O Básico do Cinema Parte 1: 4 coisas pra saber antes de se assistir um filme

Talvez você pense que sou presunçoso demais pra sequer cogitar ensinar alguém a assistir um filme. Talvez você tenha uma mente mais aberta e aceite ler o texto todo. Talvez você concorde. Ou não. Apenas entenda que antes de mais nada, não quero criar regras. Quem sou eu pra ensinar qualquer coisa ou tentar impor um "ritual" a você. O que pretendo com o tema a seguir é propor uma experiência diferente. Tente seguir esses quatro passos no próximo filme que for assistir (seja no cinema ou em casa). Se você perceber que conseguiu aproveitar melhor o que assistiu, comente. Se achou que foi a mesma coisa de sempre e que nada do que eu disse fez alguma diferença, comente também.  Quero opiniões, desde que com argumentos válidos. Vamos lá?

1º O primeiro item sempre é o mais básico, então vamos lá: Saiba que filme assistir. Parece óbvio, certo? Mas está cada vez mais habitual a mania de sair de casa pra ir ao shopping e passar no cinema com a desculpa: "bom, já que estamos aqui...", independente do filme que está sendo exibido. "-Me vê o ingresso pra próxima sessão? -De qual filme? Ah, do que começar primeiro!". Já vi isso acontecer. Eu já disse num texto aqui no Cine Alerta e volto a dizer que cinema não é parque de diversões, e os filmes não são atrações do tipo Montanha Russa e Roda Gigante, que estão sempre lá com a mesma função de diversão. Existem filmes divertidos mas há uma gama de produções que não tem a obrigação de te fazer sentir bem. A experiencia depende do seu humor. Se você está de bom humor, a maioria dos gêneros pode até servir, mas se seu dia está péssimo, por favor, não vá ver um drama achando q vai desanuviar a cabeça (Árvore da Vida, alguém?). Saia de casa com a intenção de ir ao cinema sabendo o que vai assistir. E não julgue os filmes pelos atores. Não é porque o Brad Pitt está no cartaz que a história será de grande apelo comercial (agora você lembrou de Árvore da Vida, tenho certeza). Lembre-se, atores vivem de interpretar personagens (a não ser o Jack Nicholson que é sempre ele mesmo). Johnny Depp não será Jack Sparrow num filme de gângsters, por exemplo.

2º Não saiba nada sobre o filme que vai assistir. "Ué, mas você acabou de dizer pra eu sair de casa sabendo o filme que vou ver!". Sim, mas isso não significa que você vai ler todos os spoilers, ver os trailers, ler as críticas de uns 3 sites diferentes e ligar pra algum amigo que já assistiu o filme pra saber se vale a pena (vou entrar mais a fundo nesse quesito mais pra frente). Convenhamos, o ingresso anda caro demais pra você ir ao cinema ver um filme sobre o qual já conhece todos os segredos. Além do mais, quando o roteirista e o diretor planejam uma reação do espectador, é pra que ela aconteça durante o filme e não quando alguma foto reveladora cai na internet. Assistir um filme sabendo apenas o básico pode ser uma experiência única. Quer um exemplo? Matrix. Era 1999 e a única coisa que eu sabia sobre esse filme é que tinha Marilyn Manson na trilha e que os protagonistas vestiam couro preto e desviavam de balas. Mais um? A Origem. O diretor Christopher Nolan fez questão de esconder sua obra o máximo possível. E quem respeitou essa decisão saiu do cinema com a sensação de ter sido surpreendido. E quer coisa melhor? Faça valer cada centavo que você está pagando e se permita ficar surpreso.

