Carcaça: Um terror brasileiro, sobre pandemia

Estrelado por Paulo Miklos, Carcaça é um longa que mistura elementos de drama, terror e incômodo

Carcaça é um filme brasileiro situado na época terrível da pandemia do novo coronavírus. Dirigido e produzido por André Borelli, é lembrado especialmente pelo fato de ser protagonizado pelo cantor e ex-Titãs Paulo Miklos.

Com registro em preto e branco, o longa tem pouco mais de uma hora e versa sobre um casal que graças a pandemia, está confinado.

Os dias passam mais lentamente, as diferenças entre eles passam a ser um obstáculo, para além da evidente diferença de idade, uma vez que Davi, homem interpretado por Miklos, é bem mais velho que sua parceira, Lívia, personagem de Carol Bresolin.

Esse é um suspense psicológico brasileiro, que tenta falar a respeito de um relacionamento tóxico e possessivo que se agrava graças a pandemia, o isolamento expõe segredos e transforma a casa dos dois em uma prisão.

Realidade e sonho se misturam, tornam a simples convivência em algo tenso. A trama é dúbia, difícil de entender o que é real o que não é, especialmente depois que ela encontra um dos segredos sujos dele, la´[em de lidar com temas de manipulação e controle.

A obra está disponível em plataformas digitais desde março de 2025

Estreia, nomenclatura e estúdios

O longa estreou em 3 de março de 2025, na internet, via VOD e stramintg.

É conhecido como Carcaça ou Carcassi, em inglês. A obra foi feita pelos estúdios da Borelli Entretenimento e distribuído pela California Filmes.

Quem fez

Borelli fez Quase Livres, O Poço, O Tio, Descascado e Coisa Pública. Além de acumular funções de direção, ele também é ator, fará a função e assinará a direção de arte do vindouro O Leão Covarde, baseado na literatura de L.Frank Baum e seu universo de O Mágico de Oz.

Carol Bresolin atuou nas séries Em prova, Sem Sinal, no curta Um Palhaço no Halloween, além dos longas Desapega!, Um Dia Cinco Estrelas, além da novela da TV Record Reis.

Paulo Miklos é lembrado claro pela carreira com a banda de pop rock Titãs, mas também atuou em algumas boas obras, como O Invasor, Estômago, as novelas Bang Bang e O Sétimo Guardiã, a série Manhãs de Setembro, além dos filmes Obrigado por Fumar, Saudosa Maloca e O Homem Cordial.

Como Etcétera, no filme "Estômago", de 2007! Em 2016, o longa entrou para a  lista dos 100 melhores filmes brasileiros da @Abraccine.

Narrativa

Antes do filme começar de fato, há uma citação, do filósofo e teólogo existencialista dinamarquês Søren Kierkegaard:

A angústia é a vertigem da liberdade.

Depois disso inicia enfim a trama, mostrando um casal comum, que vive bem, tem suas intimidades, discussões e alguns entreveros, que começam pequenos, mas vão se agravando.

Essa é uma obra que flerta com formato de filme-ensaio, se valendo demais de simbolismos, alegorias e discussões filosóficas, normalmente, todascas.

Lívia está bem, até que vê um pássaro morto, no chão da cozinha. Aparentemente, ver o bicho assim desperta nela um sentimento de nervosismo.

Então começa um looping, que iguala ela a uma mulher que vive enjaulada, tal qual a maior parte das aves que servem de pet.

Contradições

Ora, tratar mulheres como vítimas de seus parceiros não é uma novidade. É comum na dramaturgia e na realidade - infelizmente - a grande questão é que o texto aposta tanto na duplicidade que uma sensação tão triste da personagem, de encarar sua vida como uma prisão, corre o risco de parecer apenas frescura movida por um egoísmo vaidoso.

Lívia e Davi vivem no meio da pandemia. Todos estão confinados, não somente as mulheres que sofrem abusos.

Há quem defenda que ela seja uma mulher troféu e essa interpretação faz sentido. Como o roteiro não é tão explícito - ao menos não nesse sentido - há razão para acreditar nisso.

No entanto, como não fica clara essa questão, pode ser que ela apenas delire, diante do nervosismo de estar restrita a um espaço tão curto de vida, além de estar diante da possibilidade de morrer.

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Ausência de desenvolvimento

Dito dessa forma, parece que Carcaça tem bons temas. É inegável que se tenta aludir a isso, mas a realidade é que há uma carência de construção textual.

A câmera flagra intimidades como a exibição de exercícios e banhos de piscina da moça, também a rotina de trabalho digitando em um computador dele, fora as refeições.

