O guia para O Magico de Oz e Wicked, Parte Dois: Os filmes de Oz, até o clássico de 1939

Um breve artigo sobre as adaptações de O Mágico de Oz antes do clássico colorido

A magia dos escritos e mitologia de L. Frank Baum é algo presente no imaginário das pessoas que consomem cultura pop e até de criadores de conteúdo original.

Com o tempo, a força da mitologia de Oz se tornou maior até do que a literatura original, vide as diversas versões para os palcos ou para o audiovisual que chegaram ao público.

Apesar de ser autor de 14 dos 40 livros canônicos da saga iniciada em O Mágico de Oz, Baum não é considerado o maior responsável pela popularidade da história onde a pequena menina do Kansas adentra um reino mágico, ao menos não para a maior parte dos espectadores e leitores, uma vez que a versão para o cinema de 1939, conhecida como O Mágico de Oz de Victor Fleming é celebrada como um clássico imortal do cinema.

O material original e a tradução

Tudo isso poderia simplesmente não ocorrer e isso esteve próximo de acontecer, visto que o longa-metragem não foi um sucesso de bilheteria, sendo redescoberto depois.

Como falamos em nosso artigo sobre os 40 livros clássicos de Oz, o material original de toda essa mitologia é literária, focada primeiro nos livros de Lyman Frank.

Desde sempre o romancista tinha ambições de fazer de sua obra algo multimídia, tanto que tentou adaptar parte dos escritos para a moda dos filmes, que era bastante nova, no início do século XX.

No entanto Baum faleceu em 1919, ou seja vinte anos antes da versão da MGM com Judy Garland, mas a verdade é que houveram outras tentativas de traduzir os contos do autor, falaremos dessas, das adaptações pré-1939.

O roterisita Baum

L. Frank Baum é chamado de Lyman Frank Baum. Por odiar o primeiro nome escolheu o pseudônimo Frank e abreviou o primeiro chamamento, tornando assim sua forma de chamar semelhante a outras figuras da literatura fantásticas, como J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis, que são posteriores a ele.

Cidadão teuto-estadunidense, foi um escritor, editor, ator, roteirista, produtor de cinema etc. Além das adaptações de seus catorze livros, ainda trabalhou no script de outras obras.

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Em 1910, escreveu John Dough and the Cherub, já em 1914 fez o curta The Magic Cloak, baseado no romance Queen Zixi of Ix; or the Story of the Magic Cloak que é de autoria do próprio.

Ainda esse ano, escreveu The Last Egyptianenquanto em 1915, fez The Magic Bon Bons A Box of Bandits (baseado em The Box of Robbers) The Country Circus e The Gray Nun of Belgium.

No ano seguinte, In Dreamy Jungle Town, já em 1917 fez Like Babes in the Woods. Depois de sua morte, foi rodado o também curta-metragem Oz University, que tem base em escritos sobre Oz, mas não é baseado em uma obra específica.

The Wizard of Oz (1902)

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Cartaz do musical

Esse foi um espetáculo musical baseado no romance de 1900, ou seja, é uma montagem teatral bastante recente, tendo em conta que saiu apenas dois anos depois do livro, antes até da primeira sequência escrita.

Obviamente não é uma obra de cinema, mas achamos por bem falar dela.

Baum foi creditado como autor do libreto, mas na verdade ele foi escrito por Glen MacDonough que era escritor fantasma. Aparentemente foi Lyman Frank quem terminou o roteiro.

Grande parte da música original foi composta por Paul Tietjens, algumas das quais se perderam, embora ainda fossem bem lembradas na versão de 1939.

Entre os compositores há Tietjens, A. Baldwin Sloane, Charles A. Zimmerman, Gus Edwards e Leo Edwards. As letras seriam de L. Frank Baum, Vincent Bryan, Will D. Cobb e William Jerome.

O espetáculo estreou no Chicago Grand Opera House em 16 de junho de 1902, depois saiu em turnê pelo meio-oeste superior antes de chegar ao Majestic Theatre na Broadway em 21 de janeiro de 1903, onde ficou em cartaz por 293 apresentações até 3 de outubro.

Uma segunda companhia foi criada e o espetáculo saiu em turnê de setembro de 1903 a março de 1904 antes de retornar ao Majestic com uma edição especial atualizada.

Essa última ficou em cartaz até maio e depois seguiu para o New York Theater por três semanas antes de retornar a Chicago para uma temporada de cinco semanas para encerrar a temporada.