3º Não dê ouvidos a críticas. Isso mesmo. Não vá ver um filme porque todo mundo tá falando bem dele. Vá porque todo filme merece ser assistido. Mesmo que pra comprovação de que ele é bom, ou ruim. São raríssimos os casos em que nada se aproveite. E na pior das hipóteses, se o filme for mesmo ruim, serve como exemplo de como não se fazer um longa-metragem! Outra coisa a ser levada em conta é que você não é crítico e não tem obrigação de conhecer linguagem cinematográfica. Por isso não tem o compromisso de analisar um filme como obra de arte. Por outro lado você sabe definir o que é certo ou errado, bom ou ruim... ok, pode parecer incoerente mas é permitido você gostar de um filme, mesmo sabendo que ele é ruim. Isso se chama guilty pleasure, ou prazer com culpa. É como aquela pessoa que está fazendo regime, sabe que chocolate engorda, mas continua comendo mesmo assim. Seja por algum motivo pessoal, graças a alguma boa memória relacionada ao longa ou simplesmente por ter criado alguma empatia por ele. Mas lembre-se, bom senso nessa hora. Transformers, saga Crepúsculo e comédias românticas não são os "melhores filmes do mundo". Mas eles podem ser os filmes que você mais gosta. Se você os considera os "melhores que já viu" é porquê assistiu pouquíssimos filmes. É um conceito um tanto complicado, mas você acostuma com o tempo.

4º  Entrou no cinema? Comporte-se e, principalmente, preste atenção no que está assistindo. De novo, pode parecer óbvio, mas recentemente presenciei algumas situações muito desagradáveis. Uma foi em O Preço do Amanhã. Os primeiros segundos do filme explicam o cenário: um futuro em que a humanidade para de envelhecer aos 25 anos. Imediatamente a personagem de Olivia Wilde se apresenta como a mãe do protagonista, vivido por Justin Timberlake. Subitamente alguém se espanta na sala do multiplex: "mãe? Como assim?". Como o filme não parou para a criatura processar a informação, Timberlake  diz que vai estar presente no aniversário de 50 anos de Wilde. Bom, se na primeira o rapaz se assustou, agora tinha um ataque: "50 anos? Como?". A vontade foi de perguntar pra pessoa o que ela estava fazendo ali. Mas, antes de qualquer manifestação, sua namorada começa a explicar o plot. Por falar em casais, se você for ao cinema com a namorada ou namorado, por favor, não use o filme pra discutir a relação. Você não está sozinho na projeção e existem pessoas ali que dão valor ao preço do ingresso que pagaram. Digo isso porque na sessão de Conan - O Bárbaro, durante todos os 113 minutos, um casal em crise resolveu exorcizar seus problemas e não parou de falar nem por um minuto. Ok, a nova versão do guerreiro cimério é ruim demais, porém não justifica a total falta de consideração por quem dividia a mesma sala. É uma questão de educação. Simples assim. A grande vantagem do cinema é não ter pausa. Você é obrigado a ver o filme da forma que foi feito para ser visto. O roteirista não escreve pensando que em determinado ponto o espectador vai ter vontade tomar água e por isso dará pausa. Quem faz isso, escreve séries de TV, já que neste tipo de roteiro deve-se levar em conta os cortes para intervalos. Assistir um filme precisa ser uma prática imersiva para que todas as intenções do diretor sejam bem sucedidas. Por isso, quanto menor a distração, melhor.

Bom, basicamente é isso e talvez numa futura postagem eu discuta outras práticas que podem melhorar sua experiência cinéfila. Lembre-se, só gostar de ver filmes não basta. Tem que gostar de cinema!

Alexandre Luiz

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7 comments

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    Rafael Z. Meneghelo 11 novembro, 2011 at 19:35 Responder

    Eu e a minha namorada praticamos as 4 dicas. É uma pena que muita pouca gente faça isso!
    Presenciei até uma discussão DENTRO do cinema entre duas pessoas. Uma estava falando demais e a outra pediu para ela ficar quieta. Ai já viu né?!?!

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    Daniel 23 dezembro, 2011 at 22:56 Responder

    Fui assistir A Árvore da Vida duas vezes no cinema e nas duas sobraram pessoas inconvenientes. Não gostou? Sai do filme, ou no mínimo fica quieto e dorme, sei lá. Mas dar risadinhas ou ficar falando 'ah sério?' só porque não entrou na onda do filme e atrapalhar quem tá ali curtindo…enfim, às vezes entendo Lars Von Trier.

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      Tiago Lamonica 25 dezembro, 2011 at 14:12 Responder

      Sim isso é verdade, e não acontece só em filmes assim. Fui ver Missão Impossivel 4 pela 2ª vez, e ao lado ficava um grupinho gritando, berrando com o Cruise aparecia, atrapalhando totalmente, até que uns 2, 3 mandaram eles calar a boca, e ainda bem que pararam. Mas po, cade o respeito.

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