Critica: Frankenweenie

Frankenweenie com sua primeira cena estabelece a que veio, em um curta feito por Victor (Charlie Tahan), onde coloca seu cachorro, Sparky como herói que salva a cidade, toda feita em maquete de papelão, de um inimigo maior, mostrando a todos que o cachorro é muito mais que um simples animal de estimação para ele, e sim um amigo, o único amigo.

Tim Burton não vem se destacando muito em seus últimos projetos, principalmente em live action, mas nas animações ele sempre teve seu carimbo e estilo próprio, que pode ser reconhecido por qualquer pessoa ao simplesmente olhar para o visual único do diretor incorporado na tela. Sempre com seu tom gótico, e mexendo com temas como mortos-vivos, cemitérios, monstros e etc. A julgar pelo longa em questão, você consegue identificar no protagonista traços de como possivelmente pode ter sido a infância de Burton, uma criança sozinha, sem amigos humanos, onde encontrava em seu cachorro a companhia para criar sua diversão, brincando de fazer filmes, achando um meio de usar sua mente cheia de criatividade, mas sempre em seu mundinho próprio. E ao perder esse amigo vê seu mundo desmoronado e procura de todo modo traze-lo a vida. Só que mexer com vida e morte sempre tem um preço, e o protagonista junto com a pequena cidade de New Holland, tiveram que lidar com isso.

O 3D é usado de forma simples, sem ficar atacando coisas na sua cara, usufruindo mais a sua profundidade para fazer o publico se sentir realmente dentro daquele mundo. Mundo que ao ser retratado totalmente em preto e branco, ganha uma vida diferente, um tom pesado e mais tenso, deixando o espectador sempre atento ao que pode ou não acontecer. Em uma época onde tudo é colorido e para o grande publico o preto e branco são sinônimos de coisa "velha", é uma escolha arriscada, mas que se prova acertada com o decorrer da trama. A trilha sonora não se destaca ou se sobrepõe em momento algum, se mantém ali tímida usando de algumas notas para fazer homenagem aos mais diversos clássicos do terror, mas sempre de maneira simples e contida.

Como todos sabem, Burton ama o mundo em cores escuras, e tem suas essencias em grandes clássicos que tinham como protagonistas monstros, vampiros e seres mortos. E é aqui em seu projeto de inicio de carreira que só conseguiu tirar do papel agora, (na forma de longa-metragem, uma vez que nos anos 80 seu roteiro foi filmado como um curta), depois de uma longa caminhada nos cinemas,  que ele homenageia esses personagens, fazendo referenciais que vai de Frankenstein a Godzila na sua versão original em preto e branco janponesa.

O longa peca em pequenos detalhes em que a história não se prova forte e corajosa o suficiente para manter o que construiu no seu segundo ato, preferindo concluir a película de maneira mais simples e dentro do padrão. Ai fica a duvida se isso se deve ao fato do longa ser do estúdio Disney, ou se Tim Burton está achando a luz em sua vida. Apesar de ser uma animação, Frankenweenie pode não se encaixar direito no publico infantil, por ser cheio de referencias que provavelmente o publico menor não vai entender, e também pode sofrer com o publico adulto, por ter uma trama simples demais.

De todo modo não é todo dia que temos um longa de animação que foge da comedia clássica de animações e se arrisca a apresentar um filme nos dias de hoje totalmente em preto e branco e em stop-motion para o grande publico, resta saber se o preconceito por assimilar essa característica a algo "velho" não impeça o publico de visitar o longa.

Tiago Batista

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Comentários

4 comments

  1. Avatar
    Zé Guilherme 2 novembro, 2012 at 09:05 Responder

    Uma ótima crítica Tiago, me deixou com mais vontade de ver o filme. Espero mesmo ser rescompensando, por saber que esse sempre foi um dos projetos de vida do mestre Tim. As referências, o clima Priceano, e todo aquele humor negro que só ele consegue captar já me pegou desde os primeiros materiais … ansioso.

  2. Avatar
    José Guilherme 5 novembro, 2012 at 20:47 Responder

    Me emocionei sim e consegui pegar a maioria das referências, desde a mais simples (todas as cenas clássicas do Frankenstein do Boris Karloff, aquela parte que o Sparky bate de frente ao espelho foi de arrepiar) até as mais inusitadas (os filmes B à la Ed Wood que o Victor produzia).
    Para mim o filme foi poesia pura, principalmente quando levamos em conta, que esse era um dos projetos de vida do Mestre Tim. Vou ver outras vezes para encontrar referências, rir com os bizarros moradores de New Holland (que justificativa excelente para termos um clímax no moinho) e admirar ainda mais outra pérola do universo de Tim Burton.

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