tanto de filme a filme que é quase tão assustador quanto o personagem. Se no item acima sabemos que três filmes se passam no período de uma semana, como podem mudar tanto sua máscara e suas cicatrizes? Será que os caras não assistiram aos filmes anteriores? De fato devemos considerar, ao menos, a “machadada” que Jason levou na testa na parte 4 e que foi obedecida nas outras sequências.

Incoerência ignorantemente inaceitável 03: A maquiagem é algo que também deve ser levado em consideração pelo espectador, pois não foi pelos realizadores. Existem centenas de variações "Jasísticas": Nojentão – como na parte 6. Mais “estourado” – como na parte 7. Mais inchado – como na parte 9. Mais “normal” - Como na parte 3. E ainda mais WTF – sem dúvida na parte 10, Jason X.

Suas deformidades “naturais” também variam muito, desde o rosto derretido até ao caroço na testa e sem dentes – parece que ele realmente muda fisicamente cada vez que morre.

Incoerência ignorantemente inaceitável 04: O que diabos acontece com determinados personagens? Por exemplo: Qual é a do cachorro da parte 4? Ele se jogou? Ele foi atirado por Jason? Na trama esse cachorro que está junto aos monitores estava simplesmente atrapalhando a história e para não atrapalhar mais, pois não sabiam o que fazer com ele, decidiram que o matariam.

Outro fim de personagem que não se entende é o de Alice, que morre nos primeiros minutos da parte 2. Sobrevivente da primeira parte, ela vai para outra cidade e é assassinada por Jason, mas agora me respondam: Como poderia Jason saber o endereço de Alice se ele nunca saiu de Cristal Lake? Leu o número dela na ficha telefônica? E se ela estivesse em outro estado, como conseguiria Jason pegar um ônibus ou avião? Andar com um saco de Batatas na cabeça não chamaria a atenção de ninguém? Será que ele realmente a matou? Pois nem conseguir vê-lo nós conseguimos! Estranho não?

Incoerência ignorantemente inaceitável 05: Cristal Lake é como Springfield dos Simpsons. Não sabemos onde ela fica e nem qual seu tamanho ou o quanto ela pode se transformar. O lugar de fato é sobrenatural. Casas que não existiam brotam do nada, placas abandonadas mudam de lugar ou aparência e o lago se liga ao mar do nada na parte 6 onde Jason até vai para Nova York!!!! Mas isso é uma incoerência tão ignorantemente inaceitável que eu nem vou entrar na discussão...

Jason ataca o mundo: Como a mancha vermelha tomou conta do globo.

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Se tem uma coisa que aprendemos é que escapar de Jason é uma raridade. Nas últimas três décadas de seu reino de terror, Jason furou o limite das salas de cinema para se inserir permanentemente como ícone da cultura Pop.

O personagem desafogou a Paramount diversas vezes e se tornou um incrível negocio rentável. Investe-se pouco e rentabiliza-se ao menos o quádruplo. Lindo não? Dos 80 milhões investidos nos 12 filmes, só nos Estados Unidos a cinessérie arrecadou liquidamente mais de 465 milhões, sem falar dos rios de dólares que ainda vieram dos produtos como bonecos, quadrinhos, vídeo games, propagandas e até – pasmem – lancheiras. *(“torne seu lanchinho muito mais gostoso com o amiguinho Jason!”)*, mas acreditem ou não, mesmo sem ao menos terem visto os filmes da série, Jason é um personagem tão enraizado na cultura Pop que crianças de todo o mundo o amam e se referem ao vilão como se referem ao Papai Noel.

Por ano milhares de modelos action figures são lançados e vendem assustadoramente bem, alimentando outra indústria que movimenta muito dinheiro.

As paródias também beberam desta fonte. Desenhos consagrados como Os Simpsons e South Park já tiveram como personagem especial o mascarado, que até chegou a ganhar um prêmio do MTV Movie Awards em 1992 pelo seu “Conjunto da Obra” (!!!!).

Apesar de toda a popularidade do bicho papão de máscara de hóquei, uma classe restrita, mas poderosa, passou a perseguir avidamente Jason: Os críticos. Roger Ebert, por exemplo, foi o que mais esfaqueou o vilão, se referindo inúmeras vezes à série como “Um pedaço de lixo imoral”, mas que deu ao vilão, por outras mãos é claro, flores ao invés de dor, afinal de contas o que é de mal gosto ou proibido tende a ser mais “gostoso” e chamou mais ainda a atenção do grande público ao filme que continuou a subir e subir nas bilheterias, apesar dos péssimos olhares, afinal, Jason pode sobreviver a terríveis críticas também.

Se não pode acabar com ele, junte-se a ele: A nova Sexta-feira 13.

Apesar de toda a fama que acumulou ao longo de três décadas, a série estava ficando velha e o público jovem que a apreciou estava ficando velho demais e algumas coisas, como os efeitos especiais, haviam envelhecido muito mal, o que fez Sean Cunningham fomentar um recomeço da franquia, desta vez a “reembalando”, com uma linguagem mais propícia aos anos atuais e com melhores aparatos técnicos, etc; mas é claro, sem perder a essência do que é Sexta-feira 13 e que a tornou famosa.

Em 2009 as telas foram apresentadas a essa nova versão do clássico, que embora seja um reboot dos 4 primeiros filmes, é bem amarada e dirigida, algo até relativamente superior aos originais.

Safra nova de realizadores, safra nova de espectadores, a fórmula se mostrou mais uma vez eficaz e levou centenas de pessoas ao cinema tornando o filme de 2009 o segundo mais rentável da série, arrecadando mais de 90 milhões. O orçamento foi de 19 milhões.

Uma continuação é cotada desde o final daquele ano, mas até agora a Warner e a Paramount, responsáveis pelo financiamento, anunciaram que o projeto está em andamento mas sem data definida, o que enfurece alguns fãs, mas os deixam ávidos por mais.

O corte final.

O fato é, Jason tirou de dentro das entranhas jovens, algo que fascinou multidões e influenciou toda uma geração de filmes e cineastas que até hoje se inspiram em Sexta-feira 13 para desenvolver suas próprias fitas sanguinolentas.

A cinessérie redeu milhões de dólares, aterrorizou multidões e se introduziu na cultura popular de maneira permanente e literalmente, tudo alimentado pelos gritos das plateias, que mantêm viva essa energia até hoje.

Para finalizar esse artigo gigante e agradecer por você ter chegado até aqui, dou-lhes meu último aviso: Se alguém vier a convidá-lo para visitar um acampamento estranho ou abandonado, simplesmente não vá!

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