The Fairylogue and Radio-Plays (1908)

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Baum e o elenco de Fairylogue and Radio-Plays

Esse foi um projeto multimídia, para divulgar os três primeiros livros de Baum, a saber O Maravilhoso Mágico de Oz, A Maravilhosa Terra de Oz e Ozma de Oz.

Era um espetáculo itinerante, que se apresentou entre 24 setembro até 16 de dezembro de 1908. Era formado por 23 segmentos filmados, projeções e shows ao vivo com atores e narração do próprio Baum.

O escritor apresentava o espetáculo usando um terno branco e ao final convidava as crianças para conhecer Romola Remus, a atriz mirim de oito anos que interpretou Dorothy nas primeiras adaptações do livro.

O show ainda contava com sessão de autógrafos dos livros, feitos pelo escritor, quando encerrava os espetáculos.

O Mágico de Oz (1910)

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Originalmente chamado The Wonderful Wizard of Oz, foi a primeira adaptação para o cinema do famoso livro de Baum, dirigida por Otis Turner.

O espetáculo de 1908 foi um sucesso artístico, mas um fracasso financeiro e deixou o escritor devendo milhares de dólares a seus credores, incluindo a Selig Polyscope Company, a empresa de Chicago que havia produzido os segmentos de filme usados ​​nos shows itinerantes.

Como parte dos esforços para quitar suas dívidas, a companhia ganhou o direito de fazer um filme da obra mais conhecida do autor.

A Selig optou por fazer uma versão de um único rolo (e de treze minutos de duração) e desse modo a história fica condensada de forma tão resumida que pareceu incoerente.

Com a falência da empresa em 1918, o curta ficou perdido por várias décadas até que uma cópia foi encontrada em 1983. Foi seguido por The Land of Oz, Dorothy and the Scarecrow in Oz que estão perdidos.

Dorothy and the Scarecrow in Oz (1910)

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Essa é uma obra perdida, dirigido por Otis e produzida pela Selig. Ela também incorpora elementos do primeiro livro. Tinha cerca de 15 minutos de duração, já que o comprimento do rolo era de 1.000 pés.

A Views and Film Index afirmou que foi lançado em 14 de abril de 1910. Sua história mostra Dorothy e o Espantalho na Cidade Esmeralda, se tornando amigos do Mágico, junto ao Homem de Lata e o Leão.

Os desejos do trio são entregues e também é desenvolvida uma rivalidade com os perigosos mangaboos.

The Land of Oz (1910)

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Esse é um filme perdido, dirigido por Otis Turner e produzido pelas companhias Selig Polyscope Company e The Oz Film Manufacturing Company, de propriedade de Baum.

De acordo com uma descrição no Views and Film Index, foi lançada em 19 de maio de 1910.

Foi exibido poucas vezes, adaptava a entrada de Dorothy na Cidade das Esmeraldas e encantou pessoas da imprensa e da crítica na época.

His Majesty, the Scarecrow of Oz (1914)

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Lançado pela Oz Film Manufacturing Company e apresentava o Espantalho, Dorothy e o Homem de Lata em uma história original.

Haviam elementos dos livros O Maravilhoso Mágico de Oz, A Terra Maravilhosa de Oz e A Estrada para Oz. O enredo desse foi adaptado por L. Frank Baum como um subplot de O Espantalho de Oz, livro publicado em 1915.

Esse é um dos filmes dirigidos por J. Farrell MacDonald, embora houvesse um boato de que a direção coube a Baum. Na trama Mombi é a principal vilã, a mesma que aparece em O Mundo Fantástico de Oz, mas no livro que se seguiu, seu lugar foi ocupado pela bruxa Blinkie.

O filme está em domínio público.

The Patchwork Girl of Oz (1914)

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Esse é um filme mudo produzido em 1914, mas que foi relançado anos mais tarde como The Ragged Girl of Oz.

Foi baseado no livro homônimo de L. Frank Baum, publicado no ano anterior. Esse foi o primeiro produzido unicamente pela empresa do escritor.

Dirigido por J. Farrell MacDonald, contou com Violet MacMillan, Frank Moore e Fred Woodward no elenco, esse último em triplo papel.

Foi concluído em julho de 1914 e distribuído pela Paramount Pictures, mas não obteve sucesso comercial. O fracasso impactou a distribuição dos filmes subsequentes da Oz Film Manufacturing Company e levou ao colapso da empresa.

A trama foca na vivência de um menino chamado Ojo e seu tio Nunkie, que saem do país dos munchkins e vão até a Cidade das Esmeraldas, em busca de comida.

A história envolve obviamente questões mágicas, busca por ingredientes e lida com a fome de maneira lúdica, afinal , é uma história infantil.