A grande questão é que também é mostrado que Davi usa o seu computador para se aliviar sexualmente, mesmo tendo uma parceira bonita e jovem ao lado. Quando uma encomenda chega, ele vai até a porta ver, a menina vê seu computador - de maneira despretensiosa, diga-se - e se assusta.

Ciúmes?

Ao reparar o que ele via, não se revela o que ele estava assistindo, mas fica claro que é algo ruim e asquerosos aos olhos dela.

A partir daí, algo se quebra, o encanto vai embora, na verdade aparentemente é isso que ocorre, mas não fica exatamente claro, visto que esse momento pode ter sido só o catalisador de uma epifania, o gatilho para que ela notasse o quanto ele era uma pessoa ruim.

Novamente, parece profundo, mas a falta de substância faz pensar que ela pode ter apenas visto ele se masturbando vendo outras mulheres e diante disso, ela sentiu ciúmes e passou a achar que ele era patético.

Se de fato ela é uma esposa troféu, pode ter se sentido ameaçada, pode ter enxergado que ficará obsoleta quando envelhecer, pode ter medo de ser rejeitada como um brinquedo velho.

Isso poderia ajudar a explicar algumas de suas atitudes, mas não há muita reflexão a respeito disso.

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Essas visões são mais fruto do que o espectador encara e imagina, diante do vazio de profundidade proposto.

Mudança de visão

Fato é que Lívia enxerga defeitos em tudo, nos hábitos de mastigação, que rapidamente viram irritantes, até há planos detalhes ali, também reclamações de beber vinho no sofá.

Eventos como acidentes com vidro, vampirismo e pesadelos se misturam. A moça segue em momentos de violência, que parecem sonhos, mas não fica claro o que são.

A moça reclama que seu parceiro não permite que ela tenha redes sociais, também se irrita com o fato dele achar a moda das dancinhas ridícula, embora não fique claro como ele consome isso, afinal, é contra o uso dessas redes.

Aparentemente ela é obrigada a ter uma vida que não quer e pela ordem dos fatos, isso "justificaria" o que se daria depois.

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Surtos

Depois de um simples derrubar decopo de vidro (outro) e um corte profundo, Lívia se irrita, grita e lembra e se corta, lembrando do devaneio de quando Davi parecia um vampiro, momentos anteriores.

Os momentos finais ficam ligeiramente mais agitados, incluindo até um porre de Davi, acompanhado de momentos de discussão mais violentas.

A questão maior é que o roteiro por ser cíclico e acaba sendo repetitivo, e que deveria parecer profundo acaba sendo nada mais que uma reprise de momentos nada fortes.

Há tentativas de envenenamento, assumidos antes de causar mal de fato, troca de acusações sobre invasão de privacidade e práticas abusivas/taradas, além de discussões fortes, que reduzem a mulher ao papel de bibelô sexual e escrava dos desejos masculinos.

É forçado, repleto de estereótipos vazios e óbvios, igualando moças do interior a pessoas ingênuas e capazes de aceitar qualquer humilhação.

Reação ruim

Lívia faz criancices, joga o macarrão que ele comia na cabeça do sujeito, rabisca o livro de Sartre e faz Davi imaginar que o lixo da casa está repleto de vermes.

Age de forma passivo agressiva, caçoa dele, retribuindo assim as humilhações, mas a atuação de Bresolin não tem nada de grade ou melancólico, na verdade, é apenas irritante.

Os momentos finais ainda garantem um momento de dubiedade, com doppelgangers, que deixam tudo mais confuso. Se a ideia do roteiro era referenciar a alguma fonte de inspiração surrealista, como as séries e filmes de David Lynch, o esforço foi em vão, pois parece apenas um pastiche disso.

Tentativa de normalidade

O terço final faz pensar que tudo não passou de um pesadelo para ela, já que Davi diz que o seu pessoal quer conhecer ela, mas aparentemente, ela tem receio de sair, graças ao receio pandêmico.

Aqui se abre a possibilidade de que o isolamento pré-chegada da vacina a fez enxergar a vida de uma maneira bem mais cruel do que realmente eram os seus dias.

Até mesmo elogios a culinária que ela pratica são vistas de maneira ruim. Davi acaba parecendo interessado no que ela faz e não no que ela é.

A ideia de mostrar a relação como uma prisão é boa, mas a forma de contar é fraca.

Carcaça termina de maneira trágica, esperando que o ciclo repetitivo se renove, sem ficar claro se aquele é mais um episódio de devaneio ou não. Falta profundidade, atmosfera, verve e sentimento.

TRAILER

14 comments

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