O Feiticeiro de Oz (1925)

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Essa é uma adaptação diferenciada, um longa-metragem, dirigido por Larry Semon, que também atua. Estrela Dorothy Dwan como Dorothy e Oliver Hardy, como Homem de Lata.

Tem consideráveis diferenças com o primeiro livro, inclusive com personagens originais do filme. Eventualmente falaremos sobre ele, separadamente.

A recepção foi entusiasmada, mas ainda assim, depois das primeiras sessões, a bilheteria caiu e até as críticas se tornaram negativas.

A empresa que produziu a obra faliu, a Chadwick Pictures. Aparentemente essa é uma história fadada a fracassar, como foi com a MGM em 1939, que obviamente, não faliu, seguindo até hoje.

The Land of Oz (1932)  

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Dirigido por Ethel Meglin, é uma adaptação livre do romance homônimo. A duração desse é um mistério até hoje. Se especula que dois rolos originais foram perdidos, por isso é difícil entender qual seria a sua metragem real.

O filme foi gravado um ano antes,em 1931, originalmente seria uma série composta por vários episódios, sendo o primeiro intitulado The Scarecrow Loses His Throne.

A trama mostra uma união entre o General Jinjur e a bruxa Mombi para derrotar o Espantalho, que é Rei da Cidade Esmeralda.

The Wizard of Oz (1933)

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Esse é um curta animado e foi a primeira adaptação para desenho animado da história de Oz,

O pioneiro canadense da animação Ted Eshbaughconduz esse. Ele criou o curta de oito minutos a partir de um roteiro de Frank Joslyn Baum, filho do autor original.

Foi uma das primeiras animações a ser produzida em cores e a ter uma trilha sonora completa. 

A obra foi impedida de ser distribuída por um conflito legal com a Technicolor Corporation, mas isso não impediu que o famoso filme da MGM seguisse diversos elementos dessa, como a transição do preto e branco para o Technicolor.

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Outras questões como a procissão de carruagens pela Cidade Esmeralda têm base nesse desenho animado.

A música do filme foi composta por Carl Stalling, que trabalhou tanto para a Disney quanto para a Warner Brothers.

University of Oz (1936)

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Esse é um outro curta criado por calouras da Universidade de Michigan.

Suas filmagens ocorreram em 2 de junho de 1936 e mostra Dorothy consultando o Mágico, que envia estudantes insatisfeitos da Universidade de Michigan para a Universidade de Oz.

É um curta-metragem em Technicolor de duas tiras inteiramente interpretado por mulheres, que inclui os personagens Ojom Tippetarius, o Espantalho, Nick Chopper, Tik-Tok, bruxa Mombi, Jinjur, Scraps, o Homem Desgrenhado, Betsy Bobbin e Jack Cabeça de Abóbora.

São parcas as informações sobre essa produção.

The Land of Oz e The Wizard of Oz (1937-38)

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Imaginação de The Land of Oz

Essa foi uma iniciativa ocorrida graças a autorização de Maude Gage Baum, a viúva do autor L. Frank Baum, mas jamais foi concluída.

Deveria ter sido uma série de animações curtas. Kenneth McLellan quis fazer curtas, uma sobre a terra mágica de OZ e outra baseada em uma trama onde o Espantalho reside em uma casa de espiga de milho.

Se pensou em fazer uma animação cartunizada e até uma outra, em Stop-Motion. A ideia era juntar animação e momentos com atuações de marionetes, caso tivesse conseguido o financiamento necessário, esse provavelmente seria um piloto desse projeto.

O pós

A partir de 1939, com o lançamento da MGM, O Mágico de Oz se tornou algo diferenciado e lúdico.

Durante anos, os livros de Baum rivalizaram com os de Lewis Carroll, como se fosse esse um paralelo estadunidense para os tropos de Alice no País das Maravilhas e suas sequências, que eram contos de fadas modernizados, mas por uma via britânica e não dos EUA, como era com Oz.

A partir daqui a história romperia seu nicho e se tornaria mainstream, os livros ganhariam mais fama e mais adaptações para cinema e televisão.

Em breve falaremos sobre algumas dessas. até lá.

Especial O Mágico de Oz e Wicked

Artigos:
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O guia para O Magico de Oz e Wicked, Parte Quatro: Os livros de The Wicked

Crítica:
O Mundo Fantástico de Oz, por Filipe Pereira
Oz: Mágico e Poderoso, por Wilker Medeiros

Podcast:
Alerta Vermelho 34: O Mágico de Oz